Outubro 03, 2021

Naquele tempo...

Naquele tempo...

Não quero me tornar aquela velhinha que fica falando “antigamente não era assim...”, mas penso que as novas gerações desconhecem quantas mudanças ocorreram nas últimas décadas. Nem me refiro às grandes, como o surgimento da AIDS ou a chegada da internet e o impacto das redes sociais na nossa vida. Falo das pequenas mudanças, as cotidianas, às quais tivemos que nos acostumar.

Vejam, era ponto de honra ser “pobre, porém limpinho e arrumadinho”. Chegar no trabalho com um fio da meia puxado era motivo de vergonha. Agora é fashion usar meias esfiapadas! Quando o jeans ficava velho, virava bermuda para andar em casa. Hoje a calça já vem rasgada. E custa uma fortuna! Uma amiga contou-me que o marido tinha um jeans de grife famosa, com manchas alaranjadas nas pernas. A empregada da casa viu aquilo e pensou: - onde o patrão se sujou desse jeito? Foi flagrada lavando a calça - que custava quase o seu salário- com um escovão. Tentava tirar as manchas, claro.

Outro exemplo? Era im-per-do-á-vel uma mulher de cabelo oxigenado (sim, água oxigenada era a forma de descolorir o cabelo), com as raízes escuras aparecendo. Significava desleixo e vulgaridade. Há alguns anos, lançaram a moda da loirice com raízes pretas. As mulheres passaram a pagar caro por isso nos salões de beleza.

Até onde me lembro, o único cuidado estético dos homens além de cobrir os cabelos e bigodes brancos - com produtos que os deixavam negros como as asas da graúna -  era lixar e passar base incolor nas unhas. Só homens mais velhos faziam isso e eram olhados com estranheza. Jamais imaginaríamos homens depilando peito e pernas, muito menos, as sobrancelhas como atualmente.

Só para deixar bem claro: não estou criticando os novos hábitos, apenas mostrando como beleza e feiúra podem ser conceitos flexíveis.

Outra coisa: os mais jovens talvez não acreditem, mas naquele tempo não se pagava para estacionar na rua, muito menos no comércio, shoppings ou bancos.

E, por último, e aqui sou obrigada a dizer – bons tempos aqueles! – NÃO se comia no cinema. A única coisa permitida era bala que não fizesse barulho. Pipoca? Refrigerante? Nem pensar! Nos últimos anos já vi gente comendo até batata recheada no cinema e deixando cair recheio na poltrona. Agora, sobre o áudio do filme, ouve-se o barulho de saco de salgadinho e o chup-chup de refrigerante.

Bem, acho melhor parar antes de me tornar a velhinha reclamona lá do início. Mas, naquele tempo...

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MICROCONTO DE DOMINGO

Este desafio proposto pelo coordenador do @literaturaminima foi fácil: transformar em minicontos de 50 palavras notícias estranhas, bizarras, quase inacreditáveis. O que não faltou foi matéria-prima. Basta abrir o jornal - ou o computador - para dar de cara com notícias que mais parecem ficção. Nós, humanos, andamos nos superando nesta estranha vida!

Mentoria: Robertson Frizero- Clube de Criação Literária/Literatura Mínima

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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

MOF 5

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