Abril 08, 2021

Nossa Jogada

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1 – Proprietários de clubes

Sou a favor. Li ou escutei uma análise sobre a realização, na Ilha, do seminário: “O Marco Regulatório do Clube Empresa”, promovido pela OBA/SC. Evento tem a liderança do advogado Tullo Cavallazzi. Parto de uma premissa de que: “o investidor traz recurso, mas ele quer ser o dono”. Se não quisesse, seria um imbecil. Ninguém coloca dinheiro em clubes de futebol, a não ser por alguma razão escusa, para que dirigentes do futebol administrem como a maioria faz como perdulários gastam e aumentam as dívidas herdadas e as deixam para o substituto. Na Ilha, o senador Carlos Portinho é relator do projeto de uma lei híbrida, que permitirá os clubes se transformarem em empresa ou não. Neste encontro estará debatendo com o senador o advogado português Nuno Santos Rocha, um dos criadores da lei das S.As., em Portugal. Este evento é público, serve para escutar, coletar, debater os desejos e anseios dos dirigentes. O projeto de lei não obrigará, se aprovado, as Associações Civis de futebol a se tornarem empresas. Em minha opinião os dirigentes querem aproveitar este projeto para se beneficiarem com uma anistia das dívidas com o Estado.

2 - Economia

Desde a aplicação da Lei Bosman, os jogadores que chegam à Europa defendem clubes que são propriedades de milionários locais e remotos. O futebol como parte da indústria do entretenimento seguiu um caminho inevitável: o da economia. Assim, perdeu a força representativa para sobreviver aos novos tempos. Clubes de futebol e sociais são produtos da história das comunidades ou de famílias, ao longo do século passado. Hoje, na Europa, há os que sobrevivem graças a estas comunidades como Real e Barcelona, enquanto que muitas deles sobrevivem como grandes corporações de um ou grupo de proprietários, como os clubes ingleses. O êxito comunitário do Real Madrid e Barcelona transcende as suas fronteiras, causando admiração, nutrindo-se de sua identidade com sua energia competitiva.

3 - O Figueira

Antes de este projeto ser aprovado, o Figueirense FC é administrado por uma empresa, que se sustenta na lei antiga. Deu certo com o grupo liderado pelo Paulo Prisco Paraíso, mas foi um desastre nas mãos da Elephante. Mas é bom citar que como uma Associação Civil, sem fins lucrativos, foi um desastre nas mãos de presidentes eleitos por conselheiros e sócios, com interferência de organizadas.

4 - Anistia da dívida

No Brasil, as Associações Civis, clubes de futebol, são propriedade de uma coletividade, e muitas não estão preparadas para essa possibilidade, mas pode repelir a transformação em S.A.. Não há como alguém investir a longo prazo, sem que seja dono do negócio ou tenha poder de interferir no “negócio”. A solução para atender aos atuais associados, seria transformá-los em acionistas. O futebol profissional brasileiro atualmente é financiado pelo imposto, que os dirigentes deixam de pagar, mas que é de todos os brasileiros, inclusive aqueles que não gostam de futebol, enquanto a mídia continuará ganhando dinheiro com a imagem de espetáculo de entretenimento.

5 - Publicidade

Ao longo dos anos, desde a criação da Loteria Esportiva, que a Caixa Econômica Federal se beneficia do futebol e ainda, agora, graças a “Timemania”. A CEF é um banco público que capta dinheiro na praça, oferece produtos bancários, banca jogos como um cassino com apostas pelo país, corre atrás de clientes e se beneficia da publicidade gratuita que o futebol lhe concede. Li que a CEF não vai fazer mais anúncios no futebol, não irá concorrer no mercado. Então, lembro que a grande empresa de refrigerantes Coca Cola não precisa vender mais o que vende, mas investe em publicidade para conservar sua imagem, o que ela faz muito bem.

6 – Totti na Itália

Ele é um rei ou o que multiplica o pão, como Jesus. Este é o título de uma reportagem sobre Francisco Battistotti, presidente do Avaí, em uma reportagem na revista da: Associação Mundial Trentina – Trentini Nei Mundi, como administrador de futebol. Totti é descendente de uma família trentina, que imigrou ao Brasil em 1874, quando seu bisavô Alessandro se estabeleceu em Nova Trento, no vale do rio Tijucas. O avô Francisco saiu de Nova Trento e se estabeleceu em Santo Amaro da Imperatriz, onde nasceu Francisco Battistotti, atual presidente do Avaí.

7 - Recuperação do Covid-19

O Ernani, meu amigo, perdeu o companheiro Fabio na mesma luta contra a pandemia. Esteve “entubado” por mais de um mês, internado em um hospital em frente de um cemitério. Sobreviveu. Hoje faz fisioterapia e usa um andador para reaprender a caminhar. O que isso tem a ver com o futebol? Você costuma escutar ou ler que um atleta do seu clube, que ficou fora por quatro semanas, se submete a um treinamento em ginásio, faz transição no gramado e por último é liberado para treinar com bola, depois de algum tempo. E quando entra em campo, os médicos, fisioterapeutas, fisiologistas e treinadores dizem que não tem condições de aguentar 90 minutos. Entenderam?

8 - Consciência

Por falar nisso, falta consciência e, às vezes, o exemplo vem do futebol e dos jornalistas. Outro dia uma turma entrevistava Vitor, goleiro do Atlético Mineiro, e mostraram as defesas que ele fez de penalidades, sem se darem conta de que Vitor trapaceou, se adiantando, descumprindo a regra do jogo. Um trapaceiro sendo enaltecido, dando mau exemplo às crianças. Não se rouba no jogo. Ninguém admite trapaça num jogo de “caxeta”, no pif-paf, numa canastra ou no dominó. O que você diz quando o parceiro trapaceia, rouba no jogo? No futebol pode? Não!

9 – Estadual


Gustavo autor do gol que deu a vitória do Avaí de 1 a 0 sobre o Joinville

Jogo atrasado em que o Avaí venceu ao Joinville por 1 a 0. Gol de Gustavo – 18 anos, natural de Dobradas (próximo a Araraquara), em São Paulo, que em dezembro saiu do Vasco da Gama, para ser contratado pelo Avaí para defender a equipe de juniores. Nesta noite de quarta-feira, entrou no transcorrer da partida e realizou o sonho de menino: foi titular como jogador de futebol profissional. Marcou o gol da vitória e fez mais do que Valdívia, Rodrigão, Ronaldo e Junior Dutra até agora, contratados a peso de ouro. A crônica enalteceu o protagonismo de um jogador da base do Avaí, que agora é terceiro na classificação. Veja a entrevista aqui.



10 - Não pagam

O Atlético Mineiro deve R$ 1 bilhão e esta semana recebeu um empréstimo de R$ 400 milhões, que a crônica local chama de empréstimo de mecenas, sem juros e prazo para pagar. Estes mecenas aplicam dinheiro em clubes de futebol em troca de que?

11 - Vinicius Júnior no Real Madrid


Vinicius Jr. com a 20, presidente Florentino Perez e Fabinho do Liverpool

“A grande noite de Vinicius Junior foi na terça-feira. Saiu de campo consagrado, chorando e abraçado como uma estrela do Real Madrid. Foi impressionante a sua exibição, com os dois gols e as jogadas que realizou.... Revolucionou o jogo. Um gênio de 20 anos, nascido no Brasil. Dá gosto ver a este Madrid como compete na Europa, porque quando os jogadores escutam o hino da Champions, se transformam em outra equipe, outro clube com outra filosofia, com Vinicius, de estrela. Um Real Madrid imperial, com qualidade, com autoridade e que pode sonhar com a 14ª conquista da Copa dos Campeões. Algum dia, alguém fará um estudo sobre este comportamento do Madrid na Champions”. O texto é de Tomás Roncero, redator chefe de AS.com.

Fim.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

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