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sexta-feira, 1 julho, 2022

RELENDO A PANDEMIA – III

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RELENDO A PANDEMIA – III

exatos dois anos questionava a mim mesma eaos leitores, nas “ Crônicas em Quarentena”, se um dia ainda íamos rir daquilo tudo. No início, fazíamos piadas sobre o confinamento provocado pela Covid-19. Logo descobrimos que era apenas o início de uma das piores pandemias da história. Algo que mudaria nossa vida para sempre. Ainda teríamos capacidade de achar graça no futuro?

Olhando para trás, como instigava o texto de 2020, a resposta tornou-se óbvia: seiscentas e setenta mil mortes depois – só no Brasil –não nos deixou ânimo para rir a respeito. A tragédia foidemais até para o nosso espírito galhofeiro que não perdoa nem a mãe nos memes.

Nunca saberemos quantas mortes poderiam ter sido evitadas se não fosse o negacionismo e toda a população tivesse se vacinado rapidamente contra o coronavírus. Vimos arrastando essa e outras dores desde então. Hoje, mal conseguimos dar um esgar, um sorrisinho amarelo, ao reler aqueles chistes. Mas, não duvido que, em breve, estaremos rindo novamente da própria desgraça. É da nossa natureza.

[ 22/maio/2022]
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AINDA VAMOS RIR DISSO TUDO

A capacidade que o brasileiro tem de rir da própria desgraça faz parte da identidade nacional. Não poupamos nem Airton Senna ou outro ser do panteão de heróis populares. Sequer poupamos a mãe, esse ser sagrado, das nossas “gracinhas”. Não está sendo diferente com a maior tragédia que o país já enfrentou. São mais de 19 mil mortos, mas o coronavírus virou uma fonte inesgotável de piadas e memes nas redes sociais.

Deixo para os psicólogos, sociólogos, antropólogos e demais especialistas do comportamento humano analisarem esse traço em profundidade. Posso arriscar alguns palpites sem base científica. Seria uma espécie de exorcismo do medo, da dor e da perda? Ou apenas um aspecto da nossa dita malandragem e do “jeitinho brasileiro”?

Teorias à parte, me curvo diante da criatividade dos piadistas que lotam as redes com suas sacações divertidas. E, sim, não sou tão politicamente correta a ponto de não achar graça desse humor enviesado, principalmente quando mistura pandemia com aquela outra desgraça que se abate no momento sobre o Brasil. Mas essa vamos deixar pra lá para não levantar polêmica. Vamos ficar no tema coronavírus/quarentena.

“Quando tudo isso acabar vou ficar uns 15 dias sem aparecer em casa!”

 “Não vejo a hora de progredir para o semiaberto!”

“Será que é muito cedo para armar a árvore de Natal? Não sei mais o que fazer dentro de casa.”

“Bem aventurados os que andam passeando à toa na rua, em breve eles verão o Senhor” –Teimosos 1.1.

Bem, voltando ao início: “Um dia vamos rir disso tudo” é o título de um romance de Maria Alice Barroso, de 1984, e também um “mantra” que usamos quando nos vemos diante de uma situação ruim.

Estamos fazendo piadas agora e rindo de nervosos, mas quando olharmos para trás vamos conseguir achar alguma graça de 2020? Pensando bem acho que caberia um ponto de interrogação no título deste texto. “Um dia vamos rir disso tudo?”. Responda você.

[22 de maio de 2020]

Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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