Outubro 19, 2020

Nossa Jogada

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Cuca, o treinador

1 – Virada

O quarto colocado no Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão é o time da Ponte Preta com 27 pontos. Pode virar o turno com 33. Repetindo a campanha, chegará ao final com 66 pontos. Pode subir. O Avaí é o sexto com 23 e pode chegar aos 32, vencendo Juventude, Guarani e América Mineiro.

O Figueirense tem 15 pg, vencendo os três seguintes - CRB, Juventude e Ponte Preta - terminará com 24 pg. Para subir de divisão terá que vencer 10 jogos e empatar 10, ou seja: dos 22 jogos que restam disputar só poderá perder dois. Imagine!

 

2 – Mágico

Vanderlei Luxemburgo era treinador do Palmeiras até semana passada. Assumiu a direção no início deste ano, disputou 36 jogos, com 14 empates, 5 derrotas. O time marcou 62 gols, teve 60% de aproveitamento. A torcida pressionou e os dirigentes estão procurando um mágico fora do país.

 

3 – Camisa 10

Um jogador que usa a 10 tem que ter “hierarquia”, mandar de verdade, jogar bem todos os jogos e correr o tempo todo. Alguns pensam assim: como Valdívia. Por causa dele o Lourenço foi embora do Avaí. Esta semana, jogando pelo Santa Cruz, marcou o gol da vitória contra o Remo, na Série C. Valdívia corre, prende a bola, não passa, não cria situações e só marca gols cobrando pênaltis.

 

4 – Treinadores

Os treinadores mandam, pedem, não param de pedir jogadores. Gastam milhões e acreditam que ganham os campeonatos. Não aguentam cinco derrotas e são dispensados deixando uma herança: as contratações. Deem uma olhada no Avaí.com.br e clique no elenco só para conferir quantos atacantes tem: 13. Está chegando Vinicius Leite, do Paissandu de Belém, time que disputa a Série C e está atrás do Brusque. Jogador do Brusque não serve. 

 

5 - Animadores

Meu filho Daniel chamava os treinadores, que ficam gritando a beira do gramado, de animadores de torcida. Passam o jogo gritando. Os jogadores não escutam. Agora estão escutando um pouco, porque não tem a torcida nos estádios. Chegam com três ou quatro ajudantes, pedindo reforços e se o presidente não contrata, pede para ir embora. Todos acreditam que são o chefe dos clubes, pedem. E continuam pedindo.

 

6- Patrimônio

O Figueirense quando foi fundado em 1921, tinha torcedores por ser um clube de bairro - Bairro da Figueira, junto ao cais do porto. O Avaí, fundado em 1923, não tinha torcedores. Era um clube da família Horn. Através de conquistas atraíram gente que se orgulha e outros que exploram o clube e não pagam mensalidades, mas cobram dos sócios, vendem camisas e marcam território no estádio. Não é que, nesta semana, numa reunião dos conselheiros do Avaí, uma organizada enviou uma carta pedindo participação nas decisões do clube? A carta parece discurso de esquerda.

 

7 – Imbecil

Cada vez que assisto a um jogo pela televisão me sinto um imbecil. Ocorre um lance dentro da área e chamam o especialista em arbitragem para dizer que foi falta ou que a bola bateu no peito do defensor. Eles devem pensar que não enxergo. Pois foi o que escutei da Nadine Bastos neste final de semana.

 

8 – "Me too"

Uma expressão americana que se tornou popular quando a atriz Alyssa Milano veio a público denunciar os abusos sexuais de Harvey Weinstein, produtor de cinema. Usando o Twitter, ela sensibilizou 40 outras mulheres que tomaram coragem e vieram a público fazer a mesma denúncia. Virou moda.

 

9 – Deveria ter aprendido

Robinho teria feito um contrato de risco com o Santos. Mas descobriu-se que ele tinha sido condenado na Itália por estupro. Os patrocinadores recuaram. O clube voltou atrás. Robinho se defendeu alegando inocência. As gravações do seu telefone mostraram que a versão era outra. Lembrei-me que quando ele jogou no Manchester City, foi acusado de assédio por uma moça no banheiro, dentro de uma boate. Recentemente, Neymar Junior esteve envolvido num caso semelhante e escapou.

 

10 – Cuca o treinador (foto)

Quando começou a treinar o Avaí perguntei sobre o incidente em Berna, na Suíça. Ele alegou que apenas olhou: "Não fiz nada!". Foi condenado a dois anos de cadeia por "assédio sexual". Esta semana, o filme passou novamente pela sua cabeça. Vou recordar o que aconteceu.

Foi em 1987. Cuca tinha sido contratado pelo Grêmio que saiu em excursão pela Europa. A primeira parada foi em Berna, na Suíça, no dia 29 de julho contra o Benfica pela Copa Philipps. Vitória 2 a 1. O técnico era Felipão. Antes do segundo jogo, o juiz local Jurg Blases ordenou a prisão de Cuca, Eduardo, Fernando e Henrique, sob acusação de estupro contra uma menor de 13 anos, Sandra Pfaffli. A moça vagava com um amigo pelo corredor do hotel atrás de suvenir. Os quatro, no quarto, ofereceram uma camisa desde que a menina tirasse a blusa. Ela tirou.

Os quatro foram em "cana", passarem 30 dias na cadeia. Fifa e Presidente da República tiveram que intervier. Segundo o BO, os três se aproveitaram da moça, "de menor", que em qualquer lugar do mundo dá cadeia. Cuca e Fernando não foram reconhecidos.

Esta história e as seguintes deveriam ser contadas nas categorias de base para que os jogadores de futebol aprendam. 

 

11 – Maria Chuteira[i]

Nos anos 70 e 80, as meninas que iam assistir aos treinamentos dos jogadores eram conhecidas como Maria Chuteira. Outras eram conhecidas como Maria Gasolina. Assim, não é de agora que a história revela atletas envolvidos em escândalos sexuais que deveriam servir de exemplos.  Mas não serviram. Basta lembrar:

Cristiano Ronaldo assediou Kathryn Mayorga e ela entrou com uma ação civil nos tribunais dos EUA exigindo a quantia de 165 mil euros (R$ 1 milhão);

Kobe Bryant assediou a Katelin Faber que trabalhava no hotel onde estava hospedado. Pagou e teve que se explicar ao público e em casa;

Tyson - noite de 18 julho, de 1991, em Indianápolis, conheceu Desiree Washington. Ela tinha 18 anos e concorria a Miss Black América. Mike foi acusado de estupro e foi parar na cadeia.

 

Fim.

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[1] No livro: O Velho e a Bola de Maneco Müller, organizado por Rafael Casé, publicado na Maquinária Editora você encontra na página 42, da crônica “Pé na Cara: Sangue e Amor” aparece a descrição das moças que esperavam os jogadores antes do treino. “Quando Newton caminhava sozinho...um bando de meninas começou a gritar: Niltinho! Niltinho! E uma dizia: “Amanhã vou trazer um bolo. Nilton fingia que não era com ele... Isto aconteceu em 1948.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

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