Abril 09, 2021

Por quem os sinos dobram

Por quem os sinos dobram
Reprodução

Lembram que comentei com vocês na semana passada que estava prestes a me vacinar ? Assim foi feito. Recebi a medicação da Fiocruz/Astrazeneca - e não a Coronavac/Butantã - o que significa que não vou virar jacaré. Se vou me transformar em algum outro bicho, não sei, mas a segunda dose ainda vai demorar três meses.

Enquanto esperávamos na fila fiquei observando os carros em volta. Quase todo mundo usando máscara, mesmo dentro do automóvel, ninguém buzinando. Um raro momento de civilidade. Parecíamos crianças bem comportadas para poder ganhar o presente de Natal. Uma hora e meia depois chegou a tão esperada agulhada no braço! Senti vontade de beijar o enfermeiro.

Voltando para casa, estava feliz e um pouco aliviada, mas ao mesmo tempo sentia uma amargura. Faço parte de apenas 7% de brasileiros imunizados, pensava. Continuam morrendo mais de três mil pessoas por dia de Covid-19 no país. Agora, a doença atinge também as crianças e os muito jovens. Foi impossível comemorar.

Alguém pode dizer “ ah, essa aí nunca está satisfeita...”. Vou tentar explicar. Há um poema bastante conhecido do inglês John Donne, morto em 1631, que diz : Nenhum homem é uma ilha; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.

Vou repetir meus versos favoritos desse poema: a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. A morte de qualquer homem me diminui...

Ouvimos os sinos anunciando a morte mais de trezentas mil vezes em apenas um ano. Eles continuam dobrando por nós.

(Brígida De Poli)

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SÉRIES

Soulmates – 6 episódios –Prime Vídeo

As histórias dessa antologia se passam num futuro próximo, onde a tecnologia permite que cada pessoa encontre sua alma gêmea no mundo. Todos correm para a agência que faz os testes com a certeza de que alcançarão a felicidade ao encontrar o par perfeito. Mas alguns questionamentos passam a surgir. Isso será assim tão ideal?  Como toda antologia, alguns episódios são mais interessantes que outros. Os gêneros são diversos, passando do filosófico ao suspense, por exemplo. (Veja o vídeo postado pelo MHD)



O paraíso e a serpente – 8 episódios – Netflix

Para quem curte histórias criminais a grande pedida recém chegada na Netflix é essa minissérie, baseada em fatos. O protagonista é Charles Sobhraj, golpista e assassino em série, que agia na década de 1970. Fingindo ser um comprador e vendedor de pedras preciosas em países da Ásia, suas vítimas preferenciais eram os jovens hippies, mochileiros que saíam pelo mundo para realizar seus sonhos. Sobhraj era mestre em trocar de identidade e manipular todos à sua volta. A ambientação, figurino e trilha sonora são bem anos 70. O ator Tahar Haim, francês de ascedência argelina, já fez alguns filmes interessantes como O Profeta (2009) e recentemente The Mauritan, com Jodie Foster. Haim é uma estrela em ascensão.

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FILMES

Fuja – direção: Aneesh Chagangy -2020 Netflix

Volta e meia surge um tema que aparece em várias produções na mesma época. No caso de “Fuja” é a figura da mãe dominadora. Elas estão não só nos filmes, como nas séries. Por se tratar de um suspense não vou contar muito, apenas que a história gira em torno de uma jovem cadeirante superprotegida e educada em casa pela mãe.  O papel da progenitora coube a Sarah Paulson, uma workhaolic pela quantidade de filmes que faz. Ela é ótima atriz e com essa interpretação ela já pode entrar para a galeria das “mamães queridas”.

 

Sonho sem fim – direção:Lauro Escorel – 1998 –Belas Artes

Essa produção brasileira, recém disponibilizada pelo Belas Artes à la carte, é muito especial para mim. Além de contar a história de um pioneiro do cinema, Eduardo Abelim, o filme tem no elenco o meu amigo Zeca Kiechaloski, falecido no ano passado. Contei para vocês sobre o Zeca na edição de 20/11/2020.

Todo cinéfilo gosta de conhecer as histórias que envolvem a 7ª Arte. Lauro Escorel conta como Eduardo Abelim se aventurou como diretor de cinema em 1920. Depois de tentar carreira no Rio de Janeiro, voltou à terra natal, Pelotas, para realizar seu sonho. Carlos Alberto Ricelli é o protagonista ao lado de Deborah Bloch, Fernanda Torres e Marieta Severo.

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BÔNUS

7° Festival Brasil de Cinema Internacional

Até 13 de abril é possível acompanhar online o 7º Festival Brasil de Cinema Internacional que traz na mostra competitiva filmes de países como África do Sul, Cuba, Colômbia, México, Portugal e Inglaterra, além de apresentações de mais 20 obras na mostra Panorama.

A mostra competitiva tem ao todo 13 filmes, entre longas e curtas-metragens, sendo duas estreias mundiais. Uma delas é a de “Os Vencedores do Deserto” (México), de Ernesto Fundora. A outra é a de “O Cinema é Minha Vida” (Brasil), de Cavi Borges.

Obs.: Havia a expectativa que o Festival traria “A Voz Humana”, o esperadíssimo (principalmente por mim...) curta-metragem de Pedro Almodóvar com Tilda Swinton. Mas não consegui confirmar a informação. Talvez fosse na parte presencial do Festival, cancelada pelos cuidados sanitários contra a Covid-19.

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THE END

(*) Fotos reprodução/divulgação

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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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