Agosto 10, 2020

Nossa Jogada

Nossa Jogada

De pé : Tesoura,  Bolomini, Mafra, Mosiman, Ivo Willrich e Afonsinho.
Agachados: Petrusky, Otávio, Teixeirinha, Aderbal e Joine.

 

1 – O Melhor

A minha geração que gosta de futebol deve lembrar este time do Carlos Renaux, de Brusque. O melhor time da década de 1950. Hoje o torcedor de Brusque tem motivos para celebrar, como no passado, as histórias que Bolomini, Mosiman, Willrich e Petrusky deixaram marcas na história do futebol de Santa Catarina. Olhe como se escreve os sobrenomes daquela época, e porque não há, nos clubes de futebol em Santa Catarina, gente com sobrenome dos nascidos na região dos alemães? [i]



2 – Brusque F C

Fundado em 1987 substituindo do Carlos Renaux e o Paissandu, o Brusque dos Zé Mateus e Thiago Alagoano foi campeão da Série D, da Copa Santa Catarina, Recopa Catarinense, continua na Copa do Brasil, no sábado venceu o Ipiranga de Erechim, iniciando o caminho rumo a Série B e na quarta-feira dia 12, como finalista, enfrentará a Chapecoense, em Chapecó no primeiro jogo valido pelo título do Estadual 2020. É bom lembrar que o Brusque só voltou a disputar os campeonatos da FCF em 2018, reiniciando pela Série C, a terceira divisão do Campeonato Catarinense de Futebol.

3 – O Início - 1913

Na primeira década do Século XX, Jacob e Margarida Olinger, proprietários de um curtume em Busque, enviaram o filho Arthur Olinger ao Rio Grande do Sul para aprender o oficio de técnico de curtição, na empresa de Pedro Adams Filho, em Novo Hamburgo. Não foi bem o que ele aprendeu que iria mudar a história da cidade de Brusque.

A viagem era feita a cavalo e durou 30 dias, quando Arthur chegou a Brusque no inverno de 1913. Cansado, antes de abraçar os pais foi procurar os amigos e mostrar a novidade que trouxera. Quando abriu a mala, para surpresa de todos, tirou de dentro uma bola de couro e uma bomba de ar.

Ninguém entendeu nada. Durante o ano que permaneceu na cidade gaúcha - quase um ano -, Arthur, aos 20 anos, aprendera outro ofício que mais tarde se tornaria uma das profissões mais rentáveis no mundo: jogar futebol. Aprendeu com os companheiros da fábrica Pedro Adams Filho e com os colegas de pensão onde vivia em Novo Hamburgo. Aprendeu depressa tanto que os dirigentes do Sport Club Novo Hamburgo o convidaram a integrar o segundo quadro da equipe. Havia tempo para se comunicar Guilherme Diégoli, amigo e conterrâneo, que trabalhava na construção de vagões em Paranaguá. Os dois tinham um sonho: criar um time de futebol em Brusque.

Quando Olinger e Diégoli voltaram para casa, os dois com uma bola e uma bomba, reuniram os amigos e realizaram as primeiras “peladas” usando as ruas, praças e terrenos baldios. Os amigos da cidade foram pegando jeito e no dia 7 de setembro de 1913, na Semana da Independência, Olinger, Diégoli fizeram a primeira exibição de um jogo de futebol aos habitantes da cidade. Foi um sucesso. Uma semana depois, num domingo, 14 de setembro, reunidos na casa de Guilherme Luiz Krieger, fundaram o Sport Club Brusquense. Elegendo como presidente foi Guilherme Fernandes; Arthur Olinger como 2o secretário e Guilherme e Diégoli o procurador do clube.  

Os habitantes da cidade, a princípio, não gostaram muito porque esta nova sociedade assumia, como língua oficial, o português. Só para teu conhecimento o primeiro time do Sport Club Brusquense tinha estes nomes de sobrenomes: Alexandre A. Gevaerd: João Airoso e Paulo Renaux (capitão); Bruno Waechter, Oswaldo Olinger e Max Krieger; Arthur Olinger,Max Ortlepp, Osman Torres, Paulo Pfeilscker e Willy Risch.

A partir de 1944, por decreto de lei federal, clubes e associações esportivas não poderiam possuir denominações relacionadas a países, estados, municípios e regiões em decorrência da Segunda Guerra Mundial. Em 19 de março de 1944, o Sport Club Brusquense passou a ser denominado Clube Atlético Carlos Renaux, em homenagem ao empresário do ramo têxtil, Carlos Cid Renaux e benemérito do clube[ii].

4 – O Dinheiro do Futebol

A “burbuja” – a “Bolha Econômica” do futebol supera a casa dos R$ 100 bilhões e gera muito mais riquezas do que o PIB de 95 países. Quanto você gasta com o esporte entre entradas, camisas, assinatura de TV, alimentação, bebidas? Multiplique pela população do Brasil: 200 milhões de pessoas. E depois pergunte: com quem fica este dinheiro e quem fiscaliza?

5 - Sem fins lucrativos

O dinheiro no mundo. Você que gosta de assistir aos jogos de futebol pela TV, sabe os nomes dos clubes classificados para a “Final Oito”, da Champions, que será disputada em Lisboa, Portugal a partir de terça-feira à tarde. Pela ordem:

A “Uefa Champions League” é a melhor competição continental de clubes. As 32 equipes que participam da competição repartem 2 bilhões e 40 mil euros e no ano passado a UEFA mudou o critério de distribuição: cada equipe recebe fixo 15,25 milhões de euros[iii]; pela colocação dividem outros 30%; há ainda 15% pelo que eles chamam de “market pool” e os 30% restantes os clubes recebem pelos resultados e títulos conquistados nos últimos 10 anos. A vitoria na primeira fase rende a cada clube 2,7 milhões de euros, por empate 900 mil. Classificando-se para as oitavas de final recebe mais 9,5 milhões; ao chegar as quartas de final 10,5 milhões; nas semifinais 12 milhões e o campeão somara no caixa mais 4 milhões.

6 - O “market-pool”

É um sistema de distribuição, das riquezas geradas pelo futebol, que destina a cada país uma quantidade de dinheiro em função do seu valor de mercado de televisão. Uns 50% dividem pelo número de partidas disputadas na Champions, e os outros 50% dependendo da classificação de cada equipe na liga doméstica.

7 - A Evolução Financeira  

Nos últimos cinco anos ocorreu um aumento de 53% nos prêmios. O Real Madrid recebeu 57,4 milhões uma quantidade menor do que recebeu o Liverpool no ano passado, que foi de 88,6 milhões de euros. Como havia vencido a Liga Europa, na temporada anterior, levou um total de 111 milhões de euros.

8 - Sem fins lucrativos

Gabriel Magalhães, zagueiro do Lille e que já foi convocado para a seleção olímpica, é a bola da vez no mercado europeu. A novidade desta semana é à entrada do Arsenal do negócio. O Lille demonstrou interesse em fazer negócio no valor de 20 milhões de euros.

9 – Balanço Fiscal do Avaí

No jornal Notícias do Dia, na página 18, da última quarta-feira, você pode ver e ler o balanço financeiro do Avaí do período fiscal de 2019. Notei que os sócios deixam no clube uma quantia anual de R$ 6.178,00, só. Que a folha de pagamento dos jogadores é torno de R$ 16 milhões. Que há dívidas trabalhistas, com fornecedores e custas de manutenção, que para jogar o estadual o Avaí recebeu 500 mil reais e o Brasileiro, do ano passado, 49 milhões. Quer mais detalhes baixe a página do ND+.

10 - Empréstimos de Terceiros

O que são pagamentos para terceiros? Empréstimos e quem é o empresário que paga os salários do Ralf. A troco de que? Como é que se contabilizam estes pagamentos? Como se controla e de onde vem este dinheiro? A origem. Esta pergunta sem resposta ocorre em todos os clubes de futebol. Por exemplo o Guga, que está no Atlético Mineiro, foi vendido, mas os direitos econômicos foram divididos assim: 75% do Atlético, 25% do Avaí. A oferta do Spartak é de R$ 21 milhões.


Bruno Cantini/Atlético-MG

 

11 – Flamengo na moda

Gosto do jogo ofensivo. Prefiro ganhar por 4 a 3 e não por 1 a 0.  Perdeu por 1 a 0 para o Atlético Mineiro no Maracanã. Mas Domo diz: “Que é importante que o torcedor seja feliz no estádio. É impossível estar no Flamengo e não ser ganhador. Levamos isso na alma, no sangue. Se você pode jogar com dois toques, não jogue com três. Se pode com três, não jogue com quatro. Tente dar velocidade ao jogo para ser ofensivo. Passar a bola e atacar mais rápido. É o que se faz na Europa”, é o que pensa Domo, novo treinador do Flamengo.

12 – As Críticas

Nenhum time é rebaixado, sobe de divisão ou ganha o título, em agosto, nas primeiras rodadas dos campeonatos brasileiros da Série A e B. Mas os torcedores, que sabem tudo, no primeiro jogo já escolhem um ídolo Gaston Rodrigues, há um ano no Avaí e crucificam o técnico Marcio Coelho como se soubessem o que irá acontecer amanhã, quando o Figueirense joga no Scarpelli contra o Vitória e o Avaí enfrentar o Paraná em Curitiba. A Chapecoense empatou e o Brusque venceu. Estes torcedores leem O Globo que na sexta-feira tirou a graça dos campeonatos apontando quem será o campeão e os clubes que serão rebaixados. A vida para eles não tem graça.

13 – Seleção Estadual da Mapa

Não tem nenhum de Avaí e Figueirense. Ô gente ruim!

 

Fim

 

[i] WOSGRAU, Clayton – As Origens do Futebol Catarinense, 1996. TCC, Curso de Jornalismo da UFSC.

[ii] KOCHEloy Dorvalino e HEILAntônio - Clube Atlético Carlos Renaux - o Vovô do Futebol Catarinense. Edição Brusque-SC- 02/08/2010 https://issuu.com/p1design/docs/brusque_150_anos/51

[iii] A cota fixa é de 15,25 milhões de euros para cada equipe que participa da primeira fase de grupos. Fonte UEFA.

Tags:
futebol nossa jogada paulo brito
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Artigos Relacionados

Exclusivo

Nossa Jogada

Janeiro 14, 2021
Exclusivo

Nossa Jogada

Janeiro 11, 2021

Nossa Jogada

Janeiro 07, 2021
Exclusivo

Nossa Jogada

Janeiro 04, 2021

Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!