Março 02, 2021

Não há tranquilidade em Brasília

Não há tranquilidade em Brasília
REPRODUÇÃO/SECOM

Se apenas a pauta do enfrentamento da Covid-19 estivesse na agenda do governador Carlos Moisés em Brasília, nesta terça (2), seria mais tranquilo acompanhar outros embates paralelos.

Na primeira parada, Moisés esteve com um grupo de outros governadores na União Química Farmacêutica Nacional (foto), que fabrica a vacina Sputnik V, de origem russa, e que já pediu a autorização para uso emergencial do imunizante, o que não esconde a insatisfação de chefes dos executivos estaduais com informações disparadas pelo Palácio do Planalto.

O governador de Santa Catarina não assinou o documento que tinha 19 signatários até ontem (1º), mas não contrapõem uma vírgula ao documento, em que há uma reclamação contra o presidente Jair Bolsonaro por juntar os valores do auxílio emergencial e até a suspensão e renegociação da dívida, além de outros repasses constitucionais no cálculo de repasses para enfrentar a pandemia.

O episódio esquentou o clima no Congresso, onde Moisés e os demais governadores têm encontro nesta terça (2) com o presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) para tratar de apoio para medidas contra a Covid-19.

 

Não pense

Que há uma insurreição de governadores e que todos são adversários do presidente Jair Bolsonaro.

Entre os 19 estão Renan Filho (MDB-Alagoas), Ronaldo Caiado (DEM-Goiás), Helder Barbalho (MDB-Pará), João Azêvedo (Cidadania-Paraíba), Ratinho Júnior (PSD-Paraná), Cláudio Castro (PSC-Rio de Janeiro), Belivaldo Chagas (PSD-Sergipe), Mauro Mendes (DEM-Mato Grosso) e Mauro Carlesse (DEM-Tocantins), que são devotos ou estiveram de namoro com o presidente. Ou seja, azedou a relação.

 

Mais rumores

As declarações de Bolsonaro de que governador que promovesse lockdown pagaria a conta do auxílio emergencial, agitou o Congresso.

Até integrantes do Centrão reclamaram e passaram a apoiar as CPIs da Covid-19, no Senado, e da Cloroquina, na Câmara, armas da oposição para repelir a metralhadora do Planalto. O momento de instabilidade, em meio a uma pandemia, não ajuda ninguém.

 

JULIO CAVALHEIRO/SECOM

SEM SUPREMACIAS

Encontro do governador com os integrantes do Ministério Público Estadual, MP Federal e do Trabalho, mais representantes da Defensoria Pública da União e do Estado e do Tribunal de Contas do Estado deve ter sido a porta aberta na hora certa. Mas o protocolo cessa por aí. Os órgãos de controle mantêm a posição de que o governo deve endurecer as medidas contra a Covid-19 e o governo ficou de avaliar os resultados dos dois lockdowns dos fins de semana e as medidas decretadas por 15 dias, com pouquíssimas restrições, De fato, a palavra monitoramento, adotada pelos MPs, DPs e TCE sugere que a pressão para que o fechamento mais prolongado ocorra não acabou.  

 

Novo rumos

O futuro do deputado estadual Coronel Onir Mocellin deve ser mesmo buscar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Mocellin, que também aguarda um posicionamento do presidente Jair Bolsonaro para trocar o PSL por outra sigla, entende que seu trabalho seria muito mais amplo no Congresso, onde são debatidas as matérias que impactam na segurança pública.

 

Um grande erro

Sempre que perguntado no passado sobre as viagens anuais com a família, o prefeito Gean Loureiro (DEM) usava o argumento de que o planejamento cabia a mulher Cíntia, que guardava dinheiro e pagava as passagens durante os meses que antecediam o embarque, uma forma de compensar o tempo que ele fica afastado das filhas por conta da política.

Pois, desta vez, a viagem foi um desastre completo, ignorou o que passam milhares de pessoas e a justificativa de que Gean precisava descansar só vale em parte, afinal a crise provocada pela Covid-19 estava acima de qualquer passeio em Cancún (México), fato que só serviu para queimar o filme do prefeito.

 

Consórcio

Finalmente os delírios dos prefeitos que imaginam que, em voo solo, enfrentarão os gigantes laboratórios farmacêuticos para adquirir vacinas está dando lugar à razão.

Agora, fala-se na criação de um consórcio de prefeituras brasileiras, mais de 450, com população acima de 80 mil habitantes, para conseguir ter poder de barganha. Mas antes, ouvirão muitas vezes que os laboratórios só negociam com o governo federal.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 36 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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