Outubro 04, 2021

O público juvenil continua fugindo da TV

O público juvenil continua fugindo da TV

O encerramento da novela juvenil Malhação é mais do que mais um corte de custos na Globo na luta para estancar o prejuízo e salvar o ano (aqui). Representa, na verdade, a incapacidade em reconquistar da audiência jovem. A debandada se mostra irreversível.

A TV aberta está sendo atropelada pela plataforma de streaming, por games e acima de tudo pelo YouTube. Jovem não vê mais TV com hora marcada. Vê quando lhe dá vontade, no celular ou no notebook.  

A falta de renovação de público é o grande enigma a ser resolvido. Não há novidades no ar. Está tudo cheirando a mofo. Roupas, textos, assuntos. As pautas são as mesmas da semana passada, do mês passado, do ano passado.

Os temas de serviço são raros e feitos de estúdio. A reportagem anda pouco na rua, por isso não representa o que o povo quer saber. Há receio de inovar. Por isso, a TV vai definhando diante de nossos olhos como aquelas velhas locomotivas jogando fumaça no ar rumo ao desconhecido.

 

Setembro

Os dados do Ibope de setembro atestam o problema: foi a pior audiência mensal de todos os tempos, com a Globo pela primeira vez abaixo dos 11 pontos no Painel Nacional de Televisão. Foram 10,9 pontos na média das capitais medidas. E para ilustrar ainda mais o dilema, a segunda maior audiência foi o chamado “conteúdo de tv/vídeo sem referência”, que considera serviços como Neflix e Prime Vídeo e outros, com 6.2 pontos na média das 24 horas. Só depois vem as outras TVs abertas, a Record com 4,4 pontos e o SBT em queda para 3,6.     

 

Novidades?

A falta de renovação é geral, com a repetição de fórmulas e rodízios que ainda apostam em personagens com carimbo de “já visto”. Faustão, há mais de 30 anos no ar, vai tentar salvar a Band. Deixou lugar para Luciano Huck, que ocupa o domingo com o mesmo que fazia no sábado. Aos sábados, ressuscitaram Marcos Mion. E ontem, estrearam programa de games na Globo com pouca repercussão, sem encontrar a linguagem para os jovens. Na apresentação, Fernanda Gentil – campeã em estreia de programas sem sucesso.

No regional, a segurança de fazer sempre o mesmo nos impõe o mesmo formato com o receio de inovar. Mesmo quem teria a obrigação de fazer diferente, porque tem pouco a perder, se acomodam na falta de audácia.   

 

CBN

 

A rádio de notícias do Grupo Globo comemorou 30 anos de fundação semana passada e andou esquecendo de homenagear seus idealizadores, entre eles Jorge Guilherme Pontes e Laerte Rímoli. Eles foram lembrados em vários posts dos colegas gaúchos, entre eles, Claudio Moretto, ex-Rádio Gaúcha, que escreveu no Facebook: “lembro do Jorge Guilherme fazendo uma imersão na Rádio Gaúcha para ver como fazíamos uma rádio de jornalismo falada durante 24 horas. Ele ficou conosco por quase uma semana. Ficou surpreso com aquilo tudo e levou grande material para o Rio”.

 

Curtas:

1. A eleição está se aproximando e já há sinais de candidato chegando para ocupar espaço na mídia. A velha fórmula para buscar votos quando não existe projeto político;

2. Luciano Hang mereceu defesas apaixonadas na mídia depois de sua presença na CPI. Em especial no SCC/SBT, onde a empresa dele é patrocinadora;

3.  O radiojornalismo da capital continua sem repórteres de rua, com exceção da Jovem Pan.

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Publisher, colunista e owner do Portal Making Of, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário, além de coordenador do comitê editorial da RBS em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há sete anos.

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