Julho 16, 2019

Motorista de aplicativo: de bico à profissão

Motorista de aplicativo: de bico à profissão
divulgação/Uber

Gosto de andar de Uber porque conversando com os motoristas dá para sentir como andam as coisas no país. Nos últimos dias fiz três viagens. Conheci uma mulher e dois homens, cada um veio de um canto do país. Todos cursaram faculdade e estão desempregados, ou então têm ocupações que não lhes garantem no final do mês o mínimo necessário para uma vida digna. Aí, trabalhar como motorista passa a ser um bom negócio.

A moça que me levou ao Centro é formada em contabilidade. Separou-se e ficou com a filha de cinco anos. Meses depois a empresa onde trabalhava demitiu muita gente, ela inclusive. Como não conseguia outra colocação viu no Uber a chance de ganhar dinheiro rápido. Hoje dirige uma média de 10 horas por dia e deixa a menina com a mãe. Já pensa em fazer do bico, profissão. Ganha em média R$ 200 por dia.

Beto é carioca, músico profissional e estudou Antropologia. Equilibra-se financeiramente entre suas profissões, e acaba de lançar um livro. João fez Direito e estuda para concurso público, mas só vai para casa após cumprir a meta do dia na direção, que é de R$ 150 limpos, tirando a despesa.

Se por um lado é bacana ver estes jovens empreendendo e correndo atrás do seu sustento, por outro, é triste constatar que nem os formados em nível superior estão conseguindo oportunidades no mercado de trabalho. Difícil pensar no futuro do Brasil desse jeito. Hoje, são cerca de 600 mil motoristas só da Uber no país, fora os outros aplicativos, que atendem a mais de 22 milhões de usuários, segundo números da própria empresa.

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Viviane Bevilacqua

Viviane Bevilacqua

Trinta anos de jornalismo diário e predileção por temas ligados ao comportamento humano. Crônicas que falam sobre as relações familiares, educação, saúde e o cotidiano de todos nós, sempre de forma leve e direta, como se fosse um bate-papo entre a jornalista e o leitor.

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