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O bolsonarismo foi criado para defender apenas os Bolsonaro

 

Assim como já aconteceu em São Paulo, quando Eduardo Bolsonaro se candidatou por lá a deputado federal mesmo tendo nascido no Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro tenta também seguir o mesmo caminho do irmão.

O pai, Jair Bolsonaro, foi quem indicou os dois filhos, só que em São Paulo o filho Eduardo não sofreu resistência dos políticos locais.

Aqui em Santa Catarina, a candidatura de Carlos ao Senado atrapalhou os planos do governador Jorginho Mello, que já tinha definido que seus candidatos seriam a deputada federal Caroline de Toni (PL) e o senador Esperidião Amin (PP).

Jair Bolsonaro disse que ele escolheria um e Jorginho o outro e Carol de Toni sobrou, pois o governador não pode deixar a Federação União Progressista cair no colo de João Rodrigues (PSD), o seu principal adversário.

Jorginho tentou usar primeiro o presidente estadual do Republicanos, deputado federal Jorge Goetten, mas necessitava de alguém mais forte para bater em Carlos. Aí surge a deputada estadual Ana Campagnolo, que aceita defender o governador, jogando a culpa pelo entrave no ex-presidente da República e principal líder do PL.

Mas os seguidores de Jair Bolsonaro, como o senador Jorge Seif e o deputado estadual Jessé Lopes, lembrar Jorginho Mello que primeiro vem a vontade de Bolsonaro e depois vem todo o resto.

Jair Bolsonaro precisa eleger os filhos para protegê-los do ataque de Alexandre de Moraes e da esquerda e para isso não vai admitir interferências, nem mesmo dos governadores do PL.

Jorginho sabe que não pode bater de frente com o presidente de honra do Partido Liberal, pois pode ter seu nome jogado aos leões nacionais como aconteceu com Ana Campagnolo.

A disputa interna do PL de Santa Catarina saiu dos limites estaduais e passou a ser questão de honra para os defensores da família Bolsonaro em ter Carlos como candidato a senador aqui no Estado.

Mesmo tentando usar várias estratégias para diminuir o prestígio de Carlos com o eleitor catarinense, nada surgiu efeito e vai ter mesmo que engolir a seco a decisão de Jair Bolsonaro.

A briga do PL catarinense precisa parar, pois já atinge a imagem de Jorginho e isso o coloca mais próximo de João Rodrigues, que é um amigo pessoal de Jair Bolsonaro e pode, e vai, sair ganhando dessa briga.

Muito porque Caroline de Toni vai precisar de um novo partido para manter a sua candidatura ao Senado e o Novo e o União Brasil são, nesse momento, as alternativas mais viáveis. O presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, já disse que acertou com Carol a sua ida para o partido, mas Jorginho tenta, através de Fábio Schiochet, manter a deputada federal do seu lado junto com o União Brasil e o PP de Amin.

Se Carol for mesmo para o Novo, ele provavelmente leva uma legião de prefeitos e vereadores com ela e, muito provavelmente, esses apoiadores deixam de ver Jorginho Mello como uma opção em 2026.

Ou seja, “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come” e o bolsonarismo sobrevive defendendo apenas as decisões da família que o criou.

 

 

 

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