Janeiro 11, 2021

Nossa Jogada

Nossa Jogada
Marco Aurélio Cunha o novo manda chuva do Avaí (Divulgação/CBF)

1 – Novidade

Battistotti trouxe outro amigo para ajudá-lo este ano no Avaí: Marco Aurélio Cunha, está de volta. Na primeira vez com João Zunino em 2002, só foi campeão do primeiro turno. Não conta. Contratou como técnico Flamarion, aquele que dizia: "na beirada do campo", que foi mandado embora antes de terminar o Estadual. Os jogadores não gostaram. Júlio Espinosa foi contratado e não ganhou o campeonato. Marco Aurélio também não elevou o Avaí à Série A. Perdeu a chance em Recife, diante de 60 mil pessoas no Arruda, num jogo contra o Santa Cruz. Voltou para a Ilha reclamando da arbitragem. Neste jogo convocaram o presidente da FCF Delfim Peixoto para ajudar em Recife. Não ajudou. O comentarista Luiz Carlos Prates, na época RBSTV, foi junto para fazer uma palestra "motivacional" aos jogadores. Não deu!

 

2 – No Figueira

Marco Aurélio Cunha chegou em 1999, veio do São Paulo onde fora médico, Diretor de Futebol enquanto era genro do presidente. Foi o diretor do Figueira naquela disputa contra o Caxias para ver quem subiria à Série B. Aquele do jogo que não terminou. A torcida do Avaí sempre lembra com desdém. Agora está de volta a Ilha. Chegou bem recomendado como chegaram Valdívia, Bruno Silva, Ralf e Rildo. Os torcedores do Avaí adoram nomes “bem recomendados”

 

3 – Incompetentes

Nós catarinenses somos incompetentes! Não revelamos jogadores, treinadores e dirigentes de futebol. Quando queremos um para nossos clubes vamos buscar em São Paulo. Quem nasce em SC nunca será bem recomendado. Um estado com7,2 milhões de habitantese não consegue revelar jogadores, treinadores e dirigentes. Somos um "populacho" entendido em futebol, dando palpites, pedindo a cabeça de treinador. Agora compare com a Nova Zelândia, 4,8 milhões de habitantes, um país rico, com um time de rúgbi escandaloso, com os melhores velejadores do mundo e às vezes disputam Mundiais de futebol. E com o Uruguai, 3,4 milhões de habitantes, formam uma seleção que dá medo, disputam mundiais e revelam jogadores que marcam época. Os catarinenses vivem buscando os "bem recomendados" e cheios de orgulho ressentidos, nem se são dão conta da vergonha que passam.  Os outros podem! Nós não podemos?

 

4 – No passado

Fico frustrado, com o orgulho ressentido quando busco, no passado, nome de jogadores revelados na Região Norte como: Felipe Luiz, Jairo, Norberto Hoppe e Totô; na Região Sul: Zenon, Valdomiro, Tenente, Marcos; no Vale do Itajaí: Teixeirinha, Valdir Appel, Mosimann, Ratinho, Mickey e Savio e por aqui: Juarez, Nelinho, Toninho, Raphinha, André Santos, Firmino e Gabriel Guimarães revelados no Avaí e Figueirense. Agora buscamos os "bem recomendados".

 

5 - Próspera

Vai disputar o Estadual de 2021 e o Serjão, meu vizinho, lembrou-se do Prospera, a pedra no sapato do Avaí. As vezes as pessoas esquecem que de lá vieram dois jogadores históricos: Lourival e Paulo Garça e em 1972, o treinador Zezé trouxe o time inteiro para defender o Avaí no Estadual, a pedido do Gito Daux.

 

6 – Três zagueiros

Eu não me canso de repetir a historia que ouvi do homem que decidiu usar uma defesa com três pela primeira vez na historia do futebol: dois laterais e um zagueiro. Conversei e perguntei a Johan Cruyff, li um livro que escreveu, em outro livro que citava seu gesto e entrevistas em jornais: Johan Cruyff me respondeu: "O adversário só ataca com dois, não preciso de quatro na defesa". No sábado o Brasil atacava com um só e o Claudinei Oliveira colocou dois laterais e três zagueiros para formar uma defesa de cinco. No futebol se joga 11 contra 11 e lembro quando o treinador Martin Francisco criou a defesa com quatro, porque os adversários atacavam com três: dois pontas e um centroavante. Copiamos errado sem refletir.

 

7 – Craque

Espero que entendam o sarcasmo. Este Ronaldo do Avaí é um craque. Mas dá uma saudade do Daniel Amorim. Pois este Ronaldo e o Valdívia, nem se parecem com uma dupla famosa como Morelli e Cavallazzi. Os números deles assustam. Há quem pense que a culpa é dos outros: do treinador e do Battistotti. E leio que Valdívia, individualista e carregador de bola, segundo o Claudinei Oliveira, é o organizador do meio de campo. Nunca o vi fazer um passe colocando o Ronaldo ou o Rodrigão desta maneira na cara do gol, como neste vídeo:

https://as.com/futbol/2021/01/09/videos/1610205293_082095.html

 

8 - Gramado

Observo os gramados da Inglaterra. Nos anos 90 jogavam no barro quando chovia. De repente ficaram um brinco. O João Salles, narrador da CBN, dizia que era por causa da composição da terra. E quando ficava um barral não era? Na verdade eles encontraram uma forma de drenagem natural e eletrônica. A natural foi elevando o gramado, como nesta foto no estádio do Manchester United.

9 - Futebol cada vez pior

Agora mulher apita; inventaram tempo técnico; substituição de metade dos jogadores de linha; o jogo sempre é interrompido; caem e chamam a mãe; os árbitros não dão lei da vantagem. Os jogadores ficaram fracos, parecem umas mulherzinhas, jogando futebol como no meu tempo.

 

10 - Efeito Murici

Os dirigentes do São Paulo queriam que o time ficasse melhor, então contrataram o Murici Ramalho. Adoro os dirigentes que querem melhorar o que já esta bom. Foi assim com o time sub-20 do Avaí, que com os reforços não chegou às finais do Brasileiro. Escuto que os são-paulinos despencam porque Luciano. Não é e nunca será Pelé, este nem falta fez em 1962 no Chile.

11 – Jogo de hoje

O Brusque joga hoje, à noite, em casa contra o Ituano. Vale a promoção a Série B. Basta uma vitória. Enquanto isto, mas abaixo do rio, o Marcilio Dias esperava ser promovido a Série C, tomou uma goleada do Altos do Piauí de 5 a 1. O sonho foi adiado. Amanhã a Chapecoense enfrenta o Figueirense em Chapecó.  Vale o titulo e a permanência na Série B.

 

Fim

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

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