Outubro 14, 2021

Nossa Jogada

Nossa Jogada
Foto acervo da PMF

1 – Minha cidade, foto de 1921

Olhe bem. Esta foto foi sacada em 1921, a tenho graças ao Roberto Costa e o Hélio Lang. Olhe a praça desenhada na frente do Quartel de Comando da Policia Militar, ela não atendia pelos apelidos de Praça Getúlio Vargas ou Praça do Bombeiros. Veja como a casa na esquina da rua Emilio Blum já existia e a Casa Portuguesa, ao lado do quartel, também. Mas cadê a Avenida Rio Branco? No canto abaixo à direita, tampado por uma árvore que moldura a foto, ficava o Campo do Baú. Ainda não havia Ponte Hercílio Luz e avenidas Othon Gama D’Eça e Osmar Cunha, que você percebe atrás da igreja Luterana. O que existia era uma chácara. O mar, um navio e trapiches no alto da fotografia. Atrás dos trapiches ficava e ainda fica o Bairro da Figueira. Mas você vai apontar para um pé de “garapuvu” se destacando no alto da foto, dizendo que é uma figueira. Pois ali era o cemitério desta cidade onde hoje crescem prédios e árvores no Parque da Luz. A entrada deste cemitério era no final da rua Filipe Schmidt. Não havia ruas e alamedas que contornam o parque e onde hoje se dá o acesso à Ponte Hercílio Luz. Lembre-se que a ponte, em 1921, era uma ideia por que a construção começou no dia 14 de novembro de 1922, um ano e cinco meses depois do Figueirense FC ser fundado.

2 – O nome do clube

É em homenagem ao bairro, que ficava abaixo do cemitério e junto ao porto e docas. Por isso Figueirense, como sou catarinense. Esta era a cidade em 1921 e foi no bairro que os moradores da Figueira fundaram um time de futebol. Olhem a foto enquanto vou descrevendo o que você não pode perceber. A rua Conselheiro Mafra, terminava na Padre Roma, dali para cima não havia passagem e nem interesse de seguir em frente, os fundos das casas era um terreno santo: parte de um cemitério, o único no centro da cidade, com o portão localizado nos Altos da rua Felipe Schmidt. A rua Francisco Tolentino, chamada de Rua da Figueira, dava nome do bairro. Francisco Tolentino, como é conhecida hoje, dava o nome do cais, onde existiam aqueles três trapiches e se estendia até o atracadouro da Empresa de Navegação Carl Hoepeck. Uma mureta represava o mar e, onde se localizavam as docas (parte do porto onde atracam os navios, chatas e batelões). As mercadorias que eles traziam pelo mar, eram armazenadas nos galpões que ainda existem, um deles hoje é um estacionamento, com as paredes pichadas, na esquina ao lado do posto de gasolina. 

3 – Nós estamos no ano de 1921

Há 100 anos. Eu nasci em 1943, 22 anos depois de quando foi tirada esta foto. Andei por esta cidade que não existe mais, assim como não existiam as avenidas Hercílio Luz e a Mauro Ramos, olhem na foto. O futebol era amador e uma novidade. Os jogadores de futebol que atuavam nos clubes brasileiros nesta época se transformaram em profissionais em 1930, nove anos depois. Em Florianópolis, em 1972. O Valério assinava por uma bicicleta; o Trilha por um terno de roupa; Saulzinho por um emprego no Estado; Valmor... Em 1921 o Figueirense era um time de bairro, do Bairro Figueira, como Olaria, Flamengo, Botafogo, Bonsucesso, Madureira eram times de bairros...

4 – Esta é a minha cidade

Nasci 22 anos depois, de cesariana na Maternidade Carlos Corrêa, onde um rio passava na frente e ao lado da Inspetoria de Transito da Capital. Onde nos anos 60 funcionou a Rodoviária Velha. A anestesia da minha mãe, para se submeter a uma cesárea, foi éter. Não era um procedimento cirúrgico. Quem falasse assim, era taxado de prosa, de delicado. O Figueirense, do Bairro da Figueira tem hoje 100 anos de existência, igual a cena desta cidade na foto.

5 – Sobrevive

Vive hoje mais ou menos como vivia em 1972, quando o Major Ortiga, filho do seu Osni Ortiga voltou a cidade e logo em seguida foi eleito presidente do Figueirense, como fora seu pai. Graças a ele o clube se reergueu e o transformou em campeão, 31 anos depois. O major mexeu com os brios do adversário e os dirigentes do Avaí: Saul Oliveira, José Amorim, Fernando Bastos, George Daux, João Salum, Aderbal Ramos, Walmor Soares, Valter Barros da Silva. Neste tempo a cidade era invadida por uma horda de migrantes oriundos do Rio Grande e do Rio de Janeiro. A cidade desta foto já não era mais a mesma. Mas lembro que até então o escudo do Figueirense FC não tinha a figura de uma figueira. Foi uma vontade de Ortiga, que acreditava que o nome Figueirense fora dado em homenagem a “figueira” da Praça XV.

6 – O estádio e Orlando Scarpelli

Já havia um campo e não um estádio. Na verdade, era área destinada a ser uma praça de lazer, aprovada pela prefeitura para liberar um loteamento que Orlando Scarpelli criou em redor do campo. Tomas Chaves Cabral, com ajuda de Heitor Ferrari e alguns jogadores deram forma ao pasto e cercaram com madeira. Em fim o Figueirense tinha um campo. A área é pública, cedida em comodato, sem ser usada como garantia de contratos do clube com quem quer que seja. A instituição pode erguer qualquer benfeitoria e a rua, que passa ao lado do Ginásio Carlos Alberto Campos, é um terreno agregado ao clube. Se alguém discorda, mostre qualquer processo em que o estádio Orlando Scarpelli, construído com recursos do Governo Estadual em 1973, foi dado como garantia de penhora, dívidas ou de processos junto a justiça.

7 – Escolas de Samba

Sempre tentaram associar a Copa Lord ao Avaí e a Protegidos da Princesa ao Figueirense. Nos últimos anos, por proximidade, a Coloninha é que leva a fama de se associar ao FFC. No próximo carnaval a escola desenvolveu um enredo em homenagem ao Figueirense. Li a letra do samba e ele se desenvolve como uma homenagem a uma árvore e não ao bairro. “Tronco forte e raiz, semeando um novo tempo”, diz parte da letra de autoria de Paulinho Carioca, Evandro, Jadson Fraga, Jacson do Cavaco, Severo Pereira, Diego Bidão e Rafael Tubino. Mas no meu devaneio acredito que seria romântico se a “Escola” recriasse o Bairro da Figueira em um carro alegórico, com parte da sua gente que ainda vive por ali; o porto; as docas e os armazéns. Reproduzindo a cidade desta foto acima. 

8 – A derrota e Paolo

Pior não são os 3 a 1 e nem as duzentas pessoas que foram assistir ao jogo Figueirense 1 x 3 Criciúma, pela Copa Santa Catarina, que me toca, mas sim ouvir o Jorginho dizendo: “que tem que preservar o Paolo”, um talento que precisa jogar para desabrochar e desenvolver seu jeito de jogar futebol. Mas...


Foto de Patrick Floriani FFC

O Jorginho e seus auxiliares ainda não se deram conta de que o Paolo está jogando e vai continuar jogando no Figueirense e não na seleção brasileira? Paolo não está preparado, segundo o treinador, para jogar um torneio de nível abaixo da Sério C? Na várzea, poderá? Assim mesmo, com toda esta restrição e medo do treinador, Paolo já marcou três gols nesta Copa. Então não posso ter pena do Jorginho, escutar o coro de narradores gritando nos microfones: “Jorginho, pede pra sair!”, como um grito de torcida organizada.

9 – O melhor presidente

Se você perguntar a um torcedor do Avaí ou a um conselheiro qual foi o melhor presidente do Avaí, ele vai responder: foi o Zunino. Como é uma opinião a gente aceita. Mas o fato é que ele deixou o clube com uma dívida de 18 milhões de reais e parte dela a receber. O melhor era não ter deixado dívidas, mesmo que tenha colocado dinheiro do bolso. Como é que se contabiliza na empresa, na figura física e no clube esta quantia? Se você for olhar os balanços antigos verá que o “patrimônio líquido” do Avaí em 2016 foi de R$ 18.168.341,64 e o de 2017 a conta fecha em R$ 12.225.706,68. Ninguém disse que o João Zunino fez uma administração temerária, porque agora dizem por causa de R$ 4 milhões de reais?

10 – Calados jogam melhor

A publicidade que o clube contratou nos espaços na mídia, a informação ao público, o trabalho dos meninos das rádios, televisões e jornais não são considerados pelos jogadores do Avaí, que com o rei na barriga, se negam a darem entrevistas. Alegam que irão “focar” nos jogos, que podem levar o clube pela terceira vez à Série A e pelas mãos do presidente Francisco Battistotti. Coisa que a oposição não gosta muito...

11 – Milhões de reais

Mais ou menos R$ 8 milhões de reais é o que o Cruzeiro, que já deveria ter sido rebaixado por descumprimento de uma sentença e acordo judicial, deve ao jogador Edilson do Avaí, se trata de uma dívida trabalhista. Pois este valor R$ 8 milhões é o que o Figueirense FC arrecada em um ano e tem gente pedindo à diretoria para contratar, armar um time que os prosas acham que não custa nada. Pois a dívida do Cruzeiro com o Edilson é consequência deste desmando do futebol, em que o Vampeta denunciou na frase de “que o dirigente do futebol brasileiro finge que paga e os jogadores fingem que jogam”. O próximo a cair neste poço é o Atlético Mineiro que está gastando o que não tem. Dizem que um milionário investe no clube, mas em troca de que?

12 – Cai ou não cai

Já deveria. O Cruzeiro não paga os acordos trabalhistas e os jogadores de agora, que se negaram a treinar porque não recebem os salários. Os dirigentes amadores acreditam que jogadores profissionais devam agir como amadores, jogar por amor a camiseta. O futebol dá lucro, ao ponto de um príncipe árabe comprar um time tradicional da Inglaterra, chamado Newcastle United Football Club. Nós ainda andamos de tamanco.

13 – A seleção

No jogo contra o Uruguai, hoje à noite, na Arena da Amazônia, calor, vôo de Colômbia é mais rápido do que de Montevidéu a Manaus, neste tempo de fair play, quando os honestos, com “medo”, cansando o adversário numa viagem de mais de seis horas. Hoje à noite o Tite escolheu um jogador formado no Avaí, que vai ser titular no ataque ao lado de Gabigol e Neymar Jr.: Raphinha que chegou a Ilha vindo de Imbituba, mas é gaúcho de nascimento. O time sai com: Ederson; Emerson Royal, Lucas Veríssimo, Thiago Silva e Alex Sandro; Fabinho, Fred e Lucas Paquetá; Raphinha, Gabriel Jesus e Neymar. Eles esquecem que Neymar é o pai, o jogador é Neymar Júnior.

14 – Recado

Para o Roberto Costa: Fabinho chegou ao Real Madrid B como lateral direito, virou zagueiro e hoje joga de 5; Fred no Internacional era o que carregava a bola, levando o time à frente, foi para a Ucrânia e hoje defende o Manchester United como o Lauro Burigo definia de “bico a bico” e os ingleses de “box to box”. Mas não é volante. O volante do United, ou como eles chamam: meio de campo central, tem o nome de McToninay, que joga ao lado de Fred e Pogba. O outro jogador do meio de campo, que o Roberto considera defensivo é o Paquetá, o 10 do “Olimpic de Lion”, na França. E na frente: Rapha, Gabigol e Neymar Jr.

FIM.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

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