Dezembro 18, 2020

O encontro de Mário Quintana com Jorge Ben Jor

O encontro de Mário Quintana com Jorge Ben Jor
Poeta Mário Quintana/Reprodução

Durante dois anos esta coluna só falou de filmes, séries e tudo que envolvia o Cinema. A cada semana, películas sobre um tema:  futebol, racismo, viagens, medicina, jornalismo, política... (estão todas em arquivo para quem quiser ler). Em março de 2020, com a chegada da Peste senti necessidade de escrever  sobre ela e suas conseqüências. Nasceram as “Crônicas em Quarentena”. Achei que iam durar pouco, mas a pandemia se estendeu.  Hoje, as crônicas falam de tudo e, desconfio, vieram para ficar. Mas, a coluna não perdeu sua essência que é a de falar sobre a Sétima Arte e seus afluentes. Boa leitura!

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O encontro de Mário Quintana com Jorge Ben Jor

Sabe quando a gente acorda com uma música na cabeça, sem tê-la ouvido no dia anterior e ninguém ter falado nela? Não se sabe de onde veio, mas ela fica o dia inteiro "tocando" na nossa mente?! Acordei com "ela vem chegando e feliz vou esperando, a espera é difícil, mas eu espero sonhando" . A melodia me perseguiu no café da manhã, no banho e na hora da escrita ! Abri a porta para o entregador de água mineral, cantarolando ela vem chegando ... Por cima da máscara percebi seu olhar de "a dona endoidou".

De repente, uma tarja no canal de notícias esclareceu de que recônditos da minha cachola veio a canção  "Zazueira", de 1968, do Jorge Ben Jor. De tão óbvio até me envergonhei de não ter matado a charada logo de cara. ELA era a tão aguardada, desejada, ansiada...vacina contra a Peste!

Apesar das sandices do governo sobre o plano de vacinação e as brigas pelo capital político, ganhamos uma esperança. Ah, essa palavra nunca soou tão importante como agora! O poema do Mario Quintana já andou por esta coluna há tempos, mas ele volta agora porque diz tudo sobre a meninazinha de olhos verdes que nos tira da tristeza e nos anima a aguardar pela nossa alforria, pois ela vem chegando...

ESPERANÇA

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA.

 (Brígida De Poli)

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DICAS DA COLUNA

Queen+Adam Lambert –The show must go on- document– Netflix

Confesso que fui atraída pelo documentário mais por causa de Adam Lambert do que propriamente pelo Queen. Explico: assisti a edição de American Idol em que Lambert foi disparado o melhor concorrente, mas acabou em segundo lugar. Algumas interpretações são de que a figura "doidona" e a vida pessoal , onde os tablóides publicaram fotos dele beijando outros homens, teria levado a conservadora plateia americana a votar no rapaz certinho que ficou com o prêmio principal e de quem praticamente ninguém lembra. Foi quase um golpe de sorte para Adam não ter levado o título porque isso possibilitou que ele se tornasse o vocalista do Queen. O documentário mostra a preocupação do cantor em "substituir" ninguém menos que Fred Mercury. Mas ficou claro para ele e os integrantes da banda que ele não seria um cover de Mercury, pois tem voz e personalidade suficiente para ter uma identidade própria. No mais, o documentário traz entrevistas com Fred e os shows da nova fase com os grandes sucessos do Queen que encontraram em Lambert o oxigênio para voltar aos grandes espetáculos. Um casamento perfeito! Dá uma olhada numa das apresentações ... ( Live at the 02/Londres)

 

O que os homens falam – direção: Cesc Gay – 2014 ( Prime)                              

Demorei a ver esse filme pelo preconceito com o título em português, mas ele é melhor do que esperava. No original, o título é " Una pistola en cada mano". São episódios mostrando oito homens chegando à meia-idade, suas crises de identidade e dificuldade de comunicação ( melhor seria do "que os homens não falam"). Não espere uma comédia escrachada, e sim um tipo de humor irônico. Mas o grande atrativo do filme está mesmo no elenco que mistura grandes nomes do cinema argentino ( Leonardo Sbaraglia e Ricardo Darín, por supuesto) e espanhol ( Luis Tosar e Javier Câmara).

 

Emma – direção: Autumn de Wilde – 2020 (Telecine/Now)

Eis que chega o remake de romance homônimo de Jane Austen, o último escrito pela autora inglesa. A trama se passa no século XIX e mostra a personagem " de quem ninguém vai gostar", na análise da autora. Ela é Emma Woodhouse, uma jovem rica e inteligente, que não quer se casar, mas gosta de bancar a casamenteira dos outros. Teimosa e petulante, a jovem acaba se metendo em confusões. A protagonista é interpretada por Anya Taylor-Joy ( muito popular pela série "O gambito da rainha").

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Adeus, Kim Ki Duk

Gostaria de saber xingar o coronavírus em coreano ! A Covid-19 levou o grande diretor sul-coreano Kim Ki Duk, o primeiro a colocar o novo cinema da Coréia do Sul no mapa mundial. Ele morreu aos 59 anos, deixando perto de 30 filmes, alguns premiados em Veneza e Berlim. Kim Ki Duk provinha de uma família humilde, não cursou Cinema e como autodidata iniciou sua carreira de diretor e roteirista aos 33 anos.

Para quem deseja conhecer o trabalho do diretor coreano, o melhor streaming é o Cine Belas Artes. Lá é possível encontrar três bons filmes de Kim Ki Duk.

 

Crocodilo ( 1996)

O primeiro filme dirigido por Kim Ki Duk conta a história de um homem que vive na beira do rio Han, em Seul, e salva uma mulher tentando cometer suicídio.

Primavera, verão, outono, inverno e...primavera (2003)

Através das quatro estações, o filme mostra os ciclos de nascimento, crescimento e declínio. (foto)

 

Sonho ( 2008)

No seu 15° filme, Kim Ki Duk conta sobre um artista plástico que tem um pesadelo com um acidente que realmente acontece. A partir daí, sua vida começa a se confundir entre sonho, delírio e realidade.

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THE END

(*) Fotos reprodução/divulgação

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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