Fevereiro 08, 2021

Nossa Jogada

Nossa Jogada
Foto: GettyImages

1 -  Metáfora

"Sempre que se vê uma foto de alpinistas no alto de uma montanha observe que eles estão sorrindo, em êxtase, triunfantes. Mas ninguém tira fotos durante o trajeto. Pois quem quer se lembrar do resto? Nós forçamos nosso limite porque somos obrigados. Não porque gostamos. A escalada impraticável, a dor e a agonia de passar para o próximo nível. Disso ninguém tira fotos. Ninguém quer se lembrar. Só queremos lembrar a vista lá de cima. O momento estonteante no limite do mundo. É isso que os faz seguir escalando. E vale por toda a dor. Vale por tudo". Tony Phelen & Joan Rater.

Mas os torcedores de futebol se preocupam muito mais com o que ocorre antes, sem esperar o final. A cada três meses pedem a mudança do treinador, presumindo o futuro, a paisagem, preocupando-se com a dor e as dúvidas de passar...


2 – Zique, o goleador

Meu primo Zique, o advogado. Atendia pelo nome de João Leonel Machado Pereira. Adorava jogar futebol. E por isso construiu uma quadra de “futebol sete” em Cachoeira do Bom Jesus. Anotava em uma caderneta os gols que fazia nos jogos em que participava. A quarta-feira tinha o hábito de comer banana recheada. Nestes dias era quando ele, orgulhoso, me mostrava as anotações dos gols que fizera naquela semana. Passava dos 800 e se gabava. Era um fato. Assim como é um fato, que em jogos oficiais, o Cristiano Ronaldo tem mais gols anotados do que Pelé, que em 1363 jogos, incluindo amistosos, marcou 1380 gols. Ontem Cristiano marcou mais um gol. Some!

3 – Palpiteiros

O que mais tem na crônica esportiva é palpiteiro. Esperem a turma de São Paulo e Rio falarem sobre a Série B deste ano de 2021. Não tem mais vaga para subir. Não adianta o Totti gastar dinheiro, nem o Brusque formar um bom time. Eles irão vaticinar que Cruzeiro, Botafogo, Coritiba, Bahia ou Vasco da Gama serão donos das quatro vagas. O resto não existe.

4 – Orgulho

Criciúma, Joinville e Figueirense dominaram os Campeonatos Catarinenses durante os anos 80, 90 até 2010. Não dominam mais. Pela ótica do torcedor agora é a vez de Chapecoense e Brusque, com o Avaí “correndo por fora”. Há registro de lamentações de que jogadores preferem defender o Brusque do que o Figueirense. Puro orgulho!


5 – Gastando

O Atlético Mineiro está gastando igual ao Cruzeiro no passado. De onde vem este dinheiro? A CBF e a Receita Federal deveriam perguntar. Ah, lembrei de perguntar ao Totti se o Atlético Mineiro já pagou a parcela que deve ao Avaí, por ter liberado o Guga. Será que não é o AMG e sim um “empresário; investidor; mecenas” que pagou a transferência do jogador para o clube mineiro com a finalidade de valorizar a “mercadoria”, e só pagará quando ocorrer outra transferência para um outro clube?


6 – Como?

Me senti como nos anos 70, período de censura, quando tentei explicar que o Britinho, irmão do Mario, não era o Britinho do Palmeiras. Havia alguém confundindo os dois. E foi quando me lembrei do narrador Haroldo Santos, que ao se referir a um jogador do Santos, no jogo contra o Grêmio, pergunto: “Quem é o negrinho do Santos lá na direita”? Logo, o Santos do “Negrão”; da Pérola Negra; da Camisa 10; o Negrinho Gasolina, o primeiro apelido do Pelé no Santos. Ele conta que nunca se sentiu vítima. Pois fiquei receoso de explicar qual era o Britinho do Palmeiras confundido com o Britinho do Figueirense e Joinville. Será que alguém vai ficar ofendido se usar esta frase: “O Britinho da foto é loiro, nasceu em Brusque e o outro Britinho nasceu no Morro da Caixa”. O que faz a censura. O Haroldo teve que pedir desculpas...

7 – Clubes Estado

Quando o governo ou irmão de um rei do Catar ou do Emirado Árabes adquire um clube de futebol no exterior, como Manchester City, PSG ou ouro qualquer, a turma chama de Clube Estado, sustentando pelo Estado e não pelos sócios ou aficionados. No Oriente Médio o Estado é o Rei, que divide com a Divina Providência as mensagens deixadas no livro o Alcorão pelo Maomé.

8 – Lojas de Turcos

Que os sírios libaneses me perdoem se estou sendo racista os chamando de “turcos”. É o que parece as camisas dos jogadores de futebol dos clubes brasileiros: uma vitrine de loja de turco, mostra tudo que vende e não mostra nada. Um dia os dirigentes irão entender como se valoriza a marca de um clube de futebol, para que serve a publicidade e quanto custa o tempo que aparece na televisão, motivo para a exibição de marcas em grandes clubes de grandes audiências, e porque na Europa se vende mais camisetas do que no Brasil de 200 milhões de habitantes. Como são burros.


9 – Por que Tampa?

Eles não apostavam que o time local, apelidado de pirata em inglês: Buccaneers fosse chegar à final do Super Bowl e escolheram a cidade como sede. Tampa foi sede de um dos maiores encontros do futebol americano em sua história. Se você não sabe, o futebol era jogado com os pés e mãos no início, antes de ser organizado, como é contado na serie The English Game, na NETFLIX. O mundo todo assistiu. Imagine se cada uma das pessoas que estiveram na frente da TV pagasse um dólar. Imagine quanto iria render em dinheiro.

O mundo todo vê em todas as TVs que faturam com comerciais. É pouco pelo que ele atrai. O Pelé cobrava por jogo e amistosos. Se não fosse, pagavam menos.

10 – Comparações

Compare Tom Brady com o Gabigol. O primeiro é de uma humildade que cativa, o outro é de uma arrogância que gera antipatia. Brady, sete vezes campeão, me fez lembrar de Pelé como se comportava antes, durante e depois de uma final. Gabigol se acha a cocada preta do balaio. Se rebela como uma criança mimada ao ser substituído, como se ele um dia, no passado não tenha substituído um outro. Messi aceita, Cristiano Ronaldo aceita. Falta de cultura e educação.

Ontem, Rogerio Ceni demonstrou fraqueza ao substituir Gerson para colocar Pedro no jogo contra o Red Bull, empate em um gol. Em Tampa, na Florida, USA, Brady festejou a conquista do título com os outros jogadores e esperou a família: Gisele com os três filhos. A menina foi a que vibrou mais.

Fui dormir lembrando que a vinda dos canais de televisão: ESPN e Fox Sports não vieram para o Brasil só para transmitir futebol. Chegaram trazendo outra cultura: basebol, NBA, golfe e o futebol americano. O esporte que gera riqueza e empregos diretos e indiretos. Entretenimento na TV paga pelos assinantes e pela publicidade. Eles começam a cultivar o esporte na escola, coisa que nós não damos muita importância. Somos amadores, não sabemos o que fazer e ainda achamos que se trata de uma atividade de malandros. Uma das maiores organizações norte-americanas são as ligas, as associações esportivas, inclusive as universidades. E nós agimos como um "gabigol". A prova foi achar que o Palmeiras seria campeão do mundo por ser um time ou clube brasileiro, como os jogadores do Kansas City Chiefs e Mahómes pensavam.

11 – A dúvida

Faça um exercício de imaginação e coloque o Cristiano Ronaldo jogando pelo Próspera e o Messi pelo Hercílio Luz disputando o campeonato Estadual de Santa Catarina. Quem você acredita que levaria o time ao título de campeão? O que joga bem ou o que marca gols? Detalhes aqui.

FIM.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

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