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domingo, 22 maio, 2022

Ninguém segura a desobediência civil

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Ninguém segura a desobediência civil
REPRODUÇÃO/REDES SOCIAIS

Se era para atender os que o criticavam duramente sobre as medidas para combater o avanço da Covid-19, e agora o aplaudem, o governador Carlos Moisés ganhou um portfólio e tanto mesmo tendo que recuar na flexibilização na ocupação de hotéis, casas noturnas e eventos.

Moisés pode apontar o dedo para o Ministério Público e Poder Judiciário e dizer que eles barraram o processo que pretendia dar mais autonomia a setores da economia duramente atingidos desde o início da pandemia.

O fato está centrado no momento, em que a mudança de rumo pretendida pelo governo de Santa Catarina esbarra na realidade do aumento de casos da doença e UTIs próximas do colapso.

As imagens captadas no feriadão de Natal, tradicionalmente uma época de encontros em família e não de diversão plena, demonstram que, sem uma punição pecuniária, no popular meter a mão no bolso, não parece que uma grande fatia da população e os turistas estejam interessados em usar máscara e evitar a perigosa aglomeração.

 

Sobre os abusos

Evitar o distanciamento social beira a desobediência civil e flutua entre a histeria coletiva de quem se diz cansado de se isolar socialmente ou usar máscara e abusa, em muitas situações, de uma aparente privação de sentidos.

De nada contribuem para este quadro de insurreição popular os posts do governador Carlos Moisés onde ele afirma que “o uso da máscara não será exigido”, ou seja, é a mesma coisa que dizer, à beira-mar ou não, como se vê por todo o lado nas ruas, que ninguém precisa mais usar o adereço de proteção.  

 

E tem mais

O que os abusados que evitam as máscaras e desafiam a todos com as aglomerações parecem ignorar que há uma nova cepa, muito mais agressiva, da Covid-19, verificada na Europa.

Se nem sequer temos a perspectiva de vacinação, por debates ora burocráticos ora ideológicos, o que esperar quando esta variável se espalhar pelo território brasileiro. Não dá para esperar para ver, porque o pagamento sabemos virá com hospitais lotados e mortes, a verificar a partir da próxima quinzena.  

 

Flagrante

Moisés, que evita escutar os alertas feitos pela área técnica da Secretaria da Saúde, hoje instalada na Vigilância Epidemiológica, que se espalharam pelo COES, de que a flexibilidade vem em má hora, cedeu a conhecidos contrários às medidas restritivas, ora investidos de consultores.

Depois que vinte entidades lançaram uma carta aberta à sociedade, uma defesa da atividade econômica, também é justo avaliar que, nos estabelecimentos, estão sendo cumpridos os protocolos, enquanto o problema está na falta de atendimento pelos clientes. Leia a carta na íntegra:

“Carta Aberta à Sociedade Catarinense

 Os catarinenses assistem no início desta temporada ao aumento no número de casos de coronavírus. Este é um fato inegável e sobre o qual não há qualquer polêmica. Dito isso, empresas, entidades, instituições privadas e todo o trade turístico alertam para uma situação que merece uma análise livre de paixões por parte de todos nós.

Em meio à profusão de normas, decretos e decisões judiciais, os setores hoteleiro e de eventos adaptaram-se às circunstâncias. Mesmo com a evidente perda financeira que atingiu a todos, constatou-se que a única forma de manter empresas do setor abertas, ainda que com faturamento menor, seria seguir à risca os protocolos definidos pelas autoridades sanitárias. E foi o que ocorreu.

Qualquer pessoa que procurar hospedagem na rede hoteleira de Santa Catarina, de imediato receberá uma relação de protocolos a serem seguidos, que vão desde fechamento de algumas áreas comuns, passando pela redução de serviços de governança, uso obrigatório de máscaras até distanciamento em ambientes como restaurantes. Não se tem notícia de qualquer hotel que tenha fechado as portas por registro de caso de hóspede infectado. Isso porque toda a rede hoteleira sabe que o não atendimento rigoroso às normas pode levar ao fechamento do estabelecimento ou a pesadas multas.

Da mesma forma, o segmento de eventos também se adaptou às restrições. Eventos desta natureza exigem planejamento prévio e qualquer possibilidade de aglomeração pode impedir sua realização. Diante disso, o setor organizou-se e até criou alternativas viáveis e modelos híbridos. Esse tipo de evento é extremamente organizado, com rígidos protocolos de higienização e distanciamento social.

Sendo assim, as entidades e dirigentes de instituições do setor hoteleiro e de eventos apelam ao bom senso dos catarinenses para que apoiem a decisão do governo de Santa Catarina de liberar as hospedagens, desde que seguidos os devidos protocolos, e também permitam a realização de eventos corporativos, visto que há necessidade de tempo hábil para que possam ser realizados estes eventos ainda no primeiro semestre de 2021, respeitadas as normas e protocolos sanitários.

O que foi requerido judicialmente pelo Ministério Público pode ocasionar perdas irreparáveis ao Estado – sendo a primeira delas relacionada à insegurança jurídica, visto que nas próximas 24 horas reservas deverão ser canceladas, pagamentos antecipados terão que ser devolvidos e hóspedes serão obrigados a interromper suas merecidas férias para cumprimento de uma decisão que não leva em consideração o real esforço do setor para manter a saúde e integridade física das pessoas.

Por fim, todas as instituições aqui relacionadas pedem apoio e confiança na decisão do Governo, fruto de intenso diálogo com a classe produtiva, que está unida à sociedade catarinense na busca de uma solução que atenda à necessária preservação das vidas, como todos desejamos.

 

Assinam este Ofício:

– FHORESC (Federação dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de SC);

– ABIH-SC (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Santa Catarina)

– CDL FPOLIS (Câmara de Diretores Logistas de Fpolis)

– FLORIPA CONVENTION (Florianópolis Convention & Visitors Bureau)                                                                             – ACATMAR ( Associação Náutica Brasileira)

– Federação dos Convention de Santa Catarina;

– ABEOC – Associação Brasileira  das Empresas  Organizadoras de Evento.

– UBRAFE

– AEMFLO

– CDL SÃO JOSÉ

– ABRASEL

– ABETA

– SHRBS (Sindicato de Hotéis Restaurantes Bares e Similares de Florianópolis)

– ABAV SC (Associação Brasileira de agências de viagens de Santa Catarina)

– Sindetur SC

– FECOMÉRCIO SC

– ASSOCIAÇÃO EMPRESARIAL DE FLORIANÓPOLIS – ACIF

– Instância de Governança do Turismo da Grande Florianópolis – IGRTur-GF

– FORTUR

– FLORIPA Sustentável”   

 

Que ano ruim!

Sobre 2020 é fato dizer que ele nos tirou parte do sonho com tantos atores e diretores que se foram; a alegria na perda de tanos atletas; e até a elegância com a partida de Pierre Cardin. 

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 37 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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