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quinta-feira, 7 julho, 2022

RELENDO A PANDEMIA – V

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RELENDO A PANDEMIA – V

“O tempo perguntou pro tempo qual é o tempo que o tempo tem. O tempo respondeu pro tempo que não tem tempo pra dizer pro tempo que o tempo do tempo é o tempo que o tempo tem.” (trava-língua /Vinicius de Moraes)

Estava pensando em encerrar a série de releituras das “Crônicas em Quarentena”, escritas há dois anos, mas encontrei esta sobre um tema instigante. Refletimos tanto sobre o tempo no auge da pandemia. Ah, o TEMPO… Alguns tinham a sensação de o estar perdendo, outros diziam que finalmente iam aproveitar e preenchê-lo com antigos desejos, como escrever um livro ou aprender a tocar violão. Será que fizeram ? Hum…

O meu amigo que se queixava de não poder sair de casa por causa da quarentena, continua lá, quieto no seu canto, mesmo tendo acabado a fase aguda da pandemia. – Mas, readquiri meu poder de sair, se quiser, argumenta ele.

Em mim, ficou a sensação de que os dois últimos anos não passaram, caíram em um buraco negro. Quando vou contar algo tenho que parar para pensar que não aconteceu ontem, mas há mais de mil dias. Tenho  até dificuldades para explicar essa percepção.

Como foi para vocês esse período, leitores? Aproveitaram, perderam, reencontraram coisas, fizeram aula de tango online ou se deixaram levar pelo feitiço do tempo?

(05/06/2022)

 

Crônicas em Quarentena – O FEITIÇO DO TEMPO

Quando iniciou a quarentena muita gente dizia que finalmente ia ter tempo para fazer coisas que antes não conseguia. Dois meses depois vejo todos reclamando da falta de tempo. Que mistério é esse? Eu mesma acordei achando que hoje era quarta, mas já é sexta-feira ! O que aconteceu com a ideia de que os dias se arrastariam durante o isolamento social? Não ia sobrar tempo?

O tempo é sorrateiro. Ele pode nos consumir antes que o consumamos. Sento na frente do computador e, de repente, já se passaram duas horas. Deito no escuro e no momento seguinte o sol já entrou pela janela do quarto. E como assim já acabou o mês de maio ?

Quando a vida seguia seu curso normal com trabalho, viagens, ida ao cinema, festas, muitas coisas acontecendo, dava para entender porque o tempo passava tão rápido. Mas no confinamento estamos vivendo a mesma rotina diária. É como estar dentro de O Feitiço do tempo (Groundhog Day), o adorável filme de 1993, em que Bill Murray interpreta um repórter da previsão do tempo na TV que vai para uma pequena cidade cobrir o celebrado “Dia da Marmota”. Por alguma razão, ele fica preso no tempo e sempre que acorda, o dia anterior se repete.

Tenho um pouco a sensação de estarmos vivendo no dia da marmota durante a quarentena. Acordo, tomo café, converso,tomo banho, escrevo, preparo o almoço,leio,tiro um cochilo, converso nas redes sociais, escrevo, vejo um filme, durmo. Acordo, tomo café, converso, escrevo…

Mas era muito diferente antes do isolamento social? Um querido amigo se queixa de não poder sair de casa. Respondo que ele saía raramente mesmo. “Ah, mas eu sabia que podia sair se quisesse…”. Seres humanos!

No fundo, entendo o meu amigo. Tenho a sensação de um certo desperdício de vida, uma interrupção injusta principalmente para os que tem poucos anos pela frente. Já nem imprimo mais o calendário mensal onde costumava anotar meus compromissos. Interrompi em março. Os jovens também reclamam: “justo agora que tenho tanto para aproveitar?”.

Independente do que pensamos dele, do quanto tentemos compreendê-lo ou segurá-lo, o tempo segue, passa, voa…sem nos dar importância. Como escreveu e cantou Aldir Blanc – para quem o tempo findou este ano por causa da peste-Batidas na porta da frente /é o tempo/Eu bebo um pouquinho pra ter argumento/Mas fico sem jeito, calado, ele ri/ Ele zomba do quanto eu chorei/porque sabe passar e eu não sei…

(07/junho/2020)

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MICROCONTOS

O coletivo Literatura Mínima prepara uma nova coletânea, sob mentoria do escritor e professor Robertson Frizero, desta vez com o tema “Entre lugar”. São minicontos sobre quem é obrigado a deixar a terra natal para fugir da guerra e da fome. A renda irá para instituições de apoio a famílias refugiadas. Aqui, dois exemplos dessas histórias em cinqüenta palavras.

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Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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