Fevereiro 24, 2017

O xadrez eleitoral do Estado está em movimento

Na mesma semana em que, em uma reunião entre PSD e PSB, o deputado Gelson Merisio foi pré-lançado ao governo do Estado e uma aliança estaria concretizada com tamanha antecedência, o deputado Rodrigo Minotto (PDT), a pedido do eterno líder brizolista Manoel Dias, convidou oficialmente o deputado federal Décio Lima (PT) para concorrer ao governo pelas hostes pedetistas. Foi apenas a confirmação de uma especulação que já dura meses, que implicaria na saída de Décio e da mulher Ana Paula Lima, deputada estadual, em um processo de desmonte petista no Estado.

À coluna, há uma semana, Décio negou o movimento, mas não o convite e ponderou que é fundador do PT no Estado, detentor da ficha número 02, e que aposta em um processo de recuperação da sigla. Sem querer, os brizolistas impulsionam o nome de Décio, tido como ponderado e de boa circulação em partidos da chamada direita, PSD, PP e DEM, em Santa Catarina e em Brasília, mas um nome respeitado igualmente para o PMDB e PR.

 

Cedo demais

A proposta de antecipar nomes como Merisio e Décio ao governo é uma estratégia de grande risco. Pavimenta um caminho, mas pode, ao mesmo tempo, intensificar o enfraquecimento precoce das pré-candidaturas ou atiçar dossiês e forças dispostas a minar eventuais aliados.

 

Sem eles é difícil

Na proposta pró-Gelson Merisio, PSD e PSB sabem que só conseguirão ganhar musculatura eleitoral se atraírem o PP, de Esperidião e Angela Amin, com aquela retórica de vínculos históricos, mais alguém de peso, como o cobiçado PSDB ou PR. Os tucanos já avisaram que lançam uma pré-candidatura em dezembro próximo e o PMDB manobra nos bastidores com muitas conversas e a aposta que, em algum momento, o governo de Michel Temer deslancha.

 

Assunto proibido

O que os líderes estaduais, de A a Z, não querem considerar é que a eleição à Presidência da República, também no ano que vem, deverá impor severa interferência nas composições catarinenses. Sem verticalização, dá até para defender o discurso que não precisa seguir a coligação para apoiar o mesmo candidato – a velha tática do palanque múltiplo -, algo diferente da realidade em Brasília. Temer transformou o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) em líder do governo na Câmara para agradar o centrão, que ainda insiste em existir e o fará por muito tempo pela influência, e está cada vez mais próximo dos tucanos, ao dar ao senador Aloysio Nunes Ferreira, de São Paulo, para o Ministério das Relações Exteriores, uma substituição taco a taco do senador José Serra, também paulista. PMDB e PSDB estão próximo no momento delicado, imaginem quando a bonança vier.

 

Peixeiro

Na rota dos que procuram um espaço para firmar o nome, primeiro na instância partidária, o vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB), não tem parado. Quando passou por Itajaí, na última quinta-feira, estava acompanhado pelo presidente da Epagri Luiz Hessmann, no lançamento de um novo cultivar de arroz SCS 122 Miura, entregou trator e a autorização para a reforma do prédio da estatal no município. Na agenda cpom o prefeito Volnei Morastoni, peemedebista cristão-novo, virou atração na reunião do Gabinete de Gestão Integrada Municipal com representantes da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, Polícia Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e Marinha, uma união em torno do assunto central, o lançamento do Plano Municipal de Segurança, além da discussão sobre a implantação do Consórcio Metropolitano de Segurança Pública entre Itajaí, Navegantes e Balneário Camboriú.

  

MARILENE RODRIGUES/DIVULGAÇÃO

A VEZ DA POLÍCIA CIVIL

O presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, saiu otimista deste encontro com o secretário da Fazenda Antonio Gavazzoni. O motivo que estava à mesa era a possibilidade do Estado chamar novos delegados e agentes da Polícia Civil, depois que foram convocados os excedentes do concurso da Polícia Militar. O dado é forte: 110 aprovados no concurso para delegado não foram chamados e há 43 vagas para preenchimento. A sociedade agradece o fortalecimento da polícia judiciária, a que investiga os crimes e delitos. Da esquerda para a direita, o secretário João Debiasi (Comunicação), o procurador do Estado Leandro Zanini, Gavazzoni, Ulisses e o coordenador de negociações salariais Décio Vargas.

 

Yunes e o pacote

O advogado José Yunes é como uma sombra na história de Michel Temer, não porque o ofusque, mas porque o segue sempre. Quando ele diz que recebeu uma correspondência, um envelope lacrado ou um pacote a pedido de Eliseu Padilha, age para proteger Temer e dar o chamuscado ministro da Casa Civil aos lobos. Não que Padilha não mereça, afinal Yunes tratou de dar entrevistas a todos para se livrar da incômoda citação de uma delação, que envolve dinheiro do agora nefasto Marcelo Odebrecht. Padilha fará uma cirurgia, licencia-se do cargo, e não deveria mais dar as caras no Palácio do Planalto, já que a batata dele está “carbonizada”.

 

Yunes e a defesa putativa

Legítima defesa putativa é uma situação prevista como atenuante no direito penal e ocorre quando um reconhecido desafeto supostamente cometeria algum ato contra seu adversário e este, antes que ocorra, reage com violência porque todos conheciam animosidade entre ambos. José Yunes quase a pratica em relação a Eliseu Padilha, embora a tipificação fique prejudicada justamente por não se ter notícia de alguma rusga entre ambos. O negócio foi proteger Temer, com quem Yunes reuniu-se antes para dizer que se apresentou aos procuradores das Lava Jato para limpar a própria barra.

 

Lamentável

No pior resultado nos últimos cinco anos, o país, em profunda crise econômica, registra 12,9 milhões de desempregados, no mês passado. No contexto, os brasileiros precisam mais de ações para que as modestas reações da indústria e do comércio sejam amplificadas para dar dignidade ao trabalhador. O parâmetro é que assusta, pois este número de gente sem postos de trabalho representa quase o dobro da população de Santa Catarina, Estado ainda vacinado com os melhores índices de geração de emprego.   

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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