Março 01, 2021

Nossa Jogada

Nossa Jogada
Imagem: Fernando Alves/AGIF

1 - O espelho

O mar é um espelho para cada homem encontrar a si mesmo. E um evento pode ter várias interpretações. Há os que tentam inverter a realidade quando se acreditam vítimas. Contrariando a versão você passa a ser do contra. Eles consideram que se não concordar você é um contrário. Tenho uma opinião, como você tem uma camisa! Serve a metáfora? Pois o futebol se expressa pelo pé, dizia Jorge Valdano. Longe do centro de decisão, porque quase tudo passa pela cabeça: caráter, inteligência, astucia, ambição e coragem... Atributos que um grande jogador tem escondido em uma caixa no cérebro. Os torcedores contam com a percepção; sugestão; ilusão; decepção e todo o “território” emocional que mobiliza o futebol. Serve a segunda metáfora? Pois, jogadores e torcedores querem o mesmo, mas há instantes que se consideram inimigos. A torcida crê, o jogador produz e sofre depois. Não há na opinião pública sequer uma ideia que se aproxime da tormenta mental que produzem as expectativas.

2 – Árbitros

Não canso de dizer que a culpa é sempre do árbitro. Cada um interpreta os eventos a sua maneira. Se não for a dele, você é um do contra. Pois, falando de culpa e do árbitro, está de volta o clichê de que a FIFA deve profissionalizar os árbitros. Por acaso eles são amadores? Trabalham ou apitam um jogo de graça? Há os que confundem a regulamentação da profissão com o profissionalismo. Amador é o que atua como voluntário. Ter carteira assinada e desconto de FGTS não faz um árbitro melhor.

3 – Fingidos

Jogadores de futebol são uns fingidos. Quando se chocam, caem como se estivessem morrendo. Há uma fronteira entre a enganação e a picardia. Quando lhe tocam na face, caem, rolam e gritam como se o adversário tivesse usado um martelo. Outros provocam o contato, sabendo que as imagens em “câmara lenta” no VAR serão mais dramáticas. Mas sabem que os árbitros da FIFA e na Liga dos Champions não se deixam enganar. Mas os que usam um distintivo da CBF ou de uma federação são mais fáceis de confundirem. Nunca vi nenhum jogador que enganou o árbitro pedir perdão ao adversário e aos torcedores. Sai de campo rindo, faltando com respeito. Os torcedores querem que a equipe ganhe de qualquer maneira, para eles não existem regras ou fair play.

4 – O filme Pelé

Os adeptos do pós-modernismo aproveitaram a produção do filme Pelé para colocar suas ideias, como sempre, na imagem do outro e com isso criticar o tempo da ditadura, como se todos fossem contra. Havia os que gostavam. Os pós-modernos sempre acham que todos devem pensar iguais. Neste filme, Jorge Valdano escreveu no jornal El Pais a respeito de Pelé é de se guardar. O documentário da Netflix fixa o foco no Mundial do México 70 e para Valdano, sem a presença da Argentina, ele, aos 14 anos, torceu pelos brasileiros. Em 1970, a TV entrou na sua casa, onde assistiu um “Deus” jogar. Ele assistia aqueles jogos com emoção, em prantos, os movimentos de uma equipe que fazia do futebol uma obra de arte. O filme revela que Pelé, e seus companheiros, criaram enormes expectativas em milhões de pessoas. O momento sublime de Valdano é quando o “Deus” conta que quando chegou ao estádio, chorava, e em prantos revela a frase de sua vida: “A melhor da vitória não é o troféu, é o alívio”. E Valdano confidência que chorou junto.

5 – Vitória

O Figueirense venceu por 3 a 0 ao Concórdia. Agradou aos cronistas que estavam no estádio. O Avaí deveria jogar em Chapecó, mas a situação sanitária não permitiu. O campeonato deverá parar. A volta do torcedor aos estádios vai demorar, apesar dos dirigentes sugerirem as autoridades da saúde a presença de 20% dos torcedores dependendo da capacidade de cada estádio. Neste domingo, 28, o Juventus derrotou ao Criciúma por 2 a 0; Prospera o Hercílio Luz por 3 a 2 e nesta segunda-feira o Brusque é o líder, porque além do adiamento de Chapecoense x Avaí, a FCF adiou também Joinville e Marcilio Dias.

6 – Antigamente

Sou de um tempo em que a dupla Grenal (Grêmio e Internacional) quando decidia um título em casa, nos seus estádios, ganhava. Agora perde. O Inter parou no Corinthians, precisando de um gol para ser campeão brasileiro e o Grêmio começou as finais da Copa do Brasil 2020, perdendo para o Palmeiras (0 a 1). Domingo tem mais em São Paulo, na Arena, se a pandemia não atrapalhar os jogos de futebol.  

7 - Hollywood

Christian Panucci, lateral do Real Madrid, da Seleção Italiana e do Roma disse que: "O Madrid é o Hollywood do futebol, lá o chutão está proibido".

8 – O Carioca

Se a gente for comparar o que ganha um time do Rio e de São Paulo irá descobrir que se trata de um jogo desigual jogar com 11 conta 10, sempre. O Vasco, Cruzeiro e Botafogo para disputarem a Série B, irão receber mais do que 30 milhões e os demais entre 3 a 6 milhões.

9 – Pó-de-arroz

Você sabe por que o Fluminense, que está anunciando Roger Machado como treinador, tem o apelido de “pó-de-arroz”? O Fluminense nega a origem do apelido que surgiu em 1914, quando Carlos Alberto, mulato, trocou o América pelo Flu. Os torcedores do América provocaram o jogador gritando pó-de-arroz, em referência a pó que ele usava após fazer a barba. E o apelido ficou e a fama também.  

10 – As regras

Todos tentam tirar da Inglaterra o direito de ser o criador do futebol que se joga hoje, como se chutar uma bola ou a cabeça de um adversário fosse futebol. As regras, com o número de jogadores, árbitros, dimensões do campo, goleiras medidas, regras centenárias devemos aos ingleses. A International Football Association Board (IFAB) formada por membros das ligas da Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda do Norte, parte do antigo Império Britânico e de acordo com mesmo número representantes da FIFA, decidem. A história aqui.

11 – Reforma

A “TV do Avaí” gera imagens através do Youtube e nesta semana mostrou imagens da reforma que está sendo realizada no CT João Nilson Zunino. No vídeo, o apresentador e o engenheiro Odilon Furtado enfatizam que não há dinheiro público aplicado na obra. O dinheiro vem do Mecanismo de Solidariedade, que recebeu na negociação dos jogadores Raphinha (Leeds) e Rafael (Arsenal). A FIFA exige, que parte deste recurso, seja aplicado nas estruturas de base do clube, queira ou não os torcedores.

FIM.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

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