Outubro 26, 2020

Nossa Jogada

Nossa Jogada

1 – Pelé e Buck Jones

Da Praça do Portão[i] até o Hotel Everest é uma caminhada de duas quadras. O hotel localizado na Rua Duque de Caxias, quase em cima do Viaduto Otávio Rocha, hospedava a delegação do Santos F. C.. Fui caminhando e ao passar pela Lanchonete Skindô, bem em frente ao Colégio Sévigné, o Zulf gritou lá de dentro:

- Aonde vais?

- Vou ao hotel visitar um amigo que está na cidade.

- Quem?

- Oberdan, ele joga no Santos, o adversário do Grêmio, hoje à noite, no Olímpico.

Era dia 1º de setembro de 1971. Na recepção, perguntei pelo Oberdan, ouvi: “Ele já vai descer”! Era Afonsinho[ii] sentado no sofá lendo um livro: O Poderoso Chefão de Mario Puzo. Ficamos conversando e esperando.

Não demorou, Oberdan, em companhia de Pelé, desceu a escada e no hall nos reencontramos. E ele:

- Este é um amigo, Pelé!

- Ele vai conosco e vocês conversam no ônibus, Oberdan.

- Não.

- Vai sim! Retrucou Pelé.

Fui. Na porta de saída do hotel o ônibus esperava a deleção do Santos. Todos foram cercados por torcedores pedindo autógrafos a Pelé, Oberdan e Afonsinho. E eu junto. Um dos torcedores me pediu autografo. Refutei. E escutei a voz do Pelé:

- Assina! Assina senão irão falar mal da gente.

Não sabia que nome assinar, lembrei do João Salum e assinei “Buck Jones”.

No ônibus até o Estádio Olímpico eles riam. No fundo a voz novamente:

- Nunca andei de ônibus com o “Buck Jones”.  

 

2 – A entrevista

Neste jogo: Grêmio 1 x Santos 0, gol de Torino aos 49m, válido pela 1ª Fase, Grupo B, do Campeonato Brasileiro, daquele ano, mais de 49 mil pessoas assistiram ao jogo. Sintonizados na Rádio Farroupilha, os ouvinte escutaram a narração de Samuel Santos, comentários de Enio Melo, reportagens de Valdomiro Morais e Paulo Brito, plantão Rogério Lobato, supervisão de Rui Vergara Correia. Primeiro tempo 0 a 0. No intervalo corri e cheguei depois do João Carlos Belmonte, da Guaíba, que conversava com Pelé. Do outro lado Valdomiro entrevistava um jogador do Grêmio. Eu ali esperando. Belmonte terminou. Pelé olhou para mim. Respondi que tinha que esperar. Então ele colocou a mão no meu ombro e disse:

- Vamos para o vestiário.

Fui. A gente não diz não a um Rei. O vestiário para os visitantes no Estádio Olímpico ficava do outro lado. Debaixo das arquibancadas. Entramos e sentamos um ao lado do outro. Os velhos vestiários do Estádio Adolfo Konder, atrás do gol dos eucaliptos, eram melhores. Sentado olhava o musgo e limo no chão. Não lembro o que conversamos.

 

3 – Fotografia

No dia seguinte ao jogo um fotógrafo da Cia. Caldas Junior, Floriano Bortoluzzi me encontrou na Praça da Alfândega, me parou e me disse que tinha tirado uma foto minha com o Pelé. Antes que eu pedisse, ele foi logo dizendo:

- Custa 150 cruzeiros.

- Hein! Não tenho dinheiro, Floriano!

Ficou assim: nunca paguei pela fotografia. Deve estar lá nos arquivos da Cia Caldas Júnior.

 

4 - Cara de sorte

Nilzo, ex-jogador do Metropol, dizia que Pelé era um homem de sorte e explicava que na frente do Estádio de Vila Belmiro tem uma praça, onde Pelé tinha o costume, depois dos treinos, de sentar, encostado numa árvore, e ler revistas em quadrinhos. Num destes dias um caminhão perdeu a direção na curva, invadiu a praça e derrubou a árvore. Neste dia Pelé não estava. Ficou treinando...

O filho da Dona Cotinha escutou a história da boca do Nilzo e a colocou no TCC, que apresentou no final do Curso de Educação Física, em Belo Horizonte, descrevendo a importância de Pelé no futebol.

 

5 - O que eu assisti...

Neste domingo, vi na TV o Gabriel Guimarães jogando pelo Arsenal (0) contra o Leicester (1) pela Liga Inglesa. Lembrei-me do Tite e da convocação dos jogadores para a Seleção Brasileira. Gabriel, ex-Avaí, enfrenta no campeonato inglês centroavantes como: Cavani, do Manchester United; Vardi, do Leiceiter; Gabriel Jesus, do Manchester Citi; Tino Werner, do Chelsea; Aguero, do Citi; Firmino, do Liverpool e Calvert-Lewin, do Everton. Todos serão titulares em suas seleções no mundial do Qatar em 2022.

O Rodrigo Caio enfrenta quem mesmo? Diga o nome de um centroavante bom que joga no Brasileiro e Libertadores?


6 – Sujo

Você sabe o que é jogar sujo?

Jogador sujo?

Tem uns no Brasil que fingem e gritam pela mãe quando caem.

 

7 - Defesa vazada

Geninho trouxe um lateral e um zagueiro para melhorar a defesa. Agora até o zagueiro faz gol contra. Além destes dois, tem o Ralf para ajudar. Em 17 jogos disputados a defesa do Avaí tomou 25 gols; a do Figueirense tomou 17 e a da Chapecoense uns 5 gols. O Geninho diz que o Avaí joga igual a Chapecoense.

Nas 17 rodadas do primeiro turno do Campeonato Brasileiro de Futebol da Série B, o Avaí perdeu de 2 a 1 para o Guarani, em Campinas, o Figueirense empatou no Estreito com o Juventude em 1 a 1.

 

8 – Bico a Bico

Sou daqueles que acreditam que um time tem que ter uma “meia cancha” formada com três: um de contenção, um que saiba passar e o outro que corra de bico a bico da grande área, que os ingleses chamam de “Box a Box”. Então lembro do Pedro Castro, do Avaí, que já jogou de 5; 8; 10 e agora de 7. O Geninho sempre arruma um lugar para o Pedro correr, assim o Valdívia não sai do time.

 

9 – João Saldanha

Quando vejo os jogadores se benzendo, fazendo referência a Deus, Jesus e apelando para a religião quando entram em campo, lembro de uma frase do João Saldanha treinador, cronista, diretor de futebol e treinador:

- Se macumba ganhasse jogo, o futebol na Bahia terminava empatado!

 

10 – Todo mundo quer uma

Não precisava nome na camisa. Todos sabiam quem tinha o 10!

 

11 – Popular

Quem gosta de cinema conhece Robert Redford, um dos atores do filme “Butch Cassidy and the Sundance Kid”, em português - "Dois homens e um Destino”, dirigido por George Roy, em 1969, estrelado por Robert Redford e Paul Newman. Pelé quando jogou no Cosmos, de New York, tinha um escritório no mesmo prédio de Robert Redford. Numa solenidade, no andar térreo, Pelé e Robert, lado a lado.

Pelé foi mais assediado, como sempre. Robert não se conteve:

 “Cara como você é popular!” [iii]

________________________________________________________

FIM

 

[i] Praça Conde de Porto Alegre 

[ii] No currículo de Afonsinho diz que ele foi para o Santos em 1972. Eu não inventei a historia, o nome do livro, a cena dele sentando no sofá, a conversa que tivemos. Não pode ter sido em 1972 porque quando o Santos jogou contra o Grêmio, a data do jogo é a mesmo do dia do meu casamento.

[iii] Revista Veja desta semana, matéria sobre o Pelé.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

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