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terça-feira, 16 agosto, 2022

O TOMBO

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O TOMBO

A senhora corpulenta, envolta em sua echarpe de“Iris” do van Gogh, começa a levantar-se para ir ao buffet quando ….paft…a perna da cadeira quebra e ela se estatela no chão. O salão de café lotado vira-se para olhar. As pessoas da mesa ao lado correm para tentar ajudar. Ela tem dificuldade de erguer-se. Tudo se passa em poucos minutos, mas parece uma eternidade. Depois de algum tempo, refeita do susto e apesarda dor no joelho e no ego, ela se dirige, impávida, à mesa de doces. Sim, eu jamais abriria mão dos doces, mesmo arrastando um pouco a perna.

O episódio fez-me lembrar de uma colega que usava óculos de lentes grossíssimas e caía na rua com frequência. Ela recusava ajuda de estranhos. Contava que preferia não chamar a atenção e ficava deitada na calçada, disfarçando!

Puxei pela memória sobre quantas vezes me vi nessa situação. Um caso marcante foi cair das escadinhas do restaurante penumbroso durante ojantar comemorativo da rede de televisão para quem eu trabalhava. Aconteceu logo após ser sorteada com o mais desejado brinde da noite, ou seja, eu estava sob os holofotes. Só recordo de ser “juntada” pelo famoso  e lindo apresentador da emissora. Mas, tenho certeza que já contei isso para vocês em outro contexto.

Há na queda, para quem leva, um sentimento de vergonha; para quem assiste, vontade de rir. Talvez por isso, os palhaços usem tantos tombos nas suas apresentações. Ou será o contrário ? Em outros tempos, eu ficaria mortificada dias por causa do vexame. Mas, a idade coloca as coisas em sua real dimensão. Que importância teve o “mico”? Nem conhecia aquela gente e estava acompanhada por pessoas de minha intimidade. Saí do café colonial de nariz em pé e ainda fui isenta do pagamento por causa da falta de manutenção nas antigas cadeiras do hotel.

Meu maior pagamento pelos eventuais hematomas nem foi o café grátis. Foi, enfim, encontrar um tema para a crônica desta semana. Há males que vem para bem, falam as matriarcas aforistas da minha família.

Agora, com licença, que vou ali passar pomada…ai,ai…

(Brígida De Poli)

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Haicai também é literatura minimalista!

O haicai é a forma de poesia breve mais praticada o mundo e quase milenar. A partir desta bela gravura, os escritores do @literaturaminima foram desafiados a criar um haicai, obedecendo a estrutura em três versos com a métrica 5-7-5. O estilo é também marcado por seu caráter contemplativo. ( Mentoria: RobertsonFrizero)

Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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