Fevereiro 15, 2021

Nossa Jogada

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1 – Esquecem o porquê?

Sabe como funcionam as transmissões dos eventos na Fórmula 1; no tênis; na NBA; na Liga Inglesa; no golfe? São os promotores que geram a imagens. No Brasil, é a emissora que gera, negocia e fica com o dinheiro da publicidade estática nos gramados. A negociação das transmissões dos torneios de futebol no Brasil em 2021 encerra uma era. O Grupo Globo está se afastando, aos poucos, e não aceitou as condições impostas pelos grandes clubes cariocas para transmitir o Campeonato Estadual. As negociações são individuais com o argumento da história, prestígio, números de torcedores e conquistas. Os cariocas descobriram a pólvora. Mas esqueceram que não há jogo sem adversário. Que o futebol é um esporte coletivo, discriminando os pequenos clubes, que não terão o direito de cobrar o uso de sua imagem. Esta fórmula de negociar individualmente é diferente da equação inglesa e vitoriosa. Os brasileiros acreditam que descobriram a roda.

2 – O Jogo Individual

O futebol é coletivo, não existe disputa sem adversário para se alcançar a honra e glória. Os dirigentes brasileiros querem sempre enfrentar adversários frágeis. Por isso agem e negociam os recursos individualmente, acreditando que a transmissão de jogos de futebol via TV deve ser de interesse de seu clube e não do público, que é heterogêneo. O modelo antigo intervém na data e horários dos jogos. As novelas tinham preferência. O futebol na TV Globo foi refém, apesar de render muito dinheiro à mídia. Ele sempre foi tratado como um produto de segunda.

3 – A divisão coletiva

Os cariocas acreditam desde o ano passado que podem ganhar dinheiro com novas plataformas, vendendo aos seus torcedores. Para eles, o jogo do seu time não é de interesse público. O dinheiro arrecadado não é distribuído de forma coletiva, imitando os ingleses: 50% em valores iguais para todos os participantes; 25% de acordo com a colocação e os 25% obedecem a audiência. É cada um por si. Eles não sabem que o grande negócio está em vender anúncios na camisa, que é exposta por duas horas num canal de televisão. Deveriam vender o tempo e o espaço que o clube ocupa nas transmissões, nos programas esportivos, nas redes sociais, nas capas de jornais e revistas. Eles não sabem o que é público e confundem com o privado. Sem adversário, não tem campeonato.

4 – Quanto custa

A maioria quando negocia com as emissoras de TV não sabe quanto custa um espaço de exibição de um comercial, em um canal aberto aos domingos à tarde. Este ano, as imagens dos jogos do campeonato carioca foram vendidas à TV Record e os clubes pretendem transmitir em seus canais próprios ou em redes sociais, cada um ficando com o que arrecadar de cada um dos seus torcedores. Quanto vale a exposição na TV Globo? Quanto vale na TV Record? São dirigentes que não conseguem fechar as contas dos clubes e acreditam que entendem de quem e como se consome as imagens de um jogo de futebol exposto em um canal de televisão.

5 – Os ingleses

A Premier Ligue negociava coletivamente as transmissões do campeonato. Começou em 1980 cobrando 6 milhões de libras. Nos últimos anos cobraram 1,7 bilhão de libras e hoje 3 bilhões de libras por ano. Este valor é dividido 50% igual para todos: 25% pela colocação e 25% pela audiência. Vendem uma quantidade de jogos para cada canal, como por exemplo, a Sky detém 128 jogos; a BT 58 jogos e a Amazon 20 partidas. Os jogos de sábados e domingos são da Sky, um acordo que rendeu a Premier League cerca de 5 bilhões de libras por ano, na temporada 20/21.

6 – Quem? Quem sai?  

O futebol mudou, um treinador pode trocar durante o jogo metade do time. Só não pode tirar um xodó da torcida ou de um conselheiro. Será contestado, como ocorreu com Rogério Ceni, que pode mudar cinco jogadores durante o jogo, mas não pode substituir Gabriel, apelidado de Gabigol. Se não pode mudar, porque se contrata 44 jogadores, três reservas para cada função em campo, dizendo que o campeonato é longo?

7 – Vai mudar

Está na hora de mudar a forma como os torcedores irão frequentar e se acomodarem nos estádios. O retorno da torcida deverá ser controlado. Não se pode cometer o erro que ocorreu na final da Copa Libertadores quando juntou gente e aglomerou. Há que se mudar a cultura, atribuindo espaço entre um e outro, como se faz numa sala de espera. É preciso que se vendam ingressos com locais marcados e que seja obedecido e fiscalizados, impedindo a aglomeração.

8 – Apostas

Daqui a 10 dias começa o Campeonato Estadual de 2021. Há quem acredite que esteja decidido, pois por palpite sugerem que os favoritos são: Avaí, Brusque e Chapecoense, mas não apontam os dois finalistas. Chutam. Você que se acha entendido me diga quem serão os dois finalistas?

9 - Renovação

O Avaí renovou: a prova é a média de idade dos jogadores da defesa, aquela que tomou gol na Série B. O discurso de Marco Aurélio Cunha é que necessita de tempo para encontrar substituto para o Betão, por exemplo. Aqueles jovens saídos da base, que rendem recursos ao clube, irão ter poucas oportunidades. MAC prefere os velhos, que ao final do contrato, não rendem nada ao clube. Nunca aparecem interessados em veteranos como Edilson, Betão, João Lucas, Valdívia ou Alemão?

10 – Centenário

Sem grana, sem cotas de transmissão de TV ou de anúncios, o Figueirense renova o grupo com jogadores jovens e desconhecidos, à procura de revelações. No passado remoto conseguiu. Tenta novamente. Por enquanto não trouxe gente cascuda, bem recomendada e experiente ou com “bagagem”. O que der certo será lucro. A diretoria tenta reconstruir o que destruíram quando retiraram este grupo da direção do Figueirense e que voltou a ter poder. Eles sabem como fazer.

11 – Racismo

Vinicius Tanque, brasileiro de 25 anos que milita no Atlético Baleares, na Espanha, deu uma lição de humildade quando lhe insultaram no dia 31 de janeiro, com gritos de “mono” e sons simiescos. Na entrevista, após o jogo, respondeu: "Não percebi. Me dei conta quando olhei o telefone e havia um monte de mensagens. Foi a primeira vez. É um tema muito complicado. Não me afetou muito; condeno, mas as pessoas devem ter uma segunda oportunidade. Não sou Deus para perdoá-los. Foi um ato condenável, mas creio que podem se arrepender e por isso lhes dou uma segunda chance”.

12 – Inédito

O tempo é o senhor da razão. Contrataram um treinador espanhol, que chega ao final do Brasileiro. Abel Braga, menosprezado no Inter e no Flamengo, está levando o “Colorado” a decidir o título de 20/21, justamente contra o Flamengo. Assim como Abel, Rogério Ceni andou com a corda no pescoço. O Flamengo bicampeão, um título inédito. 

Fim.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

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