Novembro 09, 2020

Nossa Jogada

Nossa Jogada
Este é o time Sub-23 do Avaí que disputa o Brasileiro de Aspirantes.

1 - Avaí invicto no Brasileiro

Estes meninos estão invictos e são os mesmos que deixaram a mãe, parentes e amigos para, instalados nas dependências do clube no “Carianos", realizar o sonho de se transformarem em jogadores de futebol profissional. Estão disputando o Campeonato Brasileiro de Aspirantes até 23 anos, idade em que deveriam ser titulares no Avaí ou em outros clubes. Mas a política e o planejamento não os contemplam. Dirigentes pressionados por torcedores preferem a velha política de darem a oportunidade a quem está em final de carreira. Estes não sabem o que significa “time”, preferem nomes a um conjunto que leva o nome do Avaí a liderança da competição. Há cinco jogos não perdem e estão classificados com antecedência para a outra fase. No grupo do Avaí estão Ceara Santos, Grêmio, Coritiba... Os vendedores por enquanto são: Arthur; Cabral, Chaves e Ramon; Wesley, Marcinho, Felipe, João Vitor e Renato; Jô e Tucão, comandados pelo técnico é Gabriel Bussinger.

 

2 – Disputa é...

Este Campeonato Brasileiro de Aspirantes, em que o Avaí é líder do seu grupo, tem na disputa oito clubes distribuídos em cada chave, enfrentando clubes adversários do outro lado. Os quatro melhores formarão os grupos: C e D que se enfrentarão entre si, e quatro deles formarão as semifinais até chegarem às finais, em jogos de ida e volta.

 

3 – Os titulares?

Bem são outros. Gente experiente que joga com medo. O treinador Geninho reconhece. Depois de marcarem o primeiro gol contra o Náutico, começaram a dar chutões, rifando a bola. Perderam controle dos nervos e quando o adversário virou o jogo para 2 a 1, Geninho usou uma expressão: “eles pararam de gostar de bola. Chutavam para longe e se defendiam”.

Mas o que ele está fazendo ao lado do campo?  Afinal, treinador não é para controlar o comportamento e transferir segurança aos comandados?

 

4 – Jogar com a bola

Nunca vi jogar futebol sem a bola. Os jogadores brasileiros fazem isto. Chutam-na para frente, quanto mais longe acham melhor. Preferem defender no seu campo, se negam a disputarem a segunda bola, no campo do adversário como faziam antigamente. Defendem e chutam. Hoje os treinadores podem fazer substituições: metade da “linha” de um time de futebol que tem 11, jogando só com os pés. 

 

5 - Leo Coelho[i] viu assim:

Me disse: “Assisti a uma partida do Campeonato Italiano e comparei com o que chamamos Brasileirão. Minha nossa! Jogador brasileiro fala demais, reclama demais, interrompem o jogo demais. Isso vai acabar com o público que gosta de futebol! E a culpa não é só deles, têm a permissão dos árbitros”.

 

6 – Torcedores

Não é só nas coberturas políticas que tem gente que torce, no futebol também tem. Como tem cronista flamenguista. Babaram quando o goleiro Hugo “agarrou” a bola numa cobrança de pênalti. No jogo seguinte nem criticaram aqueles que perderam as cobranças a favor do Flamengo. Hoje falam que o time não tem “defesa”. Pode?

 

7 – A “linha” ganhou mais um

Os goleiros sempre puderam jogar com os pés e as mãos dentro da área grande. Os treinadores nunca se derem conta. Mas quando a FIFA modificou a regra, impedindo os goleiros de pegarem a bola atrasada com as mãos, eles ainda não conseguiram assimilar a vantagem, nem eles nem os treinadores de goleiros. Adoram que rifem a bola com um chute longo. Se fizerem isto, os outros têm de recuperar o “balão” outra vez. É bom ver um time sair jogando desde atrás, tocando, carregando a pelota. Os goleiros de agora têm que manejar a bola com destreza.

 

8 – Gramado misto

Observo pela televisão que os gramados na Inglaterra são elevados e que há um caimento nas laterais, o que evita o alagamento, permitindo o escoamento da água em dias de muita chuva. No Brasil constroem-se o gramado no mesmo nível da pista.

 

9 – Bola na mão e mão na bola

Você sabe a diferença? Acha que dentro da área, nas duas situações o árbitro deve assinalar pênalti? Pois o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin acha que não. Esta semana enviou um oficio a FIFA pedindo a revisão das últimas alterações e interpretações sobre o assunto. Pensa que algumas decisões da arbitragem são injustas, quando não há má fé de jogadores. Dentro da área qualquer contato da bola com o braço ou mão de um defensor, virou pênalti e pura reclamação. E lhes pergunto: quando é acidental? Pois os braços fazem parte do corpo, ajudam a manter o equilíbrio e o que tenho visto são os jogadores escondendo o braço, desesperados e nem sempre podem. Há que distinguir a má fé do proposital, segundo Ceferin.

 

10 – Gandulas[ii]

Inventaram os “gandulas” para que o jogo não demorasse a reiniciar. Os “gandulas” deveriam buscar a bola para que o jogo se reinicie o mais rápido. Hoje há em cada lado do campo, e atrás de cada trave, moças ou rapazes que têm a função de devolverem o mais rápido possível. Nem sempre acontece. Quando o time da casa está perdendo, os “gandulas” quase entram em campo, mas quando o time está ganhando, eles desaparecem, às vezes até com as bolas.  Na Inglaterra colocaram três cones em cada lado do campo e dois atrás das goleiras, onde as bolas ficam. Os jogadores pegam e reiniciam o jogo.  Acredito que a reposição da bola dever obedecer a uma regra determinada, como acontece nas disputas de tênis, basquete e voleibol. O tempo pode ser contado com os árbitros movendo um dos braços como no basquete, assim jogadores, o público nos estádios e na frente da TV perceberiam.

 

11 – Elano e Figueirense

A vida para ele como treinador está difícil. Não está tendo um bom começo. Anda perdido. Se ilude dizendo que o time é ruim. Mas o Figueirense não tem um time. Diga ai qual é o time? A cada jogo entram dois ou três jogadores diferentes. Não vejo conjunto, jogadas ensaiadas e esquema de jogo. Nossos treinadores acreditam que trazendo jogadores irão resolver. Sem time não se ganha jogo. O Figueirense precisa ganhar para permanecer na Segunda Divisão. Nos próximos 10 jogos precisa somar pontos, isto só se consegue chutando e ganhando. Não há salvadores da pátria descendo de avião na Ilha. O Edmundo foi uma exceção. Restam 54 pontos.

 

FIM.

______________________________________________________

[i] Leo Coelho é colunista do Grupo NSC, “on line” e na edição impressa nos finais de semana. O pai Rômulo foi supervisor do Avaí F. C., quando da presidência de João Salum, nos anos 70.

[ii] O termo “gandula” surgiu em 1939. O Vasco da Gama contratou um argentino chamado Bernardo Gandulla, que virou reserva e tentava ser útil, correndo atrás das bolas que saíam do campo. Tornou seu gesto simpático e, quando foi embora, o termo “gandula” foi usado para designar os “apanhadores” de bolas, fora do gramado.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

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