Fevereiro 18, 2021

Nossa Jogada

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Avaí de 65: Deodato, Batista, Neri, Gilson, Hamilton e Binha. Abaixo: Mário, Rogério, Morelli, Cavallazzi e Toninho.

1 – Saudades

A data está na foto. Há 56 anos, eles marcaram uma época. Fizeram história. Eu estava fazendo um texto saudosista. Antes de enviar sentei-me à frente do TV e assisti um documentário sobre racismo e homofobia. Nesta foto do Avaí, de 1965, há quatro negros e um gay. Ninguém os rejeitava, nem precisava fazer campanha ou manifestar as preferências, sentimentos... Os torcedores desta época sabiam que Binha era gay, que Neri, Gilson e Hamilton eram negros. Havia respeito, elegância e educação. Como cresci em outros tempos, não consigo entender o interesse de se mostrar, misturando o privado com o público. Há algum tempo publiquei um texto sobre o Binha. Ele dizia: "Me respeitavam. Eu sou gay, lateral direito, jogava bola, e se não jogasse bem saía do time. Nunca senti preconceito por ser negro e gay. É você que coloca os preconceitos em você mesmo. Todos sabiam do que eu gostava. No interior gritavam: veado... Não ligava. Eu não gostava era de jogar em Tubarão, porque lá as mulheres batiam na gente". Hoje, há campanha para que alguém manifeste publicamente suas preferências religiosas, políticas ou sexuais. Há uma necessidade de ser e se expor. Nada disso interfere no talento de jogar bola, por exemplo. Os torcedores daquela época se preocupavam com duas coisas: pelo Deodato de andar de ônibus ou de inveja do Mirinho gostar da noite. Hoje, como passei por esta experiência, acho tudo uma bobagem desta ideologia do politicamente correto. O cada um, cada um tem que ser...

2 - Rebaixamento

Na luta pelo rebaixamento à Segunda Divisão, se o Bahia (38) ganhar uma das duas partidas que faltam, para encerrar a temporada 20/21: Fortaleza e Santos; o Vasco da Gama (37) terá que vencer os dois jogos contra o Corinthians e Goiás. Há dois confrontos diretos: Fortaleza (41) x Bahia (38) e Vasco (37) x Goiás (36).

3 – VAR – Árbitro Assistente de Vídeo

O Chiko Konesky me liga: “Sumula de Vasco x Inter nem cita VAR... Má Fé”. Pela regra o árbitro tem que reportar? Não. Para ele não houve falha. O VAR serve de consulta, é como um “assistente”, como são os bandeirinhas e o quarto árbitro. Ele, o “juiz”, decide. É soberano, a última palavra é dele, com VAR ou sem VAR. O Vasco apela e joga para a torcida, tentando justificar, porque vive uma crise técnica, econômica e política. Ah, mas a linhas... Pouco importa. E quanto a má fé? Tem que provar, até que provem o contrário vale o que o árbitro decidiu.

4 – Decisão

Quando começa o Campeonato Brasileiro os “entendidos” logo apontam os favoritos e sempre colocam uma ressalva de que no Brasil existem mais de seis clubes em condições de disputar o título. Medem a grandeza estadual como se fosse nacional. Não é. Ano passado, o Flamengo foi campeão e está aí, pronto para colocar a mão na Taça. O Internacional, dos anos 70, ressurge como um candidato. O jogo será domingo à tarde. E neste dia, tenho certeza de que um amigo irá se esconder no cinema para não acompanhar o jogo. Ele fez isso em 1975 e 1976, fará de novo. Domingo às quatro da tarde, na tela da Globo: Flamengo e Internacional no novo Maracanã.

5 - Tempo para

Hidratar. Nunca vi o Zico, Romário, Roberto Dinamite, Renato Gaúcho pedirem água num jogo no Maracanã, em uma tarde de domingo em pleno verão no Rio de Janeiro. No meu tempo pedir água era sinal de fraqueza.

 6 – Monumental

Quando você ouvir algum locutor se referir a um estádio como monumental, lembre-se deste vídeo que descreve a modernização do Estádio Santiago Bernabéu, do Real Madrid. Aqui.

 

7 – Eles assombram

Ninguém sentiu a falta de Neymar, no PSG, no jogo contra o Barcelona e nem notou Messi em campo. O nome do jogo foi Mbappé, três gols e custa 200 milhões de euros. No ano que vem sai de graça. O outro nome, assombrando na Champions, é de Erling Haaland – norueguês, do Borussia Dortmund, artilheiro da Champions, com 8 gols.

8 - Guardiola

Lição: “Com os extremos mais abertos e mais altos; voltamos ao nosso princípio fazendo com que os jogadores fiquem em suas posições esperando que a bola chegue. Assim a circulação é mais rápida, quando funciona, ganhamos títulos e melhoramos a qualidade dos jogadores”. Para quem sabe ler em espanhol e quer saber mais: aqui:

 

9 – Grandeza

O Cruzeiro fica mais um ano na segunda divisão e pelo que tenho lido não irá subir em 21. O Botafogo volta pela terceira vez, o Vasco está na beirada do precipício e os dois vivem crises política, econômica e técnica. O Coritiba sobe e desce. A grandeza é local.

10 – O futuro

Eu não sei como será. Será diferente. Assim foi com o jornal: mudou e virou impresso numa tela. A televisão foi parar no jornal e o rádio na FM. Lembro do rádio de ondas curtas, que permitia escutar transmissões de jogos da seleção brasileira de futebol e notícias sobre o que acontecia no Brasil nos anos 70 e 80, por causa da censura. Hoje luto para sobreviver e quando se luta para viver, o resto pouco importa. 

11- Time misto

Não acreditam. Outro dia fiz uma brincadeira com o Rogério Cavallazzi, filho do Tullo, de que ele teria levantado uma bandeira de se criar um campeonato misto: times de futebol formados por metade homem e metade mulheres. Ele foi logo perguntando o que andei comendo. Mas há uma bandeira de permitir a participação de “transgênicos” em competições nas Olimpíadas. E como ficaria o critério de igualdade física? Pois há mulheres se transformando em homens e homens se transformando em mulheres. Como eles e elas eliminam a massa muscular ou como desenvolvem? 

Fim.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

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