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domingo, 22 maio, 2022

PELO PRAZER DE LER

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PELO PRAZER DE LER

Depois de mencionar a revista Seleções da Reader`s Digest na crônica “Meu tipo inesquecível”, recebi um depoimento delicioso da Dra. Sandra, minha amiga e médica há mais de trinta anos. Ela conta que seu avô também assinava Seleções. Todos os meses quando a nova edição chegava, Sandra, então uma menina, esperava ele tirar uma soneca para se apossar da revista. Lia tudo o que podia e recolocava-a direitinho no lugar antes do abuelo catalão acordar. Ele era muito ciumento de sua coleção. Ela disse que ao ler a minha crônica, se sentiu transportada à infância.

O relato dela também me fez voltar à adolescência. Lembrei de ler escondido, mas por outros motivos. Certa vez percebi que meu tio escondia um livro em cima do guarda-roupa. Esperei não ter ninguém em casa e subi numa escada para alcançar o objeto de minha curiosidade. Dei de cara com uma edição de bolso de “O amante de Lady Chatterley”. Eu não sabia do que o romance tratava, mas a palavra “amante” me fez intuir porque meu tio o escondia dos olhares infanto-juvenis. Pois bem, eu li o livro! Não lembro exatamente o que achei da história, mas me senti fazendo algo condenável.

Anos depois, já adulta e com maior bagagem literária, reli sem culpa a importante obra de D.H.Lawrence. Soube que o livro, lançado em 1928, ficou proibido no Reino Unido até 1960 por ser considerado obsceno. Incomodava aos puritanos “as palavras inapropriadas, as descrições de sexo e a traição explícita praticada por uma mulher”. Há poucos anos, “ O Amante de Lady Chatterley” foi eleito um dos cem maiores romances do século XX.

Para encerrar, conto mais uma história do que éramos capazes de fazer para ler. Meu amigo Jaime adorava livros desde criança, mas o pai desligava o contador à noite para poupar energia. O que fazia o menino para ler até mais tarde? Roubava velas do oratório de Santo Antônio que havia perto da casa dele. Assim, enfrentando o temor do castigo divino, ele ficava até tarde lendo à luz de velas. Acabou se tornando jornalista e um leitor obstinado.

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Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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