Maio 03, 2021

Nossa Jogada

Nossa Jogada
Foto Frederico Tadeu/Avaí FC

1 - Estadual 21

O Avaí empatou com o Brusque na Ressacada. Não tomou gol, mas também não fez. Domingo que vem tem o jogo de volta em Brusque. Só a vitória interessa. O empate em 0 classifica o adversário. Mas a final dependerá do TJD, pois o Hercílio Luz usou um jogador irregular. Por causa disso a Chapecoense terá que esperar para enfrentar o Marcilio Dias. O Figueirense é um interessado nesta reviravolta jurídica, podendo ter uma segunda chance, voltando ao campeonato para disputar com a Chapecoense o direito de jogar contra o Marcilio Dias, uma vaga na final contra um destes dois: Avaí ou Brusque. Só assim saberemos que será o campeão do 2021.

2 -Arbitragem e tapetão

Troquei ideia, através de mensagens, com o vice-presidente da FCF, Marco Antônio Martins. Como ele foi árbitro de futebol contestei que o árbitro Ramon Abate Abel não sabia que quando a bola está em cima da linha, ela continua em jogo, não saiu, não entrou no gol. No jogo entre Avaí x Brusque, em dois escanteios, vi pela TV que a bola estava em cima da linha e ele obrigou aos jogadores a colocá-la dentro do quarto de círculo. Então perguntei como um árbitro, que apita um jogo da semifinal do Estadual, não sabe que quando a bola está em cima de linha, não há nada irregular? Marco me respondeu: “Ele sabe. Estas de brincadeira?”. Não. Respondi: eu vi na TV. Não vou inventar. Aconteceu no primeiro tempo depois de uma jogada que o Betão concedeu um escanteio. Na hora da cobrança, o Ramon Abate Abel[i] foi olhar, a bola estava em cima da risca, e ele ordenou que o jogador do Brusque a colocasse dentro. No segundo tempo, o escanteio no mesmo lugar, foi a favor do Avaí, e o Abate repetiu a ordem. Porque iria inventar que ele não sabe que as linhas fazem parte do terreno de jogo?

3 - Dívidas

Na coluna Nossa Jogada, da semana passada, descrevi que o balanço da atual diretoria do Avaí, relativo ao ano de 2020, foi rejeitado pelo Conselho Deliberativo. Um balanço que apresentou um superávit de R$ 1,3 mil a favor do clube. Na alegação para rejeitar o documento, disseram que faltava pagar alguns encargos e que o presidente Francisco Battistotti está gastando mais do que pode receber em 2021. O julgamento e a aprovação dos números são sobre a administração deste ano ou do balanço do ano passado que deu lucro? Não entendi?

4 - Segunda chance

É o que o Figueirense terá depois que o TJD, presidido dr. Rodrigo Titericks, julgar o processo em que o Hercílio Luz está citado, por ter usado um jogador irregular na primeira fase do Estadual. O que levará a Chapecoense a enfrentar o Figueirense, para saber quem fará o jogo contra o Marcilio Dias. Lembrei que em 1994, o Figueira, treinado por Lula Pereira, lançou mão de juvenis para decidir o estadual contra o Criciúma. Poucos acreditavam que Lula poderia remontar o time, não só remontou como conquistou o título de campeão estadual de 1994.

5 - Cemitério

Não tem nada a ver com o Covid-19, mas sim com os comentários e atitudes de torcedores, a declaração do lateral Daniel Alves, do São Paulo, afirmar que: “O Brasil é um cemitério de treinador e jogadores de futebol. Se alguém propor alguma coisa nova que vai contra o sistema, todos são contra para manter tudo igual”.

6 – Mais uma

Para que 33 jogadores? Leio que Gerson, machucado, é uma preocupação do Flamengo para um jogo válido pela Libertadores. Como preocupação, se o Flamengo tem três reservas para cada posição? Um entendido em futebol responderia: “Mas reserva não é a mesma coisa que titular”. Ora, então para que serve o terceiro reserva se o primeiro não serve?

7 – Tênis

Não foi o Guga que me levou a gostar de assistir jogos de tênis. Um dia, pelos anos 60 do século passado, não lembro quem, alguém me levou ao Lira Tênis Clubes para assistir um Campeonato Brasileiro Juvenil de tênis. Paulo Ferreira Lima, Ana Maria, Rose e Humberto Becker eram os jogadores que defendiam a bandeira de Santa Catarina. Paulo e Ana Maria foram destaques no tênis em SC durante os anos de 58 a 60, até que a medicina e o magistério os tiraram do esporte. O doutor Paulo Ferreira Lima, campeão brasileiro juvenil de tênis, filho do professor David Ferreira Lima, fundador da UFSC, morreu e fiquei com esta lembrança.  

8 - Medalha de Prata

A primeira do voleibol brasileiro foi conquistada nas Olimpíada de Los Angeles, em 1984, quando a equipe de vôlei masculina representando o Brasil chegou em segundo lugar e conquistou, pela primeira vez, uma medalha de prata. Entre os titulares estava Renan Dalzotto. A partir daí o vôlei masculino brasileiro conquistou o mundo e espaço na televisão. Renan Dalzotto, mora na Ilha, e é o treinador da seleção. Ele está internado em um hospital contaminado com a COVID-19. Entubado luta com o seu espírito de combatividade para superar e vencer esta doença, assim como Branco, lateral esquerdo, campeão do mundo em 1994, superou.

9 - Motim

A polícia de Manchester, na Inglaterra, teve que controlar a fúria de 200 hooligans que invadiram o estádio do Manchester United, antes do jogo contra o Liverpool. No gramado, protestaram contra a decisão do proprietário ter participado do projeto de criação da Superliga. Quem deveria protestar seriam os torcedores dos outros 14 clubes, que não estavam na lista dos superclubes. Pois, lembrei do livro e do filme “Fogueira das Vaidades”, de Tom Wolfe, que descreve que os protestos da esquerda, sobre qualquer assunto, em New York, só prosperavam quando a televisão estava presente. Se os repórteres não viessem, os manifestantes suspendiam o protesto. Os hooligans sabiam que, em dia de um jogo decisivo entre Manchester United x Liperpool, a mídia estaria presente.  O dono, segundo os torcedores, já não serve mais. Querem que se cumpra a lei dos 50 mais 1, que consiste em que os clubes de futebol devam destinar 51% das ações ou do valor aos torcedores. Querem que o dono do Manchester United venda o clube. Ele disse que sim, que os torcedores e hooligans comprem.

O jogo foi adiado por causa dos atos de vandalismo, o Manchester City – outro clube da cidade, esperava o resultado, que poderia proclamar o time de Guardiola campeão inglês. Agora há que esperar. No meio da semana os dois Manchester = United e City enfrentarão Roma, na Itália, e PSG, na Inglaterra, pela Liga da Europa e Champions.

10 - Hipocrisia

Assisti ontem, o Grande Prêmio de Formula 1, disputado no autódromo do Balneário de Portimão, no Algarve, em Portugal. A corrida prendeu a atenção dos espectadores pela televisão até o final. Novamente Lewis Hamilton venceu. Na transmissão, a TV Bandeirantes roda, antes do início da prova, dois institucionais com viés político de esquerda. No primeiro alguns pilotos se ajoelham, nem todos, como os jogadores de futebol inglês antes do início como gesto contra o racismo e o outro são declarações dos pilotos porque participam da Fórmula 1, porque são pilotos, etc. Lewis Hamilton é quem encerra o institucional dizendo: “A igualdade começa aqui!” Pura hipocrisia. Igualdade? No uniforme; no carro; nos pneus; nos mecânicos, em um evento de competição dá para ver quem é diferente, quem é melhor, que ganha mais, marcando uma competição pela desigualdade entre os carros e pilotos. Que hipocrisia afirmar que: “A igualdade começa aqui!”.


11 - Zidane

Zinedine Zidane, treinador do Real Madrid, que joga quarta-feira contra o Chelsea em Londres, pela semifinal da Champions, precisa vencer, disse uma frase que marcou, ao saber que o zagueiro Varani seria dúvida porque saiu machucado do jogo de sábado. Com mais um ausente, mais um problema para resolver o treinador francês saiu com essa: “Nesta temporada foram tantos problemas que aprendi que sempre há uma solução”. A solução tem nome: Militão, destaque nos últimos jogos do Real nas duas áreas: defendendo e atacando. Militão me fez lembrar de Luiz Pereira.

Fim.



[i] Arbitro é arbitrário por definição. Este é o abominável verdugo que exerce sua ditadura sem oposição e o verdugo afetado que exerce seu poder absoluto com gestos de opera. ​

Apito na boca, o arbitro sopra os ventos da fatalidade do destino e confirma ou anula gols. Cartão na mão: levanta as cores da condenação: amarelo, que castiga o pecador e o obriga ao arrependimento, ou o vermelho, que o manda para o exílio.

Os bandeirinhas, que ajudam, mas não mandam, olham de fora. Só o arbitro entra em campo; e com toda a razão se benze ao entrar, assim que surge diante da multidão que ruge. Seu trabalho consiste em se fazer odiar.

Uma unanimidade do futebol: todos o odeiam. É vaiado sempre, jamais aplaudido... Às vezes, raras vezes, alguma decisão do árbitro coincide com a vontade do torcedor, mas nem assim consegue provar sua inocência. Os derrotados perdem por causa dele e os vitoriosos ganham apesar dele.

Álibi de todos os erros, explicações para todas as desgraças, as torcidas teriam que inventá-lo se ele não existisse. Quando mais o odeiam, mas precisam dele.

Texto de Eduardo Galeano, no livro – Futebol, Ao sol e á Sombra.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

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