Julho 16, 2021

Quando fica difícil explicar não é bom

Quando fica difícil explicar não é bom
ROQUE DE SÁ/AGÊNCIA SENADO

A democracia é cara, o problema está em justificar para o contribuinte que a mantém que a proposta de financiamento público de campanha, que não retirou a possibilidade de aporte financeiro de pessoas físicas, tenha dado um salto de R$ 2 bilhões, em 2020, para R$ 5,3 bilhões, de acordo com o Senado, ou R$ 5,7 bilhões, nas avaliações mais realistas, no Fundo Eleitoral.

Por trás da manobra, o Palácio do Planalto, que encaminhou o item indigesto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2022, e a maioria de deputados federais e senadores que respaldaram a medida controversa, imbuídos de um único propósito: pavimentar com mais recursos as eleições do ano que vem.

A bancada federal catarinense, majoritariamente governista, votou quase que na totalidade pelo reajuste (veja o quadro abaixo), uma fortuna para quem paga a conta e uma polêmica para os futuros candidatos a deputado estadual, federal e senador ou governador ou presidente, os mesmos que eventualmente reclamam da quantia e da falta de critério na distribuição entre os postulantes.

Estabelecida a indignação mais do que compreensiva entre os eleitores, resta aguardar que, na discussão do Orçamento Anual da União, o valor destinado ao Fundão seja revisto e que se entenda o que leva um parlamentar eleito para defender os interesses da população ou da unidade da federação à qual pertence se ausentar da votação, muito pior do que dizer sim a um tema complicado.

        

Votaram SIM:

Deputados federais

Angela Amin (PP)

Caroline de Toni (PSL)

Celso Maldaner (MDB)

Coronel Armando (PSL)

Daniel Freitas (PSL)

Darci de Matos (PSD)

Fabio Schiochet (PSL)

Geovania de Sá (PSDB)

Hélio Costa (Republicanos)

Ricardo Guidi (PSD)

Rogério Peninha (MDB)

 

Votaram NÃO:

Deputados federais

Carmen Zanotto (Cidadania)

Gilson Marques (Novo)

Pedro Uzcai (PT)

Rodrigo Coelho (PSB)

 

Senador

Dário Berger (MDB)

 

AUSENTES:

Deputado federal

Carlos Chiodini (MDB)

Senadores

Esperidião Amin (PP)

Jorginho Mello (PL)

 

E tem mais

A primeira de uma série de manifestações sobre o aprovado pelo Congresso veio da Associação Comercial e Industrial de Chapecó. Não faltarão pressões de todos os lados para o valor ser derrubado na LOA. Leia na íntegra:

“Manifesto da ACIC:

A insensatez do Congresso

A Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC) vem à público manifestar-se sobre a questão abaixo focalizada:

O Congresso Nacional acaba de aprovar, para o Fundo Eleitoral de 2022, uma previsão orçamentária no montante de R$ 5,7 bilhões. Isso significa que os partidos políticos terão à disposição, para financiamento das campanhas eleitorais no próximo ano, mais que o triplo do valor autorizado em 2018, que era de R$ 1,8 bilhão.

Essa é uma decisão insensata e absolutamente divorciada da realidade. Os parlamentares ignoram que o País vive uma crise sanitária sem precedentes, agravada por uma crise social e econômica com mais de 14 milhões de desempregados, outros milhões de subempregados e uma extensa faixa da população vivendo abaixo da linha da pobreza.

Num momento em que a República vive um déficit fiscal e orçamentário assustador, a pandemia ainda não foi debelada, o enfrentamento da covid-19 consome boa parte da arrecadação da União, dos Estados e dos Municípios e os investimentos em obras públicas estão prejudicados pela escassez de recursos, os deputados e senadores dão mais uma vez um péssimo exemplo à Nação.

O aumento dos recursos do Fundo Eleitoral aprovado no âmbito do orçamento geral da União para 2022 precisa ser urgentemente revisto e revogado. Essa decisão agride o senso de justiça e revolta a sociedade brasileira em face da insensibilidade da classe política. Os legítimos interesses nacionais foram, nesse caso, vergonhosamente subordinados aos interesses partidários e eleitorais.

Com mais de 540 mil brasileiros mortos pela covid-19 e milhões sequelados por essa traiçoeira doença, com a desesperança afligindo milhões de lares em todo o País e com o sistema de saúde trabalhando no limite, a Nação esperava dos senhores parlamentares uma atitude de maturidade e compreensão em relação às melancólicas condições que emolduram a realidade brasileira.

Entre tantas emergências e prioridades que pairam sobre a vida nacional, os parlamentares que aprovaram esse dispensável e execrável aumento dos recursos do Fundo Eleitoral prestam um desserviço ao País, pois levam milhares de cidadãos a descrer de valores essenciais, como a democracia, o papel do parlamento e a justiça social.

A sociedade espera que esse erro seja reparado.

Chapecó, 16 de julho de 2021.

ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL DE CHAPECÓ (ACIC)

 

SOLON SOARES/AGÊNCIA AL

NOVO CAPÍTULO COM FUROS

O deputado Sargento Lima (PL) acrescentou mais uma peça à novela em torno da polêmica sobre o repasse de R$ 350 milhões de recursos do Estado para as obras nas BRs 470, 280 e 163, de responsabilidade do governo federal. O argumento é antigo, mas Lima, agora no partido presidido pelo senador Jorginho Mello, pré-candidato ao governo em 2022 e interessado em que os valores do erário catarinense cheguem às rodovias, afirmou que dos R$ 2,9 bilhões que o governo federal repassou ao Estado entre março de 2020 e 31 maio, apenas 0,34%, ou seja, R$ 10,2 milhões foram transferidos às prefeituras e questionou: “Você acha que os R$ 200 milhões que o Estado vai dar para as rodovias federais saíram da economia feita pelo governador Carlos Moisés? De onde você acha que saiu o dinheiro do superávit?”. A informação de Lima é rebatida pelo governo do Estado, que explica: o dinheiro para as obras saiu de economias da administração estadual, conseguidas com gestão e incremento na arrecadação. Outro detalhe, de acordo com as secretarias da Fazenda e da Saúde, o dinheiro federal para combate à pandemia vai direto às prefeituras, sem intermediários, o que pode ser acompanhado, diariamente, pelo Portal Tesourotransparante.gov.br, e que o relatado pelo deputado deve ser um complemento às ações. Ah, em 2020, o governo federal enviou R$ 1,5 bilhão ao combate da pandemia ao governo catarinense.

 

Erro tático

O senador Jorginho Mello quer explicar o irremediável na questão do repasse do Estado para as obras nas rodovias federais em meio a um tiroteio, vindo principalmente do Vale do Itajaí, que de Taió a Ilhota é o maior colégio eleitoral catarinense, com uma informação de que o Ministério da Infraestrutura promete R$ 115 milhões para os trechos 1 e 2 da 470, e os R$ 200 milhões do Estado deveriam ser utilizados nos trechos 3 e 4, muito atrasados.

Escalou antes o deputado Ivan Naatz e agora o deputado Sargento Lima, ambos do PL, para completar a ação dos conservadores bolsonaristas, iniciada pela vice-governadora Daniela Reinehr, quando no exercício do cargo, que vetou o projeto na Assembleia, depois derrubado, só para que o governador Carlos Moisés não fique com os louros da ação.

O desgaste já veio e Jorginho e seus aliados esqueceram de combinar com a população da região das obras e com quem viaja ou transporta riquezas pelos trechos perigosos a validação desta falta de estratégia.  

 

Elogio merecido

Vitoriosa ação do TRE, da OAB e da Assembleia na divulgação da vinda de observadores internacionais que comprovaram a integridade das urnas eletrônicas na eleição suplementar em Petrolândia, no Alto Vale, no último dia 13 de julho, teve mais uma repercussão: o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, elogiou a participação de estudantes de 12 a 15 anos locais, da Escola de Educação Básica Hermes Fontes, no processo. Eles foram escolhidos observadores mirins, explica o advogado Marcelo Peregrino, que viabilizou a vinda do grupo estrangeiro a Santa Catarina. Barros gravou um vídeo para agradecer o empenho da rapaziada, grande iniciativa. Acompanhe:

  

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roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 36 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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