Maio 13, 2017

Neiva Ortega - experiência e prática na gestão cultural

Neiva Ortega é gestora organizacional em assuntos culturais da Arte Movimenta


 

Ela é psicóloga organizacional, pós-graduada em turismo e hotelaria, facilitadora capacitada em programa de projetos, políticas e gestão cultural, Neiva Ortega trabalhou em empresas privadas e instituições públicas como a Fundação Catarinense de Cultura, onde gerenciou a área de música e gestão do Programa Nacional de Bandas da Funarte/Ministério da Cultura. Integrante no Conselho Municipal de Política Cultural de Florianópolis, no segmento cultura popular, Neiva tem vasta experiência no terceiro setor.

É sócia-fundadora e gestora organizacional e administrativa do Núcleo de Projetos da Arte Movimenta, que articula, cria e conduz projetos na área cultural. Há cinco anos na produção executiva do Múltipla Dança - Festival Internacional de Dança Contemporânea prepara-se para realizar entre 20 e 27 de maio, na Capital, a décima edição na qual consta, além de outros dez “espetáculos” (em cena), a apresentação de Convite ao Olhar, proposta de dança inclusiva da Cia. de Dança Lápis de Seda, também coordenada pela Arte Movimenta.

Com dez bailarinos, o grupo realizará, em junho, uma turnê que prevê apresentações em quatro capitais brasileiras. Nesta entrevista, Neiva fala da crença que, por meio da cultura, é possível mudar sensibilidades, bem como do desafio de atuar neste segmento.

 

 

A Arte Movimenta realiza o Múltipla Dança e coordena a Companhia de Dança Lápis de Seda, que aposta em dança inclusiva e, logo, irá representar Florianópolis em quatro cidades brasileiras. O que é a Arte Movimenta?

Presidida pelo músico Felipe Mortiz, a Arte Movimenta foi constituída em dezembro de 2005 sob a forma de associação, com sede em Florianópolis. Instituição do terceiro setor, com natureza cultural, quer estimular o panorama artístico-cultural de Santa Catarina, por meio de projetos, eventos, programas de capacitação profissional e orientação técnica, além da promoção sociocultural. No caso das duas iniciativas, queremos promover espetáculos, discussões e conhecimento em torno da dança e arte contemporânea.

 

 

Foto Cristiano Prim

A companhia de Dança Lápis de Seda, formada por bailarinos com e sem deficiência, é coordenada pela Arte Movimenta nos seus aspectos administrativos

 

 

Como situa o papel do Múltipla Dança?

Na insistência e luta, o festival chega a sua décima edição, o que não é pouco. Reconhecido nacionalmente, ele tem credibilidade a partir de cuidadosas curadorias e coordenação, feitas sempre por Marta Cesar e Jussara Xavier, que ajustam baixo orçamento com atividades que produzem pensamento no campo da dança.

Além de dar visibilidade à produção contemporânea de Santa Catarina, queremos dialogar, fazer intercâmbio, trazer convidados. Os paradigmas da contemporaneidade colocam a arte nas ruas, mudam o movimento da cidade, surpreendem pessoas no meio do fluxo. O festival pensa dança e cidade de diferentes maneiras, toma conta do espaço urbano, ajusta interesses inclusivos e de consciência ecológica. Neste ano, pensa a dança da diferença com um espetáculo que será no Parque Jardim Botânico, no Itacorubi. E melhor, tudo de graça.

 

 

Foto Cristiano Prim

Protocolo Elefante Protocolo Elefante, espetáculo do Grupo Cena 11 Cia. de Dança, abre o 10º Múltipla Dança, no dia 20 de maio, às 20h, no Teatro Pedro Ivo

 

 

A Cia. de Dança Lápis de Seda encerra o 10° Múltipla Dança?

Sim, no dia 27, às 16h. Não poderia ser de melhor maneira, abrir com Protocolo Elefante, estreia do espetáculo do Cena 11 em solo catarinense, e fechar com a Cia. Lápis de Seda.

Convite ao Olhar, um trabalho de 2014, foi retomado e se ajustou à agenda do festival. Por isso em junho fará uma turnê que passa pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Este é um projeto patrocinado pela Cateno, com o incentivo da Lei Rouanet, sob a coordenação da professora e coreógrafa Ana Luiza Ciscato, onde conseguimos profissionalizar dez bailarinos, com ou sem deficiência, que também, no segundo semestre, irão preparar outro trabalho - Será que É de Éter? -, para ser apresentado em Florianópolis e Blumenau. Isso demonstra um alinhamento de objetivos da Arte Movimenta com outros interesses, como o do Múltipla Dança.

Há um entrecruzamento de projetos que ajudam a legitimar e realizar o evento, que é caro a quem faz dança no Estado. A atenta leitura do programa revela um conjunto de editais e programas que consolidam trabalhos solos ou de companhias. Tudo isso demonstra um modo de fazer. Juntos, exercitamos aprendizagem em gestão, estabelecemos parcerias, forma de fazer diante da crise. Os dois projetos envolvem ampla articulação com espaços privados e institucionais da cidade e do país, parcerias sem as quais o festival não seria viável em 2017. 

 

De que modo a crise política e econômica impacta o Múltipla Dança?

O corte de verbas atinge todos os setores. Embora tenha o patrocínio da Caixa, por meio do programa de apoio a festivais de dança, um festival deste porte pede mais recursos do que o conquistado. A alternativa encontrada neste ano se aproxima da economia solidária, ou seja, pediu um engajamento coletivo, num amplo espectro de modos colaborativos.

As curadoras Jussara Xavier e Marta Cesar lembram no programa que a estreia catarinense de Protocolo Elefante, do Cena 11, ficou viabilizado, em parte, graças aos fundos obtidos pelo site de financiamento coletivo Catarse. Junto ao grupo, outros artistas são co-responsáveis, como Egon Seidler, Daniela Alves, Karina Collaço, Anderson do Carmo, Cristiano Prim, projeto Corpo, Tempo e Movimento e Entropia - Experiências Artísticas. Eles ajudam a estruturar o evento pelo esforço cooperativo.

 

Foto Ana Catello

Rinha, do Entropia Experiências Artísticas, ocupará a rua Conselheiro Mafra, em frente à agência da Caixa Econômica Federal, no dia 24, às 17h30

 

 

Quais as maiores dificuldades para alcançar dez edições?

Difícil apontar algo específico, prefiro pensar pelo lado positivo. Uma equipe técnica pequena, mas bem engajada, e uma produção de dança contemporânea na cidade muito vigorosa - o que estimula e nos ajuda a ajustar o festival aos interesses da Caixa, que patrocina, por meio de seleção pública anual, festivais de teatro e dança realizados no território brasileiro.

O programa, que apoia dois projetos em Santa Catarina, reconhece a importância dos festivais para o desenvolvimento da arte e do mercado artístico nacional e abre espaço criando oportunidades para companhias, artistas e produtores mostrarem a um amplo público o seu trabalho em novos espetáculos, fomentando a divulgação e a circulação pelo país.

 

O que destacaria na agenda do Múltipla 2017?

O Múltipla Dança 2017 alcança uma consistente agenda que dificulta apontar o imperdível: será o espetáculo infantil? O diálogo? A homenagem, a mostra de videodança? O Cena 11? O festival é uma amplitude que "pede" uma tabela no bolso para se organizar e uma certa agilidade para obter o ingresso gratuito, distribuído uma hora antes de cada espetáculo.

Algumas das ações nem precisa ingresso, é só chegar. Eu chamaria a atenção para o número expressivo de trabalhos que são daqui. Quem acompanhar e conhecer, saberá que estamos falando de potência qualitativa, é bem interessante, embora todas as dificuldades, o que alcança a dança contemporânea.

 

Foto Diogo G.Andrade

Aurora, com o bailarino Egon Siedler, é um dos oito trabalhos produzidos em Florianópolis e que constam do programa do 10º Múltipla Dança

 

 

 

Toma lá dá cá


O que você não fica sem: Uma boa risada!

O que mais admira: A simplicidade

O que não suporta: Arrogância

Um ídolo: Albertina Ganzo e Anderson Gonçalves - pilares na história da dança em Florianópolis

Uma saudade: Da infância, simplicidade, espontaneidade, alegria de viver.

A melhor viagem:  Itália, Roma, a grandiosidade e os significados da cerimônia de canonização da Santa Madre Paulina e a visita ao túmulo da Anita Garibaldi, impressionante a força destas mulheres!

Um lugar: Alemanha - Heidelberg !!

Um livro: Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho - Psicografado por Chico Chavier

Uma música: Aquarela - Toquinho

Uma palavra: Solidariedade

Uma frase: Na vida existem muitas moedas!

Um sonho: O Brasil administrado de forma coerente, para todos!


 

Tags:
social entretenimento Floripa Florianópolis gente festas eventos agenda
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Yula Jorge

Yula Jorge
Jornalista graduada pela UFSC. Antes disso estudou e viveu quatro anos entre o Canadá e os Estados Unidos e quando retornou a sua terra natal, Goiânia, graduou-se pela PUC em Secretariado Bilíngue. 
Logo mudou-se para Florianópolis, ingressou na Universidade Federal, e da ilha não saiu mais. Atua como colunista desde 2012, assinou uma coluna diária no jornal Notícias do Dia por alguns anos, e, paralelamente, foi repórter da RICTV Record e Record News. Traz todos os dias o que rola de especial em Floripa: sobre quem acontece, empreende, se engaja em causas legais. O que inaugura, as festas bombásticas, as melhores casas, restaurantes, os shows, as ações bacanas e o voluntariado.

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