Abril 15, 2021

Nossa Jogada

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Sentados e agachado: Joceli Branco; Balduino, Veneza e um jogador em teste. De pé: da esquerda para a direita: Maneca; mascote (?); Rogério Primeiro; Paulo Roberto; Carlos Roberto; ainda Pelezinho, e Darci Carvalho (Dacica).

1 – Apelido

Eu iria editar esta imagem, que circulou esta semana nas redes sociais, para contar uma história. É a mesma imagem que o Cacau Menezes usou na sua coluna da última segunda-feira, no jornal Notícias do Dia. O corte que fiz na edição não ficou muito bom. Vocês irão julgar. O garoto entre o Maneca e o Rogério “Primeiro” não é o Fabio Comelli, como pensei. O único jogador agachado não foi identificado. Rogério Ávila, cresceu no pé do Morro da Tico Tico, hoje rua Clemente Rovere, onde funcionava a antiga Associação de Chofer de Praça, hoje Sindicato dos Taxistas. Rogério cresceu e aprendeu a jogar futebol no Campo do Manejo, quintal de todos nós. O local hoje está ocupado pelo Instituto Estadual de Educação Dias Velho. Eu conheci três jogadores de futebol profissionais, ligados a família Ávila: Bibe defendeu o Postal Telegráfico e o Figueirense, Rogério o Avaí e Edson Ávila o São Paulo do sargento Osni e o time juvenil do Avaí. Edson fez carreira bancaria, até chegar a diretor do Bradesco. Bibe, Rogério e Edson morreram, este no último domingo.

2 – Primeiro e maluco

Durante um tempo o Avaí tinha dois “Rogérios”: o Ávila e o da Purificação. Com “criatividade” os cronistas esportivos identificavam assim: Rogério Primeiro e Rogério Segundo, depois este, por associação ao atacante César Maluco do Palmeiras, os cronistas passaram a chamar de Rogério Maluco.

3– Identificação

Na foto, identifico um jogador do Avaí, no ano de 1973, como – “ainda Pelezinho”. Era assim que o chamavam quando no Figueirense era habilidoso. Em 1972, era reserva de Quincas, jogador que o presidente Major Ortiga e a família da dona Mariza trouxeram para qualificar o time. O treinador Jorge Ferreira, na decisão contra o Avaí pelo Estadual e pela vaga ao nacional, apostou em Pelezinho. O major não gostou e dispensou: Jorge e Pelezinho. No ano seguinte os dois chegaram ao Avaí. Em 1973, quando Fernando Bastos, presidente do clube, contratou Walter Miráglia e um grupo de jogadores do Flamengo: Cardosinho; Celso; Ademir; Américo; Paulo Henrique e o massagista Afonso, Pelezinho estava lá.

Souza, ainda Pelezinho, mexendo no calção.

Walter Miráglia, antes de assumir, observava os jogadores do Avaí sentado ao lado do presidente Fernando Bastos e diretores e, perguntou pelo nome do “negrinho”, (ele usou esta palavra), que se destacava no treino. E escutou esta resposta:

- Aquele é o Pelezinho.

- Quem? Perguntou Walter Miráglia.

- Pelezinho! Repetiu Fernando Bastos.

- Ele não tem nome?

Fernando Bastos olhou para seus amigos. Encarou Zé Amorim. Fez um gesto com a cabeça para o presidente do Conselho Deliberativo, José Matusalém Comelli, pedindo ajuda e como ninguém respondeu, mirou Walter Miráglia e respondeu:

4 - Ninguém sabe!

No dia seguinte, na apresentação do treinador aos jogadores, eu e Mauro Pires percebemos, ainda no vestiário, os olhares de Miráglia para com Pelezinho. No final do treino, na entrevista sobre a primeira observação do treinador, perguntamos o que ele tinha visto no Pelezinho e o que os dois conversaram no meio de gramado do Estádio Adolfo Konder. Miráglia não escondeu nada, como agora escondem.

- Ontem descobri que o apelido dele é Pelezinho. Perguntei como se chamava – Antonio Souza respondeu. Você não pode ser chamado Antônio, porque logo seria identificado como Toninho e, Toninho já tem muito. Quanto ao Pelezinho? Respondeu que Pelé só existe um. De hoje em diante serás lateral direito e chamado Souza.

Foi assim que o “ainda Pelezinho” virou Souza.

5 - Uso indevido

No futebol, é comum um jogador se apropriar da identidade do outro. Por pura inocência. Cabe ao diretor ou diretores de um clube de futebol alertar para o uso indevido de uma imagem e do nome de outro. Na Europa, os jogadores usam o nome do pai ou do avô, e quando há dois iguais, acrescentam o “apelido”, que lá é o primeiro nome que usamos. Os jogadores de futebol recebem um acréscimo no salário pelo uso da imagem, sendo na TV ou em publicidade, que o clube exige quando os contrata. E quando se anuncia a “escalação” do time, o uso do nome ou do apelido de um jogador famoso pode induzir o espectador a um erro e exigir indenização, junto ao PROCON, por propaganda enganosa, que segundo o Art. 307, do Código Penal Brasileiro, que define como crime: “Atribuir-se ou atribuir a terceiro uma falsa identidade para obter vantagem, em proveito próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem...”

6 - Copa do Brasil

Hoje, nesta quinta-feira, o Avaí joga em casa, às 19h, contra o Cascavel FC - jogo eliminatório válido pela segunda fase da Copa do Brasil. A passagem para a terceira fase vale para o clube vencedor, um prêmio de mais de 1,7 milhões de reais. A novidade no time dirigido pelo Claudinei Oliveira e presidido pelo Francisco Battistotti pode ser o retorno de Valdívia. O presidente Battistotti ouviu o filho da Dona Cotinha e renovou o contrato com o Wanderson, o “ainda Valdívia”, clone do chileno que atuou pelo Palmeiras e seleção do Chile.

7 - Glória ou orgulho

Anselmo Ramon, que defende a Chapecoense, decidiu aceitar uma proposta do Botafogo, que vive uma crise política, técnica e econômica. O treinador da equipe, Umberto Louzer, também decidiu sair de Chapecó e aceitou trabalhar no Sport Recife, que vive uma crise técnica e econômica, a crise política foi resolvida com a eleição de um novo presidente, que irá administrar um clube endividado.

8 – Cidade, de onde você é?

Há quem diga que mora na Grande Florianópolis, onde não se aceita jogador local ser titular de Avaí e Figueirense, pelo simples fato de ter nascido nas cidades. No Figueirense tem registrado um jogador de nome “Lincoln”, nascido na Palhoça, mas que chegou ao clube com um “carimbo” do Palmeiras.

Natural da Ilha tem algum?

9 – Preconceito

Você sabe onde fica Pirambu e que população tem? Qual é a economia e o que produz a região? Pois veio de lá o artilheiro do Campeonato Estadual e joga no Brusque: Aldevan Santos Nascimento Junior, o Junior Pirambu, artilheiro do Estadual com seis gols. O goleador de 2021 é Perotti da Chapecoense, com 15 gols e natural de Chapecó, lá eles não têm preconceito. Me corrige o cronista Paulo Branchi.

10 – Sem palavras. Não precisa.

As datas no quadro estão erradas: Real Madrid x Chelsea será dia 27 de abril, o jogo de volta em Londres dia 5 de maio; PSG x Manchester City será dia 28 e o jogo de volta em Manchester será dia 4 de maio. Um ou dois clubes ingleses poderão estar na final, que será jogada em Istambul, no dia 29 de maio, a não ser que a pandemia altere o local, como vem acontecendo.

11 - Dependência

Antes o Figueirense era dependente do empresário Eduardo Uran, hoje é do empresário José Carlos Lages. O Figueirense é uma propriedade tocada pela turma do PPP. Lembro que quando foi uma cooperativa, com eleição pelo Conselho Deliberativo, foi um desastre.

Fim.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

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