O ex-prefeito Mário Hildebrandt (PL), que hoje comanda a Defesa Civil de Santa Catarina, saiu da Prefeitura de Blumenau em dezembro de 2024, mas parece que a Prefeitura não pretende esquecê-lo tão cedo.
No início desta semana a Câmara de Vereadores de Blumenau marcou a data do depoimento de Mário para ele dar explicações na CPI sobre ações do seu governo referente ao contrato de concessão do sistema de esgoto sanitário da cidade.

Na quarta-feira, 26, a 14ª Promotoria de Justiça e o Gaeco cumpriram 17 ordens judiciais em Blumenau, Gaspar, Pomerode e Brusque para investigar suspeita de corrupção ativa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro num esquema que envolvia empresas e a Secretaria de Conservação e Manutenção Urbana de Blumenau entre os anos de 2022 e 2024.
Segundo a Operação Carga Oca, a Prefeitura de Blumenau pagava por macadame que sequer eram entregues naquela Secretaria. Nas diligências, a polícia apreendeu 50 mil dólares e 80 mil reais.
Segundo o promotor Marcionei Mendes, foi descoberto que uma das empresas registrou 59 entregas de macadame por um único caminhão em endereços diferentes.
Além de ser um número de entregas muito acima do aceitável, esse caminhão sequer estava em Blumenau na data do registro das entregas. Num contrato de R$ 7 milhões, estima-se que foram entregues de fato apenas R$ 3 milhões.
Nessa investigação, estão envolvidos 7 empresários e 5 funcionários públicos, sendo um deles o ex-secretário da SEURB, Ricardo da Silva, conhecido no meio político como Ricardinho.
A Polícia Civil descobriu até que um dos empresários entregava carne para diretores da Secretaria como forma de pagamento.
MÁRIO EMITE NOTA
A gestão anterior da Prefeitura de Blumenau, através do ex-prefeito Mário Hildebrandt, informa que soube da operação deflagrada pela Gaeco na manhã desta quarta-feira, dia 26, e recebeu com serenidade a notícia. Ainda no primeiro semestre de 2024, quando do surgimento das primeiras evidências, sindicâncias internas foram abertas pela Procuradoria Geral do Município que identificaram os indícios de irregularidades e deram base para a contratação da auditoria externa, em apoio a Controladoria Geral do Município. Na ocasião, a gestão seguindo orientação da Controlaria Geral, também implementou o programa de integridade e aplicação de novos controles, buscando combater ocorrências desse mesmo perfil.
O relatório com o resultado das apurações na auditoria contratada foi pessoalmente entregue pelo ex-prefeito ao Ministério Público ainda em 2024 e utilizado na investigação. Quando da entrega pessoalmente dos documentos, o então Prefeito solicitou a apuração dos fatos pela justiça.
A operação da Gaeco e do MP é resultado também da auditoria externa contratada, quando surgiram as suspeitas de ilegalidades cometidas dentro da então Secretaria de Manutenção e Conservação Urbana.
A gestão anterior reforça que está completamente à disposição da justiça se necessário for, para auxiliar nas investigações.









