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terça-feira, 16 agosto, 2022

O universo agridoce de Jane Austen – 1ª parte

Elenco de "Persuasão" (2022) -divulgação Netflix
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O universo agridoce de Jane Austen – 1ª parte

Uma de minhas autoras favoritas é a inglesa Jane Austen. Nascida em 1775, ela começou a escrever aos doze anos de idade. Seus temas centrais eram  amor, casamento e sociedade. Se você não a conhece, não pense que as histórias da jovem eram apenas românticas ou as chamadas “ água com açúcar”. Por trás da trama amorosa, existe uma autora irônica e crítica aos costumes da época que limitavam o destino das mulheres ao matrimônio. Jane, que nunca chegou a casar, sentiu na pele a inferioridade feminina na sociedade, a ponto de precisar lançar seus livros de forma anônima. Só depois de sua morte, em 18 de julho de 1817, o público soube que era ela a autora dos romances de que tanto gostavam, como por exemplo, Orgulho e preconceito.

Jane publicou seus oito romances antes do surgimento do cinema, mas já escrevia para ele sem saber. Suas histórias são tão cinematográficas  que algumas foram adaptadas várias vezes. É o caso de Persuasão, o último livro completo escrito por ela, publicado postumamente, em 1817.

Depois das produções inglesas de 1995 e 2007, baseadas em Persuasão, chegou agora na Netflix , a versão americana , com Dakota Johnson, atriz famosa como a ingênua virginal de “ 50 tons de cinza”.  Foi esta a inspiração para a coluna de hoje, mas falo também de outros exemplos do mundo agridoce de Austen que foram parar nas telas. São tantos que foi preciso dividir em duas partes. Jane, grande Jane…

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Persuasão  – direção: Carrie Cracknell – Netflix – 2022

Apesar da diretora ter tomado algumas liberdades, a marca de Jane Austen está no filme. A trama é simples: Anne, a filha menos valorizada de uma família nobre, foi persuadida a desmanchar o noivado com seu amado por ele ser um marinheiro sem dinheiro nem título de nobreza. Oito anos depois do rompimento, os dois continuam solteiros e se reencontram. Mas, agora ele tornou-se  capitão e a família de Anne está falida. Cada um tem deles tem um novo pretendente.

Um dos problemas desta nova versão é o elenco: Dakota Johnson, famosa como a ingênua virginal de 50 tons de cinza, até convence como Anne, mas o ator Cosmo Jarvis, deixa a desejar. Falta entre eles a necessária “química”, talvez.

Na tentativa de inovar, a personagem de Dakota se dirige ao público, olhando para a câmera e explicando o que já é óbvio na história. Outra “ousadia” – talvez inspirada na série “Bridgerton” – foi a de colocar atores negros em papéis que, historicamente, seriam impensáveis. O malaio Henry Golding , bem mais interessante que Jarvis, cumpre a cota asiática no elenco. Ele é o primo herdeiro e novo pretendente de Anne.

 

Persuasão –  direção: Roger Michell –  1995

Este já vem com a vantagem de trazer a marca BBC. Sem preocupar-se com a beleza dos personagens, como na versão americana, o elenco é muito mais eficiente: Ciáran Hinds e Amanda Roots interpretam o casal central. O irlandês Ciáran ganhou Hollywood depois de sua passagem pela obra de Jane Austen. Acabou fazendo até  Dumbledore, um dos personagens mais importantes da saga de Harry Potter.

Reprodução/Divulgação

 

Persuasão – direção:  Adrian Shergold  –  2007

Nesta refilmagem  também britânica a curiosidade é que Anne foi interpretada por Sally Hawkins, atriz sem grandes atrativos físicos , que faria o papel principal no premiadíssimo  A forma da água, de Guillermo Del Toro. A produção é da ITV e veio no rastro do sucesso dos remakes de Razão e Sensibilidade na época.

Reprodução/Divulgação

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Orgulho e preconceito,

Considerada a obra-prima da autora, foi escrito em 1787 e publicado em 1813, sob o pseudônimo de “Uma senhora”.

Este é o livro de Jane Austen que mais rendeu versões para as telas: cinco filmes, três séries, um musical e uma websérie.

A trama se passa na Inglaterra, 1797. As cinco irmãs Bennet – Elizabeth , Jane Lydia, Mary e Kitty  – foram criadas por uma mãe que tinha fixação em lhes encontrar maridos que garantissem seu futuro. Porém Elizabeth deseja ter uma vida mais ampla do que apenas se dedicar ao marido, sendo apoiada pelo pai .Quando o sr. Bingley, um solteiro rico, passa a morar em uma mansão vizinha, as irmãs logo ficam agitadas. Jane logo parece que conquistará o coração do novo vizinho, enquanto que Elizabeth conhece o bonito e esnobe sr. Darcy . Os encontros entre Elizabeth e Darcy passam a ser cada vez mais constantes, apesar deles sempre discutirem.

 

Orgulho e preconceito – 06 episódios – 1995

Esta minissérie costuma ser a adaptação favorita dos fãs de Jane Austen. Não por acaso é da BBC. Um dos trunfos é o ator Colin Firth que criou um dos mais perfeitos Mr. Darcy, personagem icônico da autora. Curiosamente, ele voltaria ao papel na versão contemporânea e livre em “ O diário de Bridget Jones”, com Renée Zelwegger.

Reprodução/Divulgação

 

Orgulho e preconceito – direção: Joe Wright – 2005 – Netflix

Gosto muito do filme lançado dez anos depois da famosa minissérie. Keira Knightley  está maravilhosa como Elizabeth Bennet e a química com Mathew McFadyen é perfeita. O Mr.Darcy criado por ele não ultrapassou Colin Firth no coração dos fãs, mas deu ao personagem um ar ainda mais melancólico e introspectivo, a ponto de comover, principalmente, na cena em que finalmente sua amada e ele se unem. Atualmente, McFayden brilha na série “Succession” no papel do genro pusilânime do patriarca. Já Keira, nasceu para fazer filmes de época, como provou no belo “ Desejo e Reparação”. Donald Sutherland, no papel do pai e Brenda Blethyn, a mãe, estão impecáveis.

Reprodução/Divulgação

Orgulho e preconceito e zumbis – 2016

A história  de Jane Austen rendeu até uma paródia Orgulho e Preconceito e Zumbis, adaptada do livro homônimo de Seth Grahame-Smith, de 2009. O filme mistura comédia e romance com um pouco de terror, mas tudo de forma bem trash. Alguns diálogos do clássico são mantidos e se misturam com a nova temática de uma Inglaterra do século XIX tomada por mortos-vivos enquanto as irmãs Bennet são treinadas desde pequenas para matar zumbis. Lily James que interpreta Elizabeth é uma das atrizes de maior projeção no momento, tanto em Cinderella como em Yesterday, A Escavação e Mamma Mia.

Reprodução/Divulgação

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E  quem não curte Jane Austen? Calma, aí vão algumas sugestões para o fim de semana.

Filmes

438 dias – direção: Jesper Ganslandt – 2019 – Netflix

Baseado no livro de Johan Person e Martin Schibbye, dois jornalistas que suecos arriscaram suas vidas ao cruzar ilegalmente a fronteira da Somália com a Etiópia, em junho de 2011. Eles pretendiam relatar a opressão dos cidadãos locais por uma lógica de exploração do petróleo quando foram feitos prisioneiros pelo governo etíope. Acusados de terroristas foram condenados a onze anos de prisão, enquanto a diplomacia sueca usava métodos pouco eficientes para retirar os dois do país. Foram 438 de inferno.

Nota: Um dos jornalistas é interpretado por Gustaf Skarsgard, mais um membro do clã Skarsgard: o pai ,Stellan, e os irmãos Aleksander e Bill são os mais famosos, mas os outros também são atores. Gustaf fez a série “ Os vikings”.

Reprodução/Divulgação

Capote – direção – Erbs Burnough – documentário  – Now

Como eu já tinha lido o livro e visto os dois filmes biográficos do escritor Truman Capote, achei que nada me surpreenderia no documentário “The Capote Tapes”. Acontece que ele é todo produzido com imagens e entrevistas de época, algumas inéditas, então acompanhamos o dia-a- dia do controverso autor entre seu céu e inferno. Depois de ser aceito na alta sociedade novaiorquina,  seu maior sonho, Capote começa a escrever “Answered Prayers” (Súplicas atendidas) que deveria ser sua nova obra-prima  depois de “ A sangue frio”. Seria  um retrato épico da reluzente alta-sociedade de Nova York. Em vez disso, foi o que provocou a sua derrocada, pois os retratados odiaram ver sua intimidade exposta já nos primeiros textos. Através de material de arquivo de áudio inédito e entrevistas com amigos e inimigos de Capote, este documentário íntimo revela a ascensão e queda do escritor icônico. Mostra também sua sofrida infância, dificultada pelo fato de ser gay e ter sido abandonado pela mãe.

Reprodução/Divulgação

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Séries

Westworld – 4ª temporada – 8 episódios- HBO/HBO Max – 2022

A série de ficção científica divide opiniões. A primeira temporada ,que trouxe até Anthony Hopkins no elenco, fez enorme sucesso. As histórias seguintes exigiram grande atenção do público pela complexidade e muita gente abandonou pela metade. A nova temporada que acaba de chegar no streaming promete contar uma história mais simples. Alguns atores , como o ótimo Ed Harris e Ewan Rachel Wood continuam no elenco.

Desta vez,  uma odisséia envolve o destino da vida consciente no planeta Terra e surge um novo parque com uma versão romantizada da Máfia Americana dos anos 1930. Maeve precisa tomar uma difícil decisão que decidirá o futuro da relação dos humanos com os andróides. E Dolores, a personagen de Ewan,recebe a oportunidade de recomeçar com uma nova vida

Pacto brutal – O assassinato de Daniela Perez – HBO Max

Um prato cheio para quem curte o gênero “real crime”. Esta história é bastante conhecida do público brasileiro, pois envolveu dois jovens atores da Globo e a vítima era filha de uma das novelistas mais prestigiadas do país, Glória Perez. Mesmo assim, a produção promete novas informações sobre o assassinato da jovem cometido por um colega de elenco com a participação da mulher.

Reprodução/Divulgação

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E vem aí …

Reprodução/Divulgação

De 04 a 10 de agosto, Florianópolis recebe o 8 ½ Festiva do Cinema Italiano.

Na programação estão Ennio, o Maestro, documentário de Giuseppe Tornatore em homenagem ao grande músico Ennio Morricone, compositor de algumas das mais belas trilhas da história do cinema;  Mamma Roma (1962), de Pier Paolo Pasolini; Leonora, Adeus (2022), de Paolo Taviani e outras ótimas produções.

A programação completa está aqui https://festadocinemaitaliano.com/

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Questo é tutto, ciao!

cronica

Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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