Novembro 22, 2021

Nossa Jogada

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1 – A porta da felicidade

O Avaí abriu a porta e agora só falta entrar. A Série A está logo ali, no próximo domingo, na Ressacada, quando terá que vencer o Sampaio Corrêa. Assim estará de volta a “elite” do futebol brasileiro para desespero dos que torceram contra; semearam o caos; que querem mandar por R$  27 mil por mês; os “otimistas” que diziam que o Avaí não tinha time; os que criticavam o treinador; aqueles que diziam que os jogadores iriam entregar o jogo contra o Náutico (2 a 1 a favor); os terroristas que publicaram notas falsas na véspera do embarque à Recife achando que subir é fácil. Vejam o Vasco tentando e não conseguiu. Há aqueles que ironizaram os 6.280 torcedores no Scarpelli, que terão que lotar a Ressacada, principalmente os que nasceram e cresceram na Ilha e região, mas que se orgulham de torcer por clubes de futebol do Rio de Janeiro, como os que neste último domingo fizeram festa pela conquista do Botafogo, pelo título da Série B de 2021. Ou aqueles que sonham em fazer pelo Flamengo, no jogo contra o Palmeiras dia 27/11, em Montevideo, ou os que choram a decadência do Grêmio e Cruzeiro. Mas há quem ficou triste, os que rejeitaram o presidente Totti, que lidera esta aventura do clube a ser promovido, pela terceira vez, ao Olimpo do futebol brasileiro, em seis anos de mandato e sem falar inglês.

2 - Resultado perigoso

Por que o 2 a 0 é considerado por alguns como um resultado perigoso? É que 2 a 0 no placar transmite a falsa sensação de vitória e segurança, mas quando o adversário diminui, marcando um gol, esta segurança se transforma em pânico, pelo medo de sofrer o segundo gol. O que faz com que a confiança desapareça, prevalecendo o medo.

3 – Cansados?

Escuto que no último jogo do campeonato da série B, após ficarem uma semana treinando, os jogadores do Avaí estão cansados. Lembro que a cada jogo, o treinador pode substituir cinco jogadores, metade dos que atuam na linha. Os que correm. Eles sabem desde o início do ano que o campeonato tem 38 jogos. Cansaço mental? No jogo em Recife, neste último domingo, dia 21/11, os jogadores: João Lucas; Yuri; Kleber; Serrato; Renato; Rômulo; Getúlio - joga só o primeiro tempo; Vinicius Leite - ficou de fora três jogos, estavam cansados? Não consigo mais escutar e ler coisas bem pensadas.

4 - Edmundo x Jadson

Edmundo progrediu, quando veio defender o Figueirense, porque estava no Nova Iguaçu, se ali permanecesse iria se acabar. Recuperou o status vindo para o Figueirense, de onde voltou ao Palmeiras. Ressurgiu, não como Jadson que chegou ao Avaí e saiu pela porta dos fundos.

5 - Hino no futebol

Só deveria ser entoado e cantado, nos estádios de futebol, em dias como estes de 15 e 19 de novembro, em comemoração ao dia da Proclamação da República e ao dia da Bandeira, datas cívicas, que não vulgarizaram os hinos nacionais.

6 - “Em cima da linha”

Geração que não busca na história o significado das palavras e dos nomes, que deveriam usar para reportar e explicar um jogo de futebol. Geração que escreve e se “acha”, nunca escutou a expressão: “Salvou o gol em cima da risca”. Pois são os mesmos que se levantam comemorando um gol, como se a bola tivesse entrado ou quando a mesma bola desliza sobre a linha da lateral ou do fundo do campo e, o juiz marca fora, gritam que a bola “não saiu!” Mas se ela desliza sobre a linha da meta adversária, protestam e xingam.

7 - Teoria das brechas

O futebol nunca foi veículo para proselitismo político, como também não foi pra propagar religiões. Quem deve cobrar e coibir estes vícios, se omite. A religião não permite que seja usada e, é condenada, quando serve a determinado partido político. A mesma maneira deveria ser para o uso da política partidária ou ideológica na religião e no futebol. Afinal, os franceses promoveram uma revolução, cortaram cabeças para provar que o Estado deve ser “laico” e, por consequência, o futebol também!

8 - Praxe

É comum aos dirigentes de clubes de futebol brasileiro atrasarem os salários dos jogadores por dois meses. O que eles não podem é atrasar o terceiro, sob pena de ferirem as regras da CBF, que regulam os contratos dos jogadores profissionais no futebol brasileiro. Se atrasarem três meses esses ficam impedidos de atuarem pelos clubes, que lhes deve e o resultado do jogo acaba terminando em um tribunal. Quando se aproxima a data do vencimento do terceiro mês, a diretoria paga um mês e deixa os outros dois “haver”. Mas em dezembro há os que não pagam, transferindo a responsabilidade para o novo presidente, levando os jogadores protestarem junto ao Tribunal Regional do Trabalho, como ocorre.

9 - Quem fica?

Quais os jogadores do Avaí que irão ficar para o ano que vem, independente se o clube sobe ou fica na B? Respondo: os que são do Avaí. Os alugados, emprestados e mercenários irão procurar outros dirigentes e torcedores, em busca de prestígios que perderam no passado, que ainda acreditam que a bola não os abandonou.

10 – Quando acontece

Estes que eram heróis, viram vítimas. A maioria tem medo do vazio quando termina a paixão que os acompanha desde menino, quando a bola lhes foge e não os quer mais como antes. É inevitável. Há um medo do vazio que a paixão de jogar futebol, que o acompanhou desde menino, provoca. Por que existirá maior privilegio que o de viver de um jogo? A rotina, o reconhecimento, a popularidade e a pressão desaparecem e, o vazio que surge, não se substitui só com o dinheiro. Ainda resta metade de uma vida, para descobrir outra vocação.

11 – Degradação para um campeão

Os filhos de um jogador de futebol os veem mais pela televisão do que em casa. De repente, de uma hora para a outra, vira um móvel no meio da sala. O herói se encolhe. Jorge Valdano explica este momento pelos olhos de uma menina. Ele deixou de jogar futebol aos 30 anos e em seguida passou a colaborar com os meios de comunicação. A nova tarefa lhe impunha responsabilidades, e foi então que começou a comprar jornais, recortando o que considerava importante, colando os retalhos em um caderno. Sua filha, de pouco mais de cinco anos, um dia na escola, teve que responder qual era a profissão do pai. Todas as outas meninas e meninos tinham uma resposta pronta: médico, advogado, dentista ou o que fora. Quando chegou a vez da filha de Valdano: “Meu pai recorta jornais e cola os retalhos em um caderno”. Valdano diz que não conhece uma degradação tão grande para quem foi um campeão do mundo de futebol.

12 - O futebol está em perigo

Segundo o presidente Florentino Perez, do Real Madrid, para justificar a criação de uma Superliga, a abundância de ofertas de entretenimento está colocando o futebol em segundo plano. Nos jogos atuais há poucos atrativos. Recordou que Real Madrid e Chelsea não se haviam enfrentado pela Copa da Europa desde a última primavera, que Bayern e Liverpool só se cruzaram duas vezes, em 65 anos de história da Champions ou que o Ajax, quatro vezes campeão da Europa, teve que superar várias fases prévias para participar da edição seguinte a 2019, após ter sido semifinalista no ano anterior.

Fim.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

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