Junho 10, 2021

Quando os espaços locais são mal aproveitados

Quando os espaços locais são mal aproveitados
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Falta de foco das lideranças, conformismo, equipes reduzidas e baixo senso de avaliação são as causas do jornalismo deficiente das rádios de Florianópolis cedo da manhã. A CBN Diário tem um bom gancho, com o jornal nacional das 6 às 9h, mas os breaks locais exigem paciência do ouvinte. Todos os dias têm uma enrolação com mais de 1 minuto para apresentar as plataformas do grupo, outro tanto para a previsão do tempo e mais o trânsito mostrado pelo Waze. Outras informações jornalísticas? Quase nunca. Fora o esporte, com as notícias dos times da Capital e o comentário de Rodrigo Faraco, é uma perda de tempo.

Na Guarujá, com as limitações conhecidas, também não há serviço digno do horário nobre do rádio. Tem um jornal nacional Band às 7h em formato antigo, com dois locutores e colagem de textos de informações do dia anterior. E depois, um programa local de meia hora com foco nos bastidores do legislativo, onde os apresentadores enfiam previsão do tempo, trânsito e algumas opiniões pessoais discutíveis.

Enfim, o horário local no rádio é um desperdício.

 

Reportagem

Também não é um bom momento para a reportagem esportiva em geral. No nacional, a aposentadoria de figuras estreladas, como Mauro Naves e Tino Marcos, abriu um vácuo assustador de qualidade. No episódio recente da seleção brasileira, ficou claro que a nova geração não tem acesso as informações. A velha prática de cultivar fontes e falar diretamente com elas está em desuso.

A atuação da Globo com os bastidores da seleção, como detentora de direitos, sempre foi marcante, inclusive com estúdio nos locais de treinos. Em Porto Alegre, o repórter global dizia seus textos do outro lado da rua.

A Globo – e as demais – sequer ficaram sabendo da reunião entre jogadores e a CBF, na Granja Comary, antes da viagem ao Sul.    

Além disso, os principais fatos envolvendo o agito fake dos jogadores – ameaçando não jogar a Copa América – foram divulgados por profissionais fora da reportagem que acompanha a seleção.  A primeira informação foi de uma equipe do streaming “globo esporte” e a mais relevante, na véspera do jogo contra o Equador, foi do narrador da rádio Gaúcha, Pedro Ermesto Denardin. Até Jose Luiz Datena, da Band, andou dando pitaco.

Ou seja, no caldeirão CBF-jogadores-Copa América, a reportagem saiu chamuscada.  

 

O Duelo


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Entrevista coletiva de treinador de futebol é uma espécie de duelo com a reportagem. De um lado, alguém esgrimindo para se livrar de perguntas incômodas, de outro, a imprensa estocando em busca de informações para esclarecer os ouvintes. Resultado: entrevistas geralmente aborrecidas e pouco esclarecedoras.

Os treinadores fazem de tudo para preservar a relação com seus jogadores, e manterem o cargo. Os exemplos são Tite, da seleção brasileira, e Claudinei Oliveira, do Avaí. Os dois dão inúmeras voltas para responder perguntas simples e quase sempre não falam sobre aquilo que os repórteres querem ouvir. Na análise posterior fica a frustração da equipe esportiva.

É um círculo vicioso que se repete a cada jogo, sem perspectiva de mudança, por enquanto.

 

Chefias + chefias

Se existe a constatação que faltam repórteres, não ocorre o mesmo com os cargos de direção e coordenação. Há mais caciques do que índios (sem querer relacionar com o presidente da Argentina ao se referir a gente como vindo das selvas). Todo mundo é chefe de alguma coisa. Um ou outro nem comparece para trabalhar: só no WhatsApp. 

 

Seleção

Mastercard e Ambev não vão misturar suas marcas com a seleção na Copa América. São muito mais coerentes do que jogadores da seleção, que arrepiaram no movimento de protesto que tentaram fazer. 

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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