A Creator Economy cresce, se estrutura e movimenta marcas e talentos em escala global. Mas, por trás das câmeras e dos posts, a realidade financeira dos criadores de conteúdo ainda é marcada pela instabilidade. É o que mostra a pesquisa Creator POV 2025, da BrandLovers, que ouviu mais de 5 mil creators em todo o Brasil.
O levantamento revela que, independentemente dos anos de experiência, todos sofrem com a insegurança decorrente das políticas de remuneração praticadas por marcas e agências. Considerando apenas criadores com mais de três anos de atuação, 68% deles afirmam sentir pouca ou nenhuma segurança financeira. Entre os profissionais com menos tempo de atuação, o cenário é ainda mais desafiador: essa proporção sobe para 73%.
“Os dados mostram que a Creator Economy está amadurecendo, mas a compensação financeira ainda não acompanha esse avanço. A insegurança não é exclusividade dos iniciantes, mesmo os criadores com anos de atuação convivem com instabilidade e falta de previsibilidade nos pagamentos”, afirma Rapha Avellar, CEO e fundador da BrandLovers.
O que muda, no entanto, com o tempo de atuação, é a forma como os criadores encaram a atividade. Entre os que estão há menos de três anos na área, a maioria ainda vê o conteúdo como renda complementar (57,6%) ou hobby (12,1%). Já entre os mais experientes, cresce a proporção de quem faz da criação de conteúdo uma profissão em tempo integral, sinal de que o setor está amadurecendo, ainda que de forma desigual.
“A Creator Economy cresceu, profissionalizou-se e tornou-se parte central das estratégias de marketing. Mas é preciso lembrar que, por trás de cada post, há um profissional que precisa de previsibilidade e reconhecimento. Criar conteúdo é trabalho — e trabalho precisa ser valorizado”, pontua Avellar.
Nem só de glamour vive um creator
O glamour que cerca a vida dos criadores ainda contrasta com o dia a dia de quem vive (ou tenta viver) dessa profissão. Quase metade dos creators (43,5%) não tem reserva financeira, e 59,9% estão endividados, sendo 21,5% com pagamentos em atraso.
Todo esse cenário ajuda a explicar por que 91,5% dos criadores preferem acordos com pagamento fixo por post ou campanha (publipost), em vez de modelos baseados em performance, como comissão por vendas (17,9%) ou por impressões e cliques (8,9%).
“Da mesma forma que os creators devem encarar a produção de conteúdo com cada vez mais profissionalismo e compromisso, as marcas e agências também precisam reconhecer esse valor e construir relações mais justas e colaborativas”, reforça o executivo.
Um mercado em transformação
Para a BrandLovers, o próximo passo da Creator Economy passa por uma relação mais profissional e previsível entre marcas e criadores. Isso inclui contratos mais claros, prazos de pagamento justos e modelos de remuneração compatíveis com o valor entregue por cada criador — pilares fundamentais para que o ecossistema siga crescendo de forma sustentável.









