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terça-feira, 16 agosto, 2022

O metaverso é realmente um ambiente mais seguro?

Pixabay
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À medida que o metaverso dá o salto para a realidade, os profissionais estão ansiosos para descobrir onde essa nova fronteira se encaixa em suas estratégias. Algumas das pressas para aderir ao metaverso podem ser o resultado de marcas que não querem repetir erros passados de ficar de fora por muito tempo, quando surgiram tecnologias digitais em movimento rápido. O McDonald ‘s, por exemplo, entrou no Twitter em 2009 – três anos após o lançamento da plataforma. A Apple foi ainda mais tarde, não aderindo até 2011.

Para muitos, o metaverso é o próximo passo natural para a internet. O Facebook mudou seu nome para Meta, sinalizando um maior foco nisso, em um momento no qual as mídias sociais estão mostrando sinais de amadurecimento. Uma plataforma conectada onde as pessoas podem se reunir e se envolver no comércio digital pode ser o próximo passo para as mídias sociais. As marcas não se limitam mais a espaços físicos — ou produtos físicos — à medida que esse universo cresce em valor.

Por outro lado, há evidências de que, como em outras plataformas digitais, à medida que a popularidade aumente, chame a atenção de maus elementos, assim como grupos extremistas ou de ódio, que por sua vez, podem usá-la de maneira a disseminar suas ideologias.

Em um primeiro momento, o metaverso foi saudado como uma maneira de potencialmente restringir esses discursos on-line, ao mesmo tempo em que protegeria a privacidade do usuário. A ideia inicial era de que plataformas como a Decentraland poderiam ajudar a eliminar as narrativas desse tipo através de contratos inteligentes e monitoramento comunitário. A maioria dos espaços metaversos são administrados pelo usuário, o que significa que eles têm a capacidade de banir infratores.

Em teoria, isso é ótimo. Se alguém entra em uma barra virtual com uma calúnia para o nome de usuário, essa pessoa pode ser facilmente eliminada e ejetada. No entanto, na prática, isso provou ser menos eficaz do que se poderia esperar. Por exemplo, a comunidade que governa a Decentraland não conseguiu reunir votos suficientes para proibir o uso de “Hitler” como parte de um nome de usuário.

Portanto, é imprescindível que as empresas pensem em maneiras de impedir que seu espaço metaverso seja invadido por usuários que tenham esses vieses. Em contrapartida, de acordo com a maioria dos especialistas no assunto, a Web 3.0, assim como o ambiente meta pode e deve ser menos arriscado do que outras plataformas, visto que as comunidades que estão envolvidas com ela são muito mais fechadas.

Entretanto, é importante ressaltar que a auto regulação pode ser evasiva e autoritária. Permanecem dúvidas sobre como as coisas devem ser reguladas e quem deve fazer a regulação. Há preocupações de que plataformas como a própria Decentraland e outras, possam depender demais dos usuários para administrá-las e moderar as discussões. Em última análise, cabe às marcas garantir que sua pegada digital permaneça segura, especialmente por conta das questões sobre a escalabilidade desses métodos.

 

Contratos inteligentes

Uma maneira de aumentar a segurança da marca é através do uso de “contratos inteligentes”. Estes programas são armazenados no blockchain que só são ativados sob certas condições. Se as condições do contrato inteligente forem violadas, o programa não será executado. Se as marcas construíram certas regras em torno do decoro e comportamento em um contrato inteligente obrigatório, elas podem ser capazes de se manter seguras.

Contratos inteligentes podem ser uma forma de mitigar alguns riscos para as empresas. Não obstante, elas jamais devem realizar esses contratos sem uma boa gestão e com profissionais que entendam bastante sobre o segmento. Antes de montar um contrato inteligente, é preciso ter uma equipe que entenda bem sobre os dilemas e percalços da implantação dessa tecnologia.

Embora muitas marcas insistam em fazer parte do metaverso e produzir NFTs, algumas não querem ser pagas em criptomoedas. Isso pode complicar ainda mais as coisas se elas não quiserem criar uma carteira digital. Sem uma carteira digital, qualquer pessoa pode ser roubada no metaverso, já que sua criptomoeda é deixada desprotegida. Esse fenômeno se dá pelo fato de que alguns especialistas acreditam na tese de que o mercado atual de NFT é uma bolha pronta para estourar. Outros enxergam como a espinha dorsal desse novo mundo digital. Em suma, nem todos estão confortáveis em investir.

Embora carteiras e contratos inteligentes tenham o potencial de manter marcas e consumidores seguros no metaverso, educar as pessoas sobre como elas trabalham provavelmente será um desafio, já que muitos não entendem o que isso implica. Atualmente, apenas 38% dos americanos estão familiarizados com o metaverso, e 42% dos familiarizados com a plataforma podem descrever corretamente o que ela é, segundo pesquisa da Ipsos. Tal realidade deve ser ainda mais profunda no Brasil, dado ao fato de que essas inovações são ainda mais recentes em nosso mercado.

 

Não estamos prontos para isso

Apesar do hype, o metaverso é uma tecnologia ainda em um processo de maturação e sua capacidade de obter uma adoção mais ampla pode ser prejudicada à medida que um acerto de contas mais amplo em torno da privacidade digital ocorra. Surgiram, por exemplo, preocupações em relação a grande quantidade de dados que o metaverso criará em seus usuários, como a biometria.

Com a tecnologia sendo tão nova, alguns experts do assunto estão se perguntando, que talvez as marcas estão se movendo muito rápido, dada a forma como a adesão do consumidor permanece baixa. Uma parcela deste problema é que se leva muito tempo para configurar um avatar. Para muitas marcas, a novidade do metaverso por si só pode não ser suficiente para obrigar os usuários a se juntarem a esse universo.

Todavia, existe uma conexão estabelecida com a cultura juvenil, os consumidores podem estar dispostos a ignorar os problemas do metaverso. Por exemplo, a base de fãs da Nike pode aparecer disposta a usar a tecnologia para se envolver com sua marca favorita. Porém, uma empresa mais nova tentando usar o metaverso para se estabelecer, pode obter uma resposta sem tanto êxito assim.

Por fim, outra desvantagem para os profissionais é que neste instante não há um metaverso unido, o que existe é várias plataformas, sem uma interconectividade. Marcas que se concentram demais no onboarding podem perder todo o ponto de conexão virtual e interação. Em seu núcleo, o metaverso é um jogo. Então, embora seja uma maneira de as pessoas passarem o tempo online e se conectarem com amigos, ele não deve ser tratado como outras plataformas de mídia social. Em vez disso, as empresas devem pensar em termos de videogames e projetar sua estratégia para se adequar ao que torna o jogo atraente.

*Por Adriano da Silva Santos, jornalista e escritor, formado na Universidade Nove de Julho (UNINOVE).

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