Por Janine Alves, colunista do Portal Making Of
A retrospectiva de 2025 revela um ano intenso, marcado por avanços expressivos, contradições profundas e lições que acompanharão Santa Catarina e o Brasil em 2026. A economia catarinense manteve seu dinamismo característico — crescendo acima da média nacional, expandindo sua base industrial, fortalecendo o varejo e gerando empregos em ritmo acelerado —, mas também mostrou com nitidez os limites estruturais que atravessaram diversas análises ao longo do ano: infraestrutura insuficiente, pressão crescente dos eventos climáticos, gargalos institucionais, desigualdades persistentes e impactos diretos de decisões políticas sobre o futuro do desenvolvimento regional.
Os principais indicadores econômicos revelaram o vigor de setores como máquinas e equipamentos, metalurgia, alimentos e construção civil, com Santa Catarina crescendo praticamente o dobro da média do país segundo IBGE e Banco Central. Municípios litorâneos seguiram em franca expansão imobiliária, enquanto o Sul consolidou sua agenda de inovação. O estado também se destacou na formação de profissionais para a nova economia, com cursos, encontros e eventos sobre Inteligência Artificial, tecnologia e transformação digital.
Outros movimentos estruturais marcaram o ano: reformulações em fundos de reserva e estatutos no setor financeiro regional, fortalecimento das cooperativas e a continuidade de políticas de microcrédito como o Juro Zero e o Banco da Família, que sustentaram pequenos empreendedores em um ambiente ainda volátil.
Mas 2025 também expôs, com força, onde o desenvolvimento patina. As notas registraram a falta de integração logística, pressões sobre os portos, deficiências históricas da malha rodoviária e a urgência de investir em infraestrutura resiliente — um tema que ganhou ainda mais relevância após sucessivos desastres climáticos no Sul do Brasil. Relatórios da ONU, do TCE-SC e do Painel ClimaBrasil reforçaram que o Estado ainda não dispõe de instrumentos de governança capazes de lidar com eventos extremos. Florianópolis, por exemplo, teve baixo desempenho em financiamento climático e capacidade institucional, evidenciando o descompasso entre discurso e execução.
A dimensão urbana também permeou boa parte das análises: debates sobre Plano Diretor, zoneamento, proteção de áreas frágeis, retrocessos no licenciamento ambiental nacional e pressões por flexibilizações incompatíveis com os riscos climáticos. Fica evidente que economia, território e meio ambiente estão mais entrelaçados do que nunca.
No plano nacional, 2025 foi marcado por tensões políticas, decisões de grande impacto no STF, mudanças estruturais no sistema tributário e indicadores sociais que surpreenderam positivamente: queda na desigualdade, redução da pobreza e aumento da renda, com o país atingindo, segundo o Ipea, os melhores resultados da série histórica em três décadas. Também houve avanços redistributivos, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda a partir de 2026.
No campo social, 2025 trouxe debates intensos sobre violência de gênero. A escalada de feminicídios em Santa Catarina, a violência digital contra mulheres e a cultura de controle e misoginia foram temas recorrentes — reforçados por casos emblemáticos e por dados alarmantes do Observatório da Violência Contra a Mulher. As análises mostraram que segurança, educação e prevenção precisam ser pensadas como políticas estruturantes, não apenas reativas.
A indústria catarinense também avançou em sustentabilidade, com iniciativas de economia circular, reciclagem tecnológica e fortalecimento de cadeias produtivas limpas. Ao mesmo tempo, discussões sobre neoindustrialização, economia verde e transição energética ganharam destaque como eixos estratégicos para o futuro produtivo do país.
Assim, 2025 entra na reta final marcado como um ano de contrastes — de avanços significativos, mas também de exposições profundas sobre onde ainda precisamos evoluir.
Avanços:
-
crescimento econômico expressivo
-
inovação acelerada
-
fortalecimento cooperativista
-
expansão tecnológica e educacional
-
melhora na renda e queda da desigualdade
-
iniciativas de sustentabilidade na indústria
Desafios expostos:
-
retrocessos e fragilidades ambientais
-
tensões políticas persistentes
-
baixa capacidade de resposta aos eventos climáticos
-
pressão sobre políticas urbanas
-
violência contra mulheres
-
deficiências estruturais de governança
A economia avançou — mas as estruturas ficaram expostas.
E a pergunta que 2026 herda é direta: cresceremos melhor ou apenas cresceremos?
Encerramento do Ano
Com esta edição, encerro as publicações de 2025.
Entro em férias e retorno em janeiro de 2026 com novos dados, novas análises e o compromisso de seguir acompanhando, com profundidade, seriedade e independência, os caminhos econômicos de Santa Catarina e do Brasil.
Nos vemos em 2026.









