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sexta-feira, 1 julho, 2022

RELENDO A PANDEMIA – IV

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RELENDO A PANDEMIA – IV

Escrevi a crônica “A vacina do abraço” há exatamente dois anos. Entre as mudanças de comportamento impostas pelo risco do contágio da Covid-19, não poder abraçar as pessoas foi das mais difíceis para mim. Como assim, apenas soquinho na mão ou contato de cotovelos? Mas, fui muito disciplinada durante a quarentena e obedeci aos conselhos dos especialistas. Meu lema é “se der zebra e eu pegar essa doença maldita, saberei que fiz o possível para fugir dela”. Decisão de quem acredita na Ciência.

Voltando à vida social depois do longo confinamento, estou descontando o tempo perdido e cada amigo que encontro ganha abraço apertado de “ quebrar costelas”, como se diz lá nos Pampas. Que delícia este contato, este calor humano! Não cheguei ao cúmulo de abraçar o delegado e o português da padaria, mas estou quase lá. Venho também guardando alguns abraços em uma caixinha, amarrada com lacinho de fita. Vá que a gente tenha que recolher os braços outra vez. Ai, que pensamento terrível , toc,toc,toc…saravá, pé de pato, mangalô três vezes. Vacina, amém.

Sinta-se abraçado, caro leitor. Até a próxima.

 

Crônicas em Quarentena – A VACINA DO ABRAÇO

“Abraço é um laço dado por fora que desata o nó por dentro” (MQ)

Li que um dos motivos para a peste ser tão avassaladora na Itália – a ponto de deixar mais de trinta mil mortos – seria a estreita relação entre os membros da família, as nonas que cuidam dos netos, os grandes almoços de domingo e os abraços. Ah, os abraços… Talvez pelo DNA italiano sou daquelas que mal enxerga um amigo do outro lado da rua já “corre pro abraço”.

Em outras culturas, porém, o toque humano pode ser raro e até mesmo ofensivo. Um dia ouvi o crítico de cinema Rubens Ewald Filho (que Deus o tenha!) contar que ao preparar o espaço para a entrevista com um cineasta estrangeiro, cujo nome esqueço agora, o assistente após ajustar a luz tocou no braço do diretor, dizendo “podemos ir, está tudo pronto”. Rubens disse que o homem armou um escândalo, achou o gesto invasivo, quis até cancelar a entrevista por causa do toque.

Também li há pouco que a americana Megan Markle, casada com o príncipe Harry da Inglaterra, teria reclamado que sua cunhada, a princesa Kate Middelton, é uma mulher “tensa e fria”. Um dos motivos para Megan e Harry abandonarem o Reino Unido e as benesses que cercam a monarquia britânica foi o desejo de criar o filhinho  em um ambiente carinhoso. Cheio de beijos e abraços, I presume!

Durante a quarentena algumas pessoas estão sentindo falta de muitas coisas, outras sentem falta de muitas coisas+ dos abraços. A droga preventiva contra a Covid-19 poderia se chamar ”vacina do abraço” ou mantendo a tradição em latim ”vaccinum amplexus”.

Até os cientistas encontrarem a fórmula da vacina, guardem seus amplexos numa caixinha amarrada com um grande laço. Como escreveu o poeta Mário Quintana: Meu Deus! Como é engraçado! Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço… uma fita dando voltas. Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braços.

Quando acabar a necessidade do isolamento social, use-os para abraçar seu amor, seus amigos, sua família, o “delegado, o vizinho do lado e o português da padaria”, como canta Zeca Baleiro em “Telegrama”.

[29/05/2020 – Brígida De Poli]

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Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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