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|Radar Econômico| Santa Catarina acelera enquanto o Brasil freia: por que isso importa agora?

Foto: Eduardo Valente/SECOM

Por Janine Alves, colunista do Portal Making Of

 

Enquanto o cenário nacional mostra desaceleração, Santa Catarina segue fazendo o movimento oposto. Dados do IBGE revelam que, de janeiro a setembro, o Estado apresentou desempenho superior ao Brasil na indústria, no comércio e nos serviços. Mas quando o país freia, a tendência é que estados também sintam os efeitos alguns meses depois.

 

Dados divulgados nesta semana pelo IBGE mostram que, de janeiro a setembro, o estado registrou forte expansão na indústria, no comércio e nos serviços, em contraste com o desempenho mais moderado do país. A indústria catarinense cresceu 3,1% (contra 1% no Brasil), puxada por segmentos como metalurgia (16,7%), máquinas e equipamentos (6,4%) e alimentos (5,3%). No comércio, a alta foi de 5,9% (ante 1,5% nacional), com destaque para artigos de uso pessoal e doméstico (11,9%) e supermercados (7,4%). Já os serviços avançaram 4,1%, superando os 2,8% do país, impulsionados por serviços às famílias (5,3%) e de informação e comunicação (5,2%). Para o secretário Silvio Dreveck, o bom momento reflete o ambiente favorável ao empreendedorismo, a menor taxa de desemprego do Brasil e ações do Governo do Estado para estimular a atividade econômica. Santa Catarina também abriu 95 mil vagas formais no período, reforçando um cenário de economia aquecida.

 

A pressão dos juros começa a pesar — e muito — sobre o ritmo da economia. Com a taxa Selic mantida em 15%, o país segue com a política monetária mais restritiva dos últimos anos, cumprindo o objetivo de frear a inflação, mas já ultrapassando o prazo razoável para dar um sinal consistente às empresas e ao mercado de trabalho. A desaceleração do país é, em parte, fruto dessa trava prolongada sobre o crédito, o investimento e a capacidade de expansão da produção. E há um paradoxo evidente: enquanto setores seguem demandando trabalhadores e ampliando vagas, o alto custo do dinheiro impede que muitos negócios invistam para sustentar esse crescimento. O Banco Central precisa calibrar melhor o equilíbrio entre combate à inflação e estímulo à atividade — caso contrário, o ritmo de Estados que hoje aceleram, como Santa Catarina, pode perder força justamente quando mais precisam de condições financeiras favoráveis para continuar crescendo.

 

FIESC e trabalhadores fazem balanço positivo da atuação conjunta contra o Tarifaço. A direção da FIESC e representantes dos trabalhadores realizaram nesta quarta-feira (19) uma avaliação conjunta das ações que ajudaram a reduzir os impactos do Tarifaço sobre as indústrias catarinenses, especialmente dos setores de móveis e madeira. No encontro, a Federação apresentou o balanço do programa desTarifaço, que ofereceu consultorias para melhoria de produtos e processos, suporte para abertura de novos mercados, atendimento psicossocial e requalificação profissional. Para o presidente Gilberto Seleme, a cooperação entre indústria e trabalhadores foi decisiva no momento mais crítico da crise. Miguel Padilha (FETIAESC) reforçou a importância da qualificação como estratégia permanente, enquanto o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, destacou o papel do BNDES e do BRDE no alívio de curto prazo, mas alertou que a recuperação sustentável depende da normalização das tarifas e da retomada das exportações, ainda prejudicadas pelo desaquecimento econômico e pelo elevado endividamento das famílias.

 

Boa notícia para o Brasil. O presidente dos EUA, Donald Trump, determinou nesta quinta-feira (20) o fim do tarifaço sobre a importação de produtos agrícolas brasileiros — como café, carne, frutas e castanhas. A decisão alivia pressões sobre o agronegócio, reabre espaço para produtores nacionais em um dos maiores mercados consumidores do mundo e é ótima também para Santa Catarina.

 

|A Capital|

 

Centro de Florianópolis (Foto: Janine Alves/Acervo Pessoal)

Novo decreto de Florianópolis endurece regras para imóveis abandonados. O Decreto nº 28.701/2025, publicado pela Prefeitura de Florianópolis, regulamenta de forma detalhada a identificação, fiscalização, sanção e arrecadação de imóveis abandonados, inacabados ou insalubres na capital. A medida reforça o princípio da função social da propriedade e cria um procedimento mais robusto para enfrentar problemas urbanos graves — como terrenos com risco sanitário, obras paradas há anos e edificações degradadas que comprometem segurança pública, saúde e a vizinhança. Entre os pontos positivos, o decreto centraliza competências, estabelece prazos, prevê multas, permite ingresso forçado em casos de risco e possibilita a incorporação definitiva de imóveis ao patrimônio municipal após três anos, destinando-os prioritariamente à moradia popular. Por outro lado, o texto também acende alertas: o processo administrativo mais célere, aliado à possibilidade de arrecadação sem etapas prévias de fiscalização, exige forte controle institucional para evitar arbitrariedades, além de demandar estrutura municipal suficiente para executar demolições, obras emergenciais e gestão dos bens arrecadados. Trata-se de um instrumento poderoso de política urbana — que, bem aplicado, pode combater abandono e especulação; mas que requer transparência, fiscalização social e critérios técnicos sólidos para garantir que sirva ao interesse público e não produza efeitos desproporcionais sobre proprietários ou comunidades vulneráveis.

 

Floripa 400 precisa ouvir a cidade real — não apenas produzir discursos otimistas. Toda iniciativa destinada a melhorar Florianópolis é bem-vinda, mas planejamento urbano só funciona quando a escuta é verdadeira — e não apenas simbólica. O Floripa 400, recém-lançado pela Prefeitura para orientar o desenvolvimento da capital pelos próximos 48 anos, acerta ao propor participação social, mas erra se não der centralidade ao conhecimento técnico e científico que há anos alerta para o desequilíbrio entre expansão imobiliária, infraestrutura insuficiente e vulnerabilidade climática crescente. Não basta criar “oportunidades de escuta”: é preciso de fato ouvir quem estuda o território, quem mora nele e quem já sente os impactos da negligência, porque em uma cidade pressionada por enchentes, erosão costeira e ocupação desordenada, curtidas não salvam vidas. Incorporar de maneira efetiva o Artigo 42-A do Estatuto da Cidade ao Plano Diretor — com diretrizes de uso do solo voltadas à adaptação climática — deveria ser um passo obrigatório, não opcional. O Floripa 400 tem potencial para construir um legado intergeracional, mas só cumprirá esse papel se enfrentar o conflito central da cidade: reduzir a distância entre o ritmo do mercado e a capacidade real da infraestrutura urbana, guiado por ciência, transparência e responsabilidade ambiental. Só assim Florianópolis conseguirá chegar a 2074 como referência de futuro — e não como exemplo de omissões acumuladas.

 

Política higienista na Capital: quando até o segurança diz para “falar com o Prefeito”. Mais uma denúncia expõe a face higienista da gestão Topázio Neto na Rodoviária Rita Maria. Duas semanas após o posto avançado da Prefeitura ser flagrado triando pessoas que chegavam à cidade — enviando de volta quem não tinha emprego ou vínculo em Florianópolis — agora uma professora maranhense foi impedida de entrar no terminal por não portar passagem, mesmo buscando apenas abrigo durante a madrugada. No vídeo que viralizou nas redes sociais, o segurança chega a dizer que ela deveria “falar com o Prefeito” para resolver o problema, deixando claro que a prática não é isolada: é diretriz. A artista foi obrigada a passar a noite no frio e na chuva, humilhada, tratada como alguém “que não pertence”. Restringir quem pode circular, descansar, se proteger ou usar um banheiro não é gestão — é exclusão institucionalizada. Florianópolis não pode normalizar políticas que selecionam quem merece dignidade e quem deve ser empurrado para fora da vista. A cidade precisa ser acolhedora, não um laboratório de higienização social.

 

Racismo, xenofobia e a “escola” que não podemos aceitar.  O episódio na Ressacada, em que uma torcedora do Avaí ataca torcedores do Remo com ofensas racistas e xenofóbicas — dizendo “o prefeito não quer, aqui em Floripa, tu. Olha tua cor. Pobre aqui não fica” — não é um caso isolado: é sintoma de um ambiente político e social que, ao naturalizar discursos de exclusão, abre espaço para que violências desse tipo se tornem públicas, explícitas e impunes. Quando a gestão municipal adota práticas higienistas, fecha espaços públicos para quem “não tem passagem”, retira direitos dos mais vulneráveis e trata a cidade como vitrine, não como espaço de convivência, manda-se uma mensagem perigosa: a de que algumas pessoas “merecem” estar aqui, e outras não. Racismo e xenofobia não nascem do nada — são alimentados por políticas, gestos e discursos. Florianópolis precisa ser uma cidade que acolhe, não uma cidade que expulsa; que combate o ódio, não que o inspira.

 

📊 Termômetro da Economia

Acompanhe os principais indicadores que mostram o pulso da economia em Santa Catarina, no Brasil e no mundo.

Destaques:

 

Reprodução

O colapso do Banco Master expôs a vulnerabilidade de fundos públicos de previdência. O colapso do Banco Master revelou que recursos de previdência pública de 18 estados e municípios estavam aplicados em títulos de alto risco e sem cobertura do FGC, somando R$ 1,87 bilhão. Entre esses entes está Santa Catarina, representada pelo município de Itajaí, cuja previdência aplicou cerca de R$ 87 milhões, o equivalente a 15,7% do patrimônio do fundo — um dos maiores percentuais entre todos os municípios listados. A exposição elevada reforça a preocupação com decisões de investimento tomadas pelos gestores locais e a necessidade de apuração rigorosa sobre critérios técnicos, responsabilidades e riscos assumidos com dinheiro público.

 

Mercado de trabalho brasileiro atinge recordes e reforça necessidade de políticas integradas de proteção ao trabalhador. O novo Boletim Mercado de Trabalho (BMT) do Ipea mostra um cenário de forte dinamismo no emprego: o número de ocupados alcançou 102,3 milhões no segundo trimestre de 2025 — recorde histórico — enquanto a taxa de ocupação atingiu 58,8%, três pontos acima do período pré-pandemia. O levantamento revela que jovens que permanecem mais tempo em programas de aprendizagem têm até 36,8% mais chances de conquistar o primeiro emprego formal, reforçando a importância dessa política. A edição destaca ainda a necessidade de integrar os instrumentos de proteção econômica ao trabalhador desempregado — como FGTS, aviso prévio e seguro-desemprego — para aumentar eficiência e ampliar a duração da proteção, proposta defendida por pesquisadores e alinhada a práticas internacionais. A renda média real subiu para R$ 3.477, maior valor já registrado, refletindo o avanço do emprego formal e a expansão do comércio, dos serviços e da indústria de transformação.

 

|Indicadores da Semana |

Foto: Divulgação/EBC

Indicadores da semana mostram inflação em desaceleração e comércio exterior aquecido. O IPCA de outubro subiu apenas 0,09%, bem abaixo dos 0,48% de setembro, com queda de 2,39% na energia elétrica ajudando a segurar o índice. A inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,68%, ainda acima do teto da meta (4,5%), o que levou o Banco Central a manter a taxa básica de juros em 15%, segundo a ata do Copom. No setor externo, a balança comercial registrou superávit de US$ 0,5 bilhão na segunda semana de novembro, com exportações de US$ 6,5 bilhões e importações de US$ 6 bilhões. No acumulado do mês, o saldo positivo chega a US$ 2,3 bilhões, refletindo o bom desempenho das vendas externas — sobretudo da agropecuária — e mantendo a corrente de comércio em forte ritmo.

 

📡 |Radar Político|

Fatos que marcaram a semana e expõem as disputas de poder, com impactos diretos na vida em sociedade e nos rumos da economia.

Segue o fio…

Legislando em causa própria. Os deputados não aprenderam com o desastre das manobras para aprovar a PEC da blindagem, enterrada no Senado pela pressão popular. Sim, a opinião pública importa — e muito. Agora, o alvo é a chamada PEC Antifacção, que ficou conhecida como PEC da Bandidagem, por tentar blindar investigações da Polícia Federal. E o cenário fica ainda mais preocupante porque:

A Câmara aprova PL desfigurado que enfraquece a PF e favorece facções. Em uma manobra política, a Câmara aprovou por 370 votos a 110 um PL Antifacção completamente alterado pelo relator Guilherme Derrite (PP-SP) e pelo presidente da Casa, Hugo Motta (PP-PB). Um projeto originalmente voltado ao combate ao PCC e ao Comando Vermelho virou um texto que enfraquece a Polícia Federal justamente quando a corporação aperta o cerco contra grandes financiadores do tráfico — inclusive banqueiros da Faria Lima. Ignorando alertas do governo, de especialistas e do diretor da PF, o texto reduz a autonomia investigativa, fragmenta fundos essenciais e cria brechas que favorecem estados infiltrados pelo crime organizado.

A manobra. Derrite se licenciou da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo para reassumir o mandato na Câmara e relatar o projeto. A engenharia política previu que ele fique fora do cargo apenas o tempo necessário para conduzir as votações e garantir a aprovação das mudanças que enfraquecem a PF e distorcem o texto original.

Parece coincidência que não é. A manobra ocorre no exato momento em que a Polícia Federal desmonta um dos maiores esquemas financeiros já investigados no país. Na terça-feira (18), o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, revelou que a fraude que levou à prisão do presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, e de quatro diretores pode alcançar R$ 12 bilhões, envolvendo títulos falsos, operações sem lastro e indícios de participação de dirigentes do BRB. Em uma única residência, foram apreendidos R$ 1,6 milhão em espécie. Enquanto o crime organizado de colarinho branco é exposto, o Congresso discute — sob relatoria estratégica de Derrite — um projeto que enfraquece justamente PF e Receita. Timing perfeito para quem quer desidratar investigações; péssimo para um país que precisa de instituições fortes.

Conchavos fantasiados de “resposta dura”. Hugo Motta vende o projeto como enfrentamento ao crime, mas o resultado é uma vitória de acordos políticos sobre a segurança nacional. Agora no Senado, o texto precisa ser reconstruído para recuperar sua função original.

O pano de fundo. Embora o discurso seja o de enfrentar facções, o movimento mira, de fato, bloquear investigações da PF que revelam o crime organizado engravatado — o que viaja em jatinhos, circula em festas milionárias e promete rentabilidades irreais no mercado financeiro.

Haddad alerta. O ministro da Fazenda criticou as mudanças por retirarem recursos justamente dos órgãos que lideram o combate ao crime organizado. Em apenas quatro meses, a PF desmontou esquemas de lavagem em São Paulo, a máfia dos combustíveis no Rio e uma fraude bilionária no sistema financeiro — e, ainda assim, os deputados decidiram enfraquecer PF e Receita.

O uso político do Estado. O Congresso não pode ser instrumento para enriquecer e favorecer “amigos”, mas essa engrenagem — que inclui corruptos, corruptores e o analfabetismo funcional explorado eleitoralmente — ainda freia o desenvolvimento do Brasil.

Como votou Santa Catarina. Dos 16 deputados e deputadas federais do estado, apenas dois — Ana Paula Lima e Pedro Uczai (PT) — votaram contra o PL Antifacção desfigurado. Treze votaram a favor: Cobalchini (MDB), Daniel Freitas (PL), Daniela Reinehr (PL), Fabio Schiochet (União Brasil), Geovania de Sá (PSDB), Gilson Marques (Novo), Ismael (PSD), Jorge Goetten (Republicanos), Julia Zanatta (PL), Luiz Fernando Vampiro (MDB), Pezenti (MDB), Ricardo Guidi (PL) e Zé Trovão (PL). Caroline de Toni (PL) esteve ausente.

Dica: Para quem tem dinheiro no Banco Master, o caminho para recuperar parte dos recursos é o FGC. Com a liquidação extrajudicial anunciada pelo Banco Central, depósitos e investimentos elegíveis passam a ser cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos — que funciona como um “seguro” bancário e garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, incluindo rendimentos até a data da liquidação. O pedido deve ser feito pelo aplicativo do FGC (pessoas físicas) ou pelo Portal do Investidor (pessoas jurídicas). Após validação dos dados, o pagamento costuma ocorrer em até 48 horas úteis. Valores acima do limite entram na fila da liquidação, sem garantia de recuperação total, e investimentos fora da cobertura — como debêntures, CRIs, CRAs e fundos — dependem inteiramente do processo conduzido pelo liquidante. Quem ultrapassa o limite ou possui produtos não cobertos deve acompanhar de perto as etapas da liquidação e buscar orientação jurídica.

 

📡 |Sustentabilidade & Regeneração|

Histórias e práticas que revelam como empresas estão integrando sustentabilidade, impacto social e inovação regenerativa aos seus modelos de negócio.

 

Foto: Ana Costa, VP de Sustentabilidade, Jurídico, Reputação e Governo da Natura / Divulgação.

Natura e OCB avançam na agenda de crédito verde e bioeconomia na Amazônia. Durante a COP30, a Natura e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) firmaram um Acordo de Cooperação Técnica de três anos para destravar políticas públicas, ampliar incentivos tributários e acelerar o acesso das cooperativas a mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e crédito verde na Amazônia. A parceria une a expertise da Natura em metodologias de desenvolvimento de cadeias sustentáveis com a capilaridade nacional da OCB, permitindo escalar soluções de bioeconomia justa. “Para alcançarmos a escala necessária para a bioeconomia prosperar, precisamos nos unir. Esta parceria nos permite levar nossas metodologias a um número muito maior de cooperativas e destravar políticas públicas que garantem fluxo de valor para quem protege a floresta”, afirmou Ana Costa, VP de Sustentabilidade, Jurídico, Reputação e Governo da Natura.

 

|Atenção|

 

Atenção total à Comissão da Câmara Municipal — A “revisão técnica” proposta pela CPE sobre as Unidades de Conservação é, na prática, a porta de entrada para o retrocesso ambiental em Florianópolis. Reabrir debates já resolvidos para atender interesses imobiliários — e não para proteger a Mata Atlântica — coloca em risco ecossistemas essenciais e afronta princípios de prevenção e precaução destacados pelo Ministério Público, que já instaurou procedimento de acompanhamento e alertou: para avançar em qualquer regularização fundiária, a Prefeitura precisa publicar o plano de manejo até 31 de janeiro. São 11 UCs na capital, como o Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, cuja preservação protege biodiversidade e atua como barreira natural contra o avanço do mar. Unidades de conservação podem ser criadas por decreto, mas só podem ser extintas por lei — e qualquer tentativa de alterar polígonos ou flexibilizar regras precisa ser encarada com máxima vigilância. Se o plano de manejo for tão descuidado quanto aquele que permitiu a construção da nova ponte da Lagoa da Conceição, corremos o risco de repetir erros ambientais que já custaram caro à cidade. Proteger as UCs é proteger a vida, o futuro e o patrimônio natural de Florianópolis.

 

APA da Baleia Franca: decisão aprovada é um retrocesso perigoso. A aprovação, pela Comissão da APA da Baleia Franca, de retirar a parte terrestre da unidade de conservação e revisar seu plano de manejo representa um tratoraço contra uma das áreas ambientais mais importantes do litoral catarinense. A APA protege a baleia-franca-austral, restingas, dunas, manguezais, sistemas lagunares e o modo de vida de comunidades tradicionais — justamente o que pesquisadores, moradores e movimentos sociais defendem manter e ampliar nas Conferências Pré-COP30. Embora o relatório incorpore pontos técnicos corretos sobre a aplicação da Reurb, a exclusão da área terrestre ameaça a integridade ambiental, jurídica e social da região.

 

Foto: Parque Siriú avança em área protegida e acende alerta ambiental / CRédito: reprodução.

Parque Siriú avança em área protegida e acende alerta ambiental. A construção do Parque Siriú, em Garopaba, levanta forte preocupação: a obra foi autorizada pela prefeitura em plena área de restinga dentro da APA do Entorno Costeiro, com retirada de vegetação nativa e uso de maquinário pesado, apesar de alertas técnicos do programa Ecoando/UFSC, que classificou o local como APP e área de risco pela oscilação da desembocadura do Rio Siriú. O caso, já denunciado ao Ministério Público e ao Ministério Público Federal, envolve ainda terreno doado como compensação ambiental pelo empreendimento Clareia Barrinha, o que amplia dúvidas sobre a legalidade e a compatibilidade do projeto com o Código Florestal, a Resolução 303 do Conama e a Lei da Mata Atlântica. A intervenção, apresentada como “utilidade pública”, expõe um conflito entre interesses imobiliários e a proteção de ecossistemas essenciais para a segurança urbana e a conservação da restinga — patrimônio ambiental cuja função é impedir erosão, proteger a costa e garantir resiliência frente aos eventos extremos.

 

💼 Negócios em Movimento

Cases de sucesso que mostram a força, a inovação e a presença estratégica das pessoas, empresas e instituições catarinenses no Brasil e no mundo.

 

Foto: ACATE se destaca entre os ecossistemas de maior crescimento no Brasil / Crédito: reprodução.

ACATE entre os ecossistemas que mais crescem no Brasil.  A ACATE conquistou destaque nacional no ranking 100 Open Startups 2025, ocupando o 3º lugar entre os ecossistemas de inovação que mais cresceram no país e o 8º lugar entre os principais ecossistemas privados, reforçando o protagonismo catarinense em inovação aberta. Empresas mantenedoras e parceiras da entidade também brilharam: ArcelorMittal, Bradesco/Inovabra, Unimed, Whirlpool, Unifique, Sankhya e Softplan aparecem entre as corporações e empresas de médio porte mais inovadoras do Brasil. Do lado das startups, a catarinense Weknow conquistou o 2º lugar geral, liderando a categoria de healthtechs, acompanhada por Predialize, GoGood, Omnihunter, FastBuilt, Neokohm e diversas outras em rankings setoriais — demonstrando a força, diversidade e maturidade do ecossistema local. Para o presidente da ACATE, Diego Brites Ramos, o desempenho é resultado direto da articulação promovida pela entidade por meio de iniciativas como o LinkLab, BRDE Labs SC Innovation e as Verticais de Negócios, que conectam empresas e startups para gerar impacto real na economia catarinense.

 

Foto: Silvana Leite, professora da UFSC / Crédito: reprodução.

UFSC será sede de programa da Unesco liderado por pesquisadora catarinense. A professora Silvana Leite, do Departamento de Ciências Farmacêuticas da UFSC, foi escolhida para coordenar na América Latina um novo programa da Unesco em parceria com a Federação Farmacêutica Internacional (FIP) – Centre for Excellence, que terá a UFSC como sede. Pesquisadora e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Assistência Farmacêutica, Silvana desenvolve com a FAPEU o projeto “Avaliação de impacto da formação em residências multiprofissional e em medicina de família e comunidade no SUS (#fuiresidente)”. O novo trabalho internacional busca fortalecer a educação farmacêutica, ampliar a pesquisa em serviços de saúde e apoiar o desenvolvimento sustentável da força de trabalho nas Américas, alinhado ao relatório FIP–Unesco UNITWIN 2025. O lançamento ocorreu nesta quarta-feira (12), em Brasília.

 

Foto: Banco da Família aposta em telemedicina para ampliar acesso à saúde no Sul do Brasil / Crédito: divulgação

Banco da Família aposta em telemedicina para ampliar acesso à saúde no Sul do Brasil. O Banco da Família, referência nacional em microfinanças, acaba de dar um passo estratégico ao lançar o BF+Telemedicina, serviço desenvolvido em parceria com a catarinense TopMed para oferecer consultas médicas 24 horas a populações historicamente excluídas da saúde suplementar — realidade que ainda atinge 75% dos brasileiros. Com mensalidade acessível, atendimento ilimitado e contratação 100% online, a solução reduz barreiras de deslocamento, custo e oferta de profissionais, especialmente em municípios pequenos. Para a diretora administrativa, Geórgia Schmidt, a iniciativa reforça a missão institucional de promover autonomia e qualidade de vida. Fundado em 1998, o Banco da Família já impactou 1,8 milhão de pessoas, liberou R$ 2,9 bilhões em crédito produtivo e foi eleito um dos cinco melhores do mundo pela MicroRate — agora ampliando seu papel social ao integrar saúde, tecnologia e desenvolvimento comunitário.

 

Foto: Ivonei Barbiero, presidente da Amcred-Sul / Crédito: divulgação.

Microcrédito e macroemprego: Amcred-Sul defende ampliação do teto do Juro Zero. A Amcred-Sul, que reúne 15 instituições de microcrédito e microfinanças de todas as regiões de Santa Catarina, defende a atualização do limite do programa Juro Zero, congelado em R$ 5 mil desde 2020 e hoje com defasagem de 37%. O pleito ocorre em um cenário de forte expansão do empreendedorismo: segundo a Jucesc, o Estado ultrapassou 256 mil novas empresas abertas entre janeiro e outubro, 95% delas MEIs, MEs e EPPs — exatamente o público atendido pelo microcrédito. Para o presidente da entidade, Ivonei Barbiero, é hora de ajustar o programa à realidade econômica e ao dinamismo catarinense, propondo elevar o teto para R$ 10 mil e permitir até três contratos por CNPJ. Com a economia estadual crescendo 4,9% no ano, Barbiero destaca que o setor tem base sólida, mecanismos de análise e garantias que sustentam uma expansão responsável das operações, impulsionando pequenos negócios e, com eles, emprego e renda em todo o Estado.

 

🧭 Circuito

Acompanhe os eventos que movimentam o setor econômico em Santa Catarina

 

Foto: Economistas e consultores explicam como a maior mudança fiscal em 50 anos deve alterar custos, estratégia e governança / Crédito: divulgação.

Nova lógica tributária muda preços e competitividade. A maior reforma tributária em meio século já começa a redesenhar custos, governança e estratégia empresarial no Brasil — e o prazo para adaptação é curto. Em encontro técnico realizado nesta terça (18), em São José, a Orsitec reuniu empresários, consultores e economistas para esclarecer como a transição que se inicia em 2026 — com o fim do PIS/Cofins e a chegada da CBS — vai alterar a espinha dorsal das empresas. Para a consultora tributária Renata Schier, a mudança não é meramente terminológica: “não é só mudar nomenclatura — é reorganizar empresas inteiras”, afirmando que a nova lógica de tributação por fora transforma precificação, posicionamento e relações de mercado. O economista da Orsitec, João Victor da Silva, reforçou que o processo de adaptação deve começar imediatamente, diante de dúvidas ainda recorrentes e impactos diretos no ambiente de negócios e nos fluxos operacionais. No painel final, especialistas como Ricardo Anderle, Rodrigo Schwartz, Nelson Füchter Filho (Fever) e Giliardi dos Santos (Orsegups) destacaram que tecnologia, segurança jurídica e atualização contínua serão fundamentais para atravessar a transição. Ao encerrar o evento, a Orsitec reafirmou seu compromisso em apoiar empresas com análises, capacitações e materiais técnicos para enfrentar um período que, mais do que ajustes, representa uma verdadeira reengenharia tributária no país.

 

Foto: Integração Brasil–Alemanha impulsiona avanços em cirurgias cardíacas / Crédito: divulgação.

Integração Brasil–Alemanha impulsiona avanços em cirurgias cardíacas. Santa Catarina encerra neste sábado (22) a Jornada Brasil-Alemanha em Cardiopatias Cirúrgicas, um dos encontros médicos mais importantes do ano na área cardiovascular. Realizado desde o dia 17, em Itajaí e Florianópolis, o evento aproximou especialistas do Hospital SOS Cárdio e da Universidade de Jena em um intenso intercâmbio técnico. Ao longo da semana, equipes compartilharam avanços em cirurgias minimamente invasivas — técnicas que reduzem o trauma cirúrgico e aceleram a recuperação dos pacientes. A iniciativa consolida o protagonismo catarinense na medicina de alta complexidade e amplia a cooperação científica entre Brasil e Alemanha, abrindo portas para novas parcerias e qualificando ainda mais a formação de profissionais da saúde.

 

A FECAM promove no dia 4 de dezembro, em Florianópolis, o Seminário de Comunicação Pública – Do Assessor ao Gestor, encontro que reúne prefeitos, secretários, assessores e equipes de comunicação para discutir práticas modernas de comunicação institucional. Com palestrantes nacionais e estaduais, incluindo o consultor Fred Perillo, o evento abordará temas como gestão de crises, influência, narrativa pública e o que pode ou não ser feito em ano pré-eleitoral. A iniciativa, com apoio da Associação Catarinense de Imprensa, tem como objetivo fortalecer a comunicação das prefeituras, profissionalizar equipes e promover conexões que melhorem a relação entre gestão municipal e cidadão. O seminário ocorre na Univali – Campus Kobrasol, em São José, com inscrições via FECAM e associações regionais de municípios.

Os colunistas são responsáveis por seu conteúdo e o texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal Making of.

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