Outubro 30, 2020

O álibi perfeito

O álibi perfeito

Dando um tempo no formato temático de Cine & Séries, mas garantindo a leitura semanal para quem segue a coluna. Toda sexta-feira,  uma nova "Crônica em Quarentena" e, claro, dicas de filmes e séries para amenizar esses tempos difíceis de pandemia e isolamento social. Fiquem bem!

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O álibi perfeito

Reconheço que as Crônicas em Quarentena andam meio sombrias nas últimas edições. Então para vocês não pensarem que não vejo o lado positivo da quarentena e do isolamento social tive um insight  a partir da observação de uma querida amiga.  Disse ela - não vou citar nomes pra não comprometê-la...rs - com toda a naturalidade do mundo: "a quarentena de me livrou de ter que ir a dezenas de aniversários, vernissages e estreias de conhecidos" !

Ri muito e fiquei pensando do que a quarentena teria me "isentado". Talvez de algum eventual "chá de panela" – ou "chá de cozinha", dependendo da região – uma celebração que acho bem aborrecida. Sabem como é? A noiva tem que adivinhar o presente que as amigas levaram para a nova casa e, se não descobrir, vai tirando a roupa e/ou tendo o rosto pintado. O pior é que depois precisa ir para a rua pedir dinheiro a desconhecidos.

Comecei a perguntar para outras pessoas se elas também transformavam o isolamento social em álibi para fugir de compromissos indesejáveis. Um homem, claro, disse que deu graças à pandemia por não poder fazer os exames de rotina que incluíam " enfiar uma agulha na veia para retirada de sangue". Melhor ainda, acrescentou ele, ter sido obrigado a cancelar a consulta ao urologista.

Outro conhecido respondeu baixinho para a esposa não ouvir que já fazia seis meses que não precisava almoçar na casa dos sogros todos os domingos. Agora, ele podia ficar em casa atirado no sofá, vendo jogo de futebol ou corrida de automóvel. Nem mais a barba é obrigado a fazer no final de semana ! Me pareceu bem feliz...

Resumo da ópera: a sabedoria popular costuma apontar que tudo tem um lado bom e um lado ruim. Assim, a tão mal falada quarentena e o isolamento social também podem servir de álibi para escapar de "ciladas". Nem precisa mais inventar desculpas esfarrapadas.

Só um alerta: não nos acostumemos com isso! Um dia vamos  perder o argumento e não recomendo a ninguém dizer que não vai mais almoçar na casa dos sogros,  deixar de ir aos aniversários dos filhos dos amigos ou interromper seus exames de saúde. E quando pudermos voltar a fazer isso vai ser porque terá acabado a pandemia e, de minha parte, vou ficar tãããooo feliz que estarei pronta a encarar dez "chás de panela" com um sorriso no rosto...

(Brígida De Poli)

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DICAS E DICAS

HBO/NOW

Piazzolla – Os anos do tubarão – documentário

Quando dei de cara com esse documentário sobre um dos músicos que mais admiro no mundo, fui capaz de desculpar a HBO andar com uma programação tão medíocre!

A sinopse diz: um retrato íntimo sobre a vida e a obra do lendário mestre do tango, Astor Piazzolla, a partir de imagens e áudios inéditos.

Acho que Pizzolla é muito mais que o "mestre do tango", é um gênio tanto na composição e interpretação com seu bandoneon, quanto como arranjador. Fiquei muito feliz ao vê-lo em imagens antigas, sorridente ao lado da família, e contando tudo para a filha que gravou o depoimento do pai em fita cassete. Ele até ri quando conta que se tornou odiado no seu país natal porque cometeu a heresia de juntar o tango ao jazz, a ponto de ser expulso por um motorista de táxi quando se dirigia ao aeroporto de Buenos Aires. Mas nem sempre foi fácil receber críticas dos conterrâneos, mesmo fazendo sucesso no mundo inteiro.

Como pano de fundo do documentário, o filho de Piazzolla está conhecendo a grande exposição que será montada sobre o pai e parece surpreso ao descobrir algumas coisas de sua vida. De minha parte, não lembrava mais que o argentino tinha uma deficiência física, uma perna bem mais fina que a outra, justamente aquela onde apoiava o instrumento pelo qual se tornou famoso internacionalmente. O filme me fez lembrar da epifania que tive quando assisti Piazzolla ao vivo bem no início dos anos 90. Infelizmente, quando ele se preparava para voltar ao Brasil com o novo espetáculo em 1992, teve um enfarte e se fué al cielo... !

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Netflix

Rebecca- a mulher inesquecível  - direção: Ben Weatley – 2020

Quem acompanha a coluna sabe que não curto remakes.  Para mim não faz sentido refilmar algo tão bom que ...mereça ser refilmado. Dessa vez não foi muito diferente, pois o original de 1940 foi dirigido por ninguém menos que Alfred Hitchcock e trazia Laurence Olivier e Joan Fontaine no elenco. Acabou, inclusive, levando o Oscar de Melhor Filme naquele ano.

Mas, vá lá...quem prefere um visual mais moderno pode gostar da nova versão do romance de Daphne Du Maurier que conta a história de uma jovem ingênua que casa com o viúvo de Rebecca, a tal mulher inesquecível. A jovem vai morar na mansão que é quase um memorial à falecida, mantido assim pela governanta que acha que ninguém no mundo está à altura da ex-patroa. Nessa refilmagem, o papel da nova esposa coube a Lilly James ( de Downton Abbey) e a empregada é feita pela ótima Kristin Scott Thomas.

 

O gambito da rainha – minissérie

Pra começo de conversa explico o título que eu não sabia a que se referia: gambito no caso não são as pernas finas de uma rainha...hahaha, mas uma importante  jogada no xadrez! Baseada no livro de mesmo nome escrito por Walter Tevis, lançado em 1983, a minissérie conta a história de uma jovem órfã do interior dos EUA que se torna uma sensação no jogo que exige inteligência e raciocínio. Anya Taylor-Joy, que interpreta a protagonista, confessou que nunca tinha jogado xadrez antes de filmar e que adorou a experiência. Ela já era conhecida por ter trabalhado na ótima série Peaky Blinders.

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Prime

Primeiro uma observação: a programação do Prime Vídeo anda muito fraca! No início tinha séries super boas como Mrs.Masel, Bosch, A mão de Deus, Goliath... Agora, incluíram outros canais no serviço que são pagos à parte (e a programação também não é das melhores).

Borat – Fita de cinema seguinte- 2020

Pra quem gosta do humor escrachado de  Sacha Baron Cohen, a novidade no Prime é o novo filme que traz de volta o atrapalhado repórter Borat, chegando aos EUA para entregar um presente ao governo americano. Nenhum líder mundial "polêmico" escapa da acidez e escatologia características de Sacha Baron, nem mesmo o presidente brasileiro que aparece logo no início do filme no Clube dos Tiranos junto ao ditador coreano Kim Jong-Un, Trump e outros..

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TELECINE

Dolittle – direção: Stephen Gaghan – 2020

O típico filme para ver "com toda a família". O personagem Dr.Dolittle, que conversa com os animais, é bastante conhecido de outras versões. Aqui ele é interpretado pelo sempre ótimo, Robert Downey Jr. Diz a sinopse oficial: o Dr. Dolittle vive com uma variedade de animais exóticos e conversa com eles diariamente. Quando a jovem rainha Victoria fica doente, o excêntrico médico e seus amigos peludos embarcam em uma aventura épica em uma ilha mítica para encontrar a cura.

Obs.: Para quem gosta de Robert Downey Jr. e quiser saber mais sobre a vida dele, o ator é um dos convidados da nova temporada de "O próximo convidado de David Letterman", disponível na Netflix. É uma delícia de entrevista e mostra também o rancho/ abrigo de animais onde o ator vive com a mulher!

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THE END

(*) Fotos reprodução/divulgação

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cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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