17.3 C
fpolis
17.3 C
fpolis
terça-feira, 16 agosto, 2022

Quem matou?

"Os seis de Beatrice" - documentário HBO/divulgação
Últimas notícias

A argentina Maria Marta Garcia Belsunce foi encontrada morta na banheira de sua casa situada em um bairro nobre da grande Buenos Aires, em 2002. O marido, Carlos Carrascosa, relatou ter encontrado a mulher em uma poça de sangue, resultado de uma possível queda. A família limpou o local da morte antes da perícia chegar e sustentou tratar-se de um acidente. Mais tarde, surgiu outra teoria que apontava para assassinato e a suspeita recaiu sobre Carrascosa.

Eu já tinha visto a série documental  Quem matou Maria Marta ? , na Netflix, há dois anos. Agora chega à HBO a versão dramatizada com o título de Maria Marta- O assassinato no Country Club (veja o trailer). Ainda não dá para avaliar a minissérie argentina na íntegra porque os episódios são disponibilizados semanalmente. Uma coisa é certa: crimes reais e suas adaptações têm garantido grande audiência aos streamings. O “ quem matou?” virou quase um subgênero. Quando o caso envolve pessoas ricas, o interesse aumenta.Há pouco vimos a mesma coisa acontecer com o documentário The Staircase (Netflix/2018).  Dramatizado pela HBO, com o ótimo Colin Firth no papel principal, “ A Escada” tornou-se um sucesso nominado em várias categorias do próximo prêmio Emmy.

Gosto do tema não pelo crime, mas pela investigação e pela parte dos tribunais (quando há). O problema é a avalanche de produções medíocres, como se tudo fosse feito às pressas  apenas para garantir esse nicho. Às vezes os casos nem são intrigantes, apenas violentos. O risco é o público acabar cansando. Até lá, haja crimes reais e mistérios pra virar roteiro!

___________________

 

Memórias de um assassinato – doc –  6 episódios – 2022 – HBO/HBO Max

Este caso, conhecido como os “ Seis de Beatrice”, é terrível e complexo. Três homens e três mulheres foram condenados pelo assassinato e estupro de uma idosa em Beatrice, Nebraska, EUA. Eles confessaram, foram condenados e presos, em 1985. Em 2009, com a reabertura do caso e exame do DNA, a nova defesa conseguiu inocentar o grupo. A história é triste e discute métodos de investigação e de confissões dos acusados. Para alguns telespectadores, resta uma pontinha de dúvida no desfecho.

Reprodução/Divulgação

 

Pacto Brutal: o assassinato de Daniella Perez – 5 episódios – HBOMax- 2022

Esta produção brasileira já é a mais vista do gênero no país. Trata-se de um assassinato brutal, acontecido em 1992, envolvendo vítima e criminoso famosos. A atriz e dançarina Daniella Perez, filha da autora de telenovelas Glória Perez, foi assassinada pelo colega de elenco da novela global, Guilherme de Pádua. Daniella tinha 22 anos e o crime teve a participação da mulher de Guilherme.

Aqui, não há mistério sobre quem matou, mas o porquê do casal cometer o assassinato. A minissérie clareia alguns pontos do caso e Glória Perez fala da indignação de ver a filha morta ser injuriada na mídia. Os depoimentos da família e amigos são impactantes.

Reprodução/Divulgação

___________________

OUTROS
FILMES

Inimiga Perfeita – direção: Kike Maillo – 2021 – Netflix

É preciso ficar bem atento à narrativa desta co-produção França-Espanha-Alemanha.  A trama parece simples: Jeremy , um bem-sucedido arquiteto conhece  a jovem Texel  e lhe dá carona até o terminal que ele projetou há vinte anos. No aeroporto, a garota não larga mais do pé dele e passa a insistir em contar sua história de vida. Jeremy começa a sentir que há algo de estranho nos relatos, deixando o encontro cada vez mais suspeito.Quem é esta mulher afinal ? A obra é baseada no romance da belga, Amélie Nothomb, The Enemy’s Cosmetique. Não li o livro, mas me parece difícil de adaptar uma trama assim para o cinema, aliás, de forma bem sucedida.

Reprodução/Divulgação

O relutante fundamentalista – direção: Mira Nair – 2012 – Mubi, Cindie  e Looke

Um filme pouco conhecido, apesar do elenco reunir Riz Ahmed, Liev Schreiber, Kate Hudson e Kiefer Sutherland. Riz –  ator inglês indicado ao Oscar de Melhor Ator, em 2021, por O som do silêncio – interpreta o paquistanês Changez Khan que vive o sonho americano até o atentado de 11 de setembro. A partir daí, sua origem e seu rosto o colocam como suspeito a cada investigação. De volta a Lohre, ele conta sua história a um jornalista, vivido por Liev Schreiber, enquanto manifestações de estudantes tomam as ruas.

Não li o livro, mas a análise no Mubi diz que é “uma adaptação fiel do best-seller de Mohsin Hamid sobre a xenofobia e a alienação nos Estados Unidos pós-11 de setembro. Com análises profundas do capitalismo e fundamentalismo, este drama é enriquecido pelo retrato sucinto de Riz Ahmed das dualidades emocionais do protagonista muçulmano”.

Reprodução/Divulgação

Ainda há tempo – direção: Viggo Mortensen – 2022 – Telecine e Prime Vídeo

Tenho grande simpatia por Viggo Mortensen. É um ator versátil que transita por obras como O senhor dos anéis  até o oscarizado Green Book e os filmes do cultuado David Cronenberg. Além disso, ele parece muito gente boa. Sua estreia na direção não é de todo ruim, mas falta uma certa sutileza para contar a história de John, um piloto comercial que vive com seu parceiro Eric e a filha adotiva, Mônica. Ele deixou para trás a vida retrógada na fazenda do pai, um homem brusco e preconceituoso. Quando o pai começa a demonstrar demência John tenta ajudar, mas recebe ofensas sobre sua sexualidade e seu modo de vida o tempo todo. Isso traz tristes lembranças da infância, da mãe que abandonou a família e exige dele um grande esforço. Estão postas no filme duas faces dos Estados Unidos, a partir de um homem que admira Donald Trump, fala mal de Barak Obama, ofende negros e chama o filho pelos piores adjetivos pelo fato dele ser gay. Já John,o marido, a filha e os sobrinhos são o lado contemporâneo, cultural e estético  americano que o velho não compreende e não aceita. Viggo que interpreta o papel de John, pensou no roteiro durante o vôo que o trazia de volta do funeral da mãe. Ele colocou coisas bem pessoais na história.

Reprodução/Divulgação

___________________

 

SÉRIES

Rei dos Stonks – 6 episódios – Netflix

Séries sobre fraudes em startups já virou quase um subgênero! Esta, porém, traz um ritmo e uma pegada tão irônica que vale a pena. Livremente inspirada no maior escândalo financeiro da Alemanha, ela conta a história a partir da ótica de Feliz Armand, um jovem inteligente que ambiciona tornar-se CEO da Cablecash, em Dusseldorf, empresa do mercado financeiro em ascensão. Ele é o verdadeiro cérebro por trás do sucesso da startup, mas o poder está nas mãos de Magnus Cramer, com quem criou a Cablecash. Muitas falcatruas e manobras ilegais depois, a empresa chega ao topo, mas tudo pode desmoronar.

Reprodução/Divulgação

Audácia – 4 episódios –  2021 -Prime Vídeo

A minissérie conta a história de Bozena Nemcová, escritora e feminista tcheca do século 19. Desde cedo, a garota era considerada rebelde, pois preferia ler a cozinhar. Forçada a se casar, vivia um relacionamento complicado com o marido, Josef Nemec. Depois da Revolução, com o marido longe, ela passou a sustentar a família com sua escrita e a buscar novos amores. Com perdão pelo clichê, Bozena era uma mulher à frente do seu tempo. Vale conferir a produção tcheca.

Reprodução/Divulgação

___________________

 

Adeus, dear Uhura

A partida da extraordinária  Nichelle Nichols

Quem acompanhou a primeira fase da série Jornada nas Estrelas, iniciada nos anos sessenta, ficou triste ao saber da morte de Nichelle Nichols, a inesquecível tenente Uhura. Star Trek, no original, é uma das franquias mais bem sucedidas da história da TV e criou personagens icônicos, como o Capitão Kirk, interpretado por William Shatner, e Mr. Spock, por Leonard Nimoy.

Na época foi revolucionário ter uma figura feminina e, ainda por cima negra, como uma das mais importantes oficiais da nave Enterprise. Na personagem, Nichelle participou também do primeiro beijo “interracial” da TV norte-americana, tendo como parceiro William Shatner. Sua importância para a questão da igualdade  racial foi tanta que Martin Luther King, líder dos direitos civis nos anos 60, convenceu-a a permanecer na série que ela queria abandonar depois da primeira temporada. A atriz criticou a Nasa, cujos diretores eram fãs de Star Trek, por não contratar mulheres qualificadas e outras minorias.  Ela acabou sendo contratada pela Agência para ajudar no recrutamento. Seu empenho influenciou na admissão da primeira mulher astronauta dos EUA, Sally Ride; a primeira astronauta negra, Mae Jemison; e o primeiro chefe negro da Nasa ,Charlie Bolden.

Nichelle tinha 89 anos e morreu de causas naturais, nos Estados Unidos, no último sábado (30/07).

Reprodução/Divulgação

___________________

THE END

cronica

Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
Mais notícias para você
Últimas notícias

Ciro Gomes confirma que disputará a última eleição presidencial em 2022

O presidenciável Ciro Gomes, do PDT, esteve no programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite de segunda-feira, 15,...
.td-module-meta-info { font-family: 'Open Sans','Open Sans Regular',sans-serif; font-size: 14px !important; margin-bottom: 7px; line-height: 1; min-height: 17px; } .td-post-author-name { font-size: 14px !important; font-weight: 700; display: inline-block; position: relative; top: 2px; }