Outubro 29, 2020

Nossa Jogada

Nossa Jogada
Paulinho Pelaipe, foto de O Globo

1 – Saúde é o que desejo

Não é só ele que está tentando viver. Cacau Menezes, outro amigo, também tenta superar os efeitos desta crise sanitária. A luta pela vida que Paulinho Pelaipe trava no hospital contra a Covid-19 é muito mais dramática. Eu o conheci em POA, pelos anos 80, como diretor de futebol de salão do Grêmio e como gerente de uma agência da Caixa Econômica Estadual do RS. Laerte Pinheiro, ex-goleiro, treinador de futebol de salão, é tio da mãe dos meus filhos. O tio “Claer”, como chamava meu filho Daniel. Convivi com Pelaipe em POA e na praia de Capão da Canoa. Guardamos uma amizade. Ele como diretor do Grêmio, quando vinha a Florianópolis, presenteava o Daniel com uma camisa. Tirava tempo para conversarmos.

Eu sempre contava uma história do Daniel:

- Pai, o Paulinho é diretor do meu time. Não sabe nada. Só atrapalha!

Paulinho Pelaipe ria da ousadia do meu filho. Pois este ano foi contratado pelo Coritiba depois do sucesso no Flamengo. No dia 16 de outubro foi internado e em seguida foi para a UTI do Hospital Nossa Senhora das Graças. No momento respira com ajuda de aparelhos. Está entubado!

Meu filho Daniel me diria: “Pai, espero que a médica que cuida dele entenda mais de medicina do que ele de futebol!”

Garanto que ele iria rir. É o que espero...

 

2 - Penhora

O Figueirense ofereceu como penhora, para pagar as dívidas fiscais com a PMF, um terreno que está localizado atrás do Ginásio de Esporte Carlos Alberto Campos, onde, pelos anos 70, o Major Ortiga, presidente do clube, construiu uma piscina, que foi aterrada para que a PMF erguesse um ginásio esportivo. Até hoje não pagou a indenização, agora quer cobrar.

 

3 – De graça ou meia

Existem leis que permitem a aposentados entrarem de graça em eventos populares e estudantes pagarem meia entrada. Em contrapartida, o Estado e as Prefeituras não indenizam os promotores. Os clubes de futebol sustentados por sócios, que pagam pelo estado o direito do outro não pagar. Na apresentação dos projetos, aprovados por deputados e vereadores, deveria constar de onde sai os recursos para indenizar clubes e promotores de eventos. Que tal dar um desconto nos impostos ou liberar publicidade de alguma estatal nos painéis nos estádios?

 

4 - Reforço

Está chegando um jogador de 21 anos para o Figueirense que é reserva e recém promovido pelo Atlético Mineiro. Por que será que um jovem jogador de futebol de 21 anos de Minas Gerais é melhor do que um jovem formado em Santa Catarina?

 

5 – Battistotti e o dinheiro

“Gestão financeira. Não pode gastar mais do que arrecada. Tem de levar isso a sério, doa a quem doer, apesar das pressões para contratar com salário alto e gastar o que não tem com reforços. Não adianta prometer e depois não pagar. Na CLT, se o funcionário não produz você demite. No futebol, se não render você continua pagando...”

 

6 – Botafogo falido

Lembrei de uma conversa do Alcides Tavares, presidente do Figueirense, com o treinador Lauro Burigo. Sadi Lima, presidente do Conselho, ao lado escutava. Alcides insistia que só podia pagar 5 mil e Lauro exigia 10 mil. A conversa se estendia, até que Sadi, com seu vozeirão interferiu:

- Alcides aceita. Ele sabe que tu não podes pagar. Ele sabe que não vai receber.

Pois o futebol brasileiro é gerido assim. É para lembrar a entrevista de Carlos Augusto Montenegro: “O problema do Botafogo é a receita. O clube está falido. Não tem dinheiro para pagar água e luz, ficam pedindo Luxemburgo, Abel. Só conseguimos pagar salários. Outro dia comprei 18 bolas de futebol para eles treinarem. Não tinha bola”.

 

7 – Simbólico

A Chapecoense, escreve um jornalista, pode conquistar o título simbólico do primeiro turno. Vale o que? Lembro que o Criciúma ganhou um e no segundo turno foi rebaixado. Que mania de enaltecer a conquista no meio do caminho.

 

8 – Gastãozinho faria melhor

Compra um carro de 150 mil e deixa na rua porque não tem garagem. Com 50 se compra uma garagem. Garagem não dá status. Pois você sabe que para alguns, quem nasce em SC, mesmo tendo formação acadêmica ou exerce algum ofício, não serve nem para ser treinador, diretor, massagista, fisioterapeuta, árbitro de futebol, jogador ou comentarista? Os especialistas sabem tudo. Esta semana contrataram o advogado Marcelo Jucá Barros, no Rio de Janeiro, para fazer a defesa do Alemão, jogador do Figueirense. O melhor advogado especializado em Direito Esportivo do Brasil era de Santa Catarina: Marcilio Krueger. Fico imaginando que no futuro irão contratar homens de fora de Santa Catarina para casar com as nossas filhas.

 

9 – Michael Jordan

O melhor jogador de basquete da “minha época” lembrou que Tiger Woods teve seu melhor momento antes das redes sociais. Esta invenção mudou muito a forma de validar uma opinião. Hoje invadem a vida privada, não se tem mais intimidade e nem privacidade. Um comentário inocente por ser mal interpretado. Sobre quem é o melhor, citou que é, na opinião dele, Kareem Abdul-Jabbar. Mas se trata de um debate fictício.  Ganhou seis campeonatos, Bil Russel ganhou onze. Nunca jogou contra ele. Eram épocas diferentes. Tiger nunca enfrentou Jack Nicklaus, Messi nunca enfrentou Pelé, no Mundial de 70, por exemplo. Uma discussão de botequim.  

 

10 - Copa do Brasil

O Sergio Nativo vai gostar. Benzema e Mendy, no intervalo do jogo Real Madrid (2) de Borussia (2) conversaram em francês e vazou que Benzema pede a Mendy que não jogue ou passe a bola para Vinicius Jr. “Ele joga contra; não faz nada com sentido; faz o que quer e quando se enfuncha, perde a sua essência”. Outro dia gritou: “Vinicius, levanta a cabeça!”.

Então me lembrei do Valdivia. Ele joga para o Avaí? Pois para mim o Thiago Alagoano do Brusque, líder da Série C, joga mais do que o Valdivia no Avaí; Matheus Barbosa que foi do Tubarão e joga no Cuiabá, mas do que Valdivia no Avaí; Diego Jardel, reserva no Cuiabá, joga mais do que o Valdivia no Avaí.

 

11 - Janelão

Este “janelão” que a vice-governadora Daniela Cristina Reinehr, natural de Maravilha como o ex-governador Cacildo Maldaner, assumiu o governo por uma “janela”: um janelão maior do que aquele que o Figueirense passou para entrar na Série B do Brasileiro. Bota janelão nisso.

 

Fim.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

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