Abril 05, 2021

Nossa Jogada

Nossa Jogada
De pé: Dião, treinador; Celso Ramos Filho, presidente - Hélio, Adilson, Edinho, Hilário, Édson e Walmor. Agachados: Nazareno, Galego, Oto, Roberto Alves e Mirinho.

1 - A foto e a História

Este é o time de juvenis do Avaí F. C. de 1957. O clube foi fundado em 1923. Antes, em 1916, nasceu o primeiro filho do Casal Alberto Feliciano Alves e Maria Regina Seara Alves que passou a se chamar Iavá Alves. O nome do pai do Roberto Alves. Algumas pessoas se apegam a esta coincidência e rotulam o “Beto” de avaiano e também por causa desta foto.  Roberto Alves nasceu em 1941 e cresceu jogando futebol no Campo do Manejo junto com Batista Tonolli, Murilo Capela, Itamar, Zezinho, Beto Manteiga, Gastão, Charuto e Tico Gordo. E tinha um sonho:

- Eu sonhava, eu sonhava! Em ser jogador de futebol profissional.

Enquanto sonhava, jogava futebol no “Campo do Manejo”, um pasto cheio de rosetas onde sempre havia alguns cavalos pastando. Havia duas traves e uma marcação feita a facão. Para Roberto Alves era o céu e o salão de baile. Aos 16 anos, em 1957, morando em um beco, na Rua Uruguai, foi treinar no juvenis do Avaí e saiu aprovado. Se sentia um rei jogando no gramado do Estádio Adolfo Konder, e quando isto ocorria, sempre havia uma senhora que o aplaudia, gritava o seu nome. Um dia descobriu que era a companheira do treinador Dião e mais tarde, sua mãe.

2 – A rádio

Quando crescia, alimentava outro sonho: trabalhar numa rádio. Seu vizinho Onélio Rodolfo de Souza era sonoplasta na Rádio Guarujá e todos os dias quando saia para trabalhar, Roberto o tocaiava. Acompanhava o amigo até o jardim da Avenida e insistia que concordasse em levá-lo para aprender a trabalhar em rádio. Naquele mesmo ano, em 1957, o rádio ganhou do futebol. A bola, um desejo de menino, foi substituída pelo microfone. O rádio, televisão, jornal e a cidade ganharam um craque para ouvir, ver e ler.  

3 – Estadual

O Avaí venceu por 1 a 0 o Metropolitano, em Ibirama, com ajuda do goleiro. E o Figueirense fez um, tomou dois gols e no final empatou. Faltam três jogos para terminar a primeira fase do Estadual 21. Quem anda patinando é o Criciúma que empatou com o Marcílio Dias em um gol e continua na última colocação. O outro time da cidade, o Prospera, empatou com o Juventus em zero; a Chapecoense venceu por 3 a 0 o Joinville e fechando a rodada, o Hercílio Luz não saiu do 0 a 0 com o Concórdia.

4 – Árbitro

O nome dele é Yuri Eleno Ferreira da Cruz que apitou o jogo Vasco 4 x 2 Bangu. Deu um pênalti com a bola batendo no peito e acima do bolsinho do jogador do Bangu, não viu impedimento no segundo gol, esquecendo que é necessário ter dois adversários antes da linha do gol, afinal era Vasco x Bangu. Sorte do Marcelo Cabo, treinador vascaíno.

5 - Carlo Ancelotti

O Campeonato Carioca não tem VAR. Aproveito para informar que no Brasileiro haverá uma central de VAR, na sede da CBF, como ocorre na NBA. O ex-presidente Joseph Blater da FIFA dizia que o uso de tecnologia seria injusto, pois nem todos os torneios podem dispor do VAR. Carlo Ancelotti, treinador do Everton, de Londres, diz que: “O VAR está para ajudar o árbitro e não o contrário. O impedimento é decidido pela tecnologia, ponto final. Outros lances é o árbitro que deve ir à tela e decidir...". 

6 – Piqué zagueiro

Do Barcelona e da Seleção Espanhola sobre vitória e derrota: “Há que ser um senhor na vitória e na derrota”!

7 – Abel Braga

Emendando. O ex-treinador do Internacional ainda não aceitou a perda do título para o Palmeiras. Não se comporta como um senhor. Jogou a última partida precisando de um gol, teve um pênalti a favor, desperdiçou. Ainda hoje lamenta. Ele e o Internacional tiveram uma segunda chance e não souberam aproveitar. Por falar no Colorado, o time voltou a perder para o Grêmio, neste domingo, pelo Campeonato Gaúcho.

8 – Centenário

Está na hora dos historiadores e torcedores darem conta de que o nome “Figueirense” é uma homenagem ao Bairro da Figueira e não a uma árvore. Assim como a homenagem a Agronômica, Vila Nova, na Trindade, ou como: Botafogo, Flamengo, Madureira, São Cristovão, Boca Junior... O Bairro da Figueira, na Ilha, está localizado junto às antigas docas, ao longo da Rua Francisco Tolentino. No final da rua Conselheiro Mafra, próximo ao terreno do sogro do Amarelo, junto as docas do Porto, havia uma Figueira, daí o nome do Bairro Figueira.

9 - Apoio e gratidão

Nos três jogos da decisão do Campeonato Estadual de 1975, quem deveria brilhar era Toninho, que saíra do Avaí para o Figueirense. Mas quem brilhou foram as torcidas e Juti, na época defendendo o Avaí. Nestes três jogos se registrou recordes de rendas em Santa Catarina. Este povo, que não esquece aqueles jogos, que depositem 20 reais na conta do Juti, que resolveria em parte seus problemas.

10 – O recorde do artilheiro

No livro “Os Segredos do Bruxo”, do Lauro Burigo, há um texto sobre esta decisão de 1975. Nele presto uma homenagem ao Juti. No último parágrafo da página 228 está escrito que: “O artilheiro do campeonato era Juti, com 26 gols. No seu melhor momento, depois de passar, sem sucesso, pelo Figueirense e pelo próprio Avaí. Ele marcou dois gols nestes três jogos e terminou o campeonato com 28 gols”. Juti saiu de Novo Hamburgo, em 1974, para jogar no Figueirense, como ponta esquerda; em 75 brilhou no Avaí como centro-avante. No ano seguinte foi defender o Guarani de Campinas e no retorno à Ilha voltou para defender o Figueirense.

11 - Arbitragens, a arte de desagradar

Não é a FIFA que muda as regras do futebol. A IAB (International Board), formada pelos presidentes das “confederações” da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda e com quatro membros indicados da FIFA é que muda. As sugestões acatadas são colocadas em testes em um campeonato de uma das federações filiadas, ou nas categorias de base e depois avaliadas. É assim que as regras do jogo de futebol estão sendo aprimoradas ao longo destes quase 200 anos. No início havia duas regras: só era permitido chutar a bola e um jogador não poderia se aproveitar de uma posição, chamada de off side. O futebol era tratado como um jogo de cavalheiros.

Fim.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

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