Início turbulento
O imbróglio jurídico envolvendo a criação da SAF 100% do Avaí nasce logo no ponto mais sensível: o começo de uma nova gestão. Não sou especialista em Direito, mas é evidente que iniciar um mandato de quatro anos com decisões suspensas na Justiça não é um bom cartão de visitas. A SAF foi criada no papel, aprovada em Conselho Deliberativo e Assembleia Geral, mas, por força de liminar mantida pelo Tribunal, não foi levada adiante. Pelo menos por enquanto. O desafio já começa com o freio puxado.
Condução questionada

Parte da torcida e de conselheiros critica a forma açodada como o processo foi conduzido. O centro da disputa está no quórum exigido pelo Estatuto. O presidente do Conselho, o advogado Alessandro Abreu, afirmou na JP News que não há necessidade de quórum qualificado para a criação da SAF 100%. Já os conselheiros que ingressaram na Justiça sustentam o contrário, apoiados em outra leitura dos artigos e alíneas estatutárias. Essa divergência jurídica virou uma batalha judicial. Enquanto isso, quem perde tempo, credibilidade e estabilidade é o Avaí.
Herança pesada
É impossível analisar esse cenário sem olhar para a situação financeira deixada ao fim do atual mandato. O clube chegou a um nível de endividamento comprometedor, mesmo com a entrada de recursos relevantes da Liga Forte União. O problema não foi apenas arrecadar, mas gastar mal. Decisões equivocadas no futebol, contratações sem retorno esportivo e financeiro, e um planejamento frágil empurraram o Avaí para o limite.
Conta aberta

Segundo o presidente eleito Bernardo Pessi, o clube precisa de mais de R$ 60 milhões para fechar o ano. Não há crédito na praça. Houve atraso em parcela da Recuperação Judicial (já quitada) e uma sequência de ações trabalhistas que expõem ainda mais a fragilidade financeira. O goleiro César conseguiu rescisão indireta e cobra mais de R$ 2 milhões. Agora, o capitão Eduardo Brock pediu rescisão em tutela de urgência, pleiteando R$ 2.090.602,61 entre salários, 13º, direitos de imagem e FGTS. O Avaí perde jogadores, liderança e patrimônio esportivo.
Credibilidade abalada
Quando um clube não honra compromissos básicos, a credibilidade vai junto. Isso afasta reforços, encarece negociações e mina qualquer discurso de reconstrução. Quem quer trabalhar num ambiente de salários atrasados e incerteza jurídica? A SAF, para muitos, surge como ferramenta necessária para abrir novos horizontes financeiros. Mas, do jeito que está, travada na Justiça, ela vira mais um fator de instabilidade.
Derrota momentânea
Na sexta-feira, o Avaí ingressou com agravo contra a liminar que suspendeu os efeitos da Assembleia. Quase às 23h, o desembargador de plantão indeferiu o pedido de tutela, mantendo integralmente a decisão. A liminar segue válida. É uma derrota momentânea, mas significativa. Enquanto o debate jurídico se arrasta, o clube segue sangrando fora de campo.
Debate necessário

Nesta segunda-feira (22), o advogado Tullo Cavallazzi participa do Debate da Pan, na Jovem Pan News, para discutir SAF, gestão e perspectivas do Avaí. O espaço é importante. Informação, transparência e debate qualificado são essenciais. O Avaí precisa mudar muito. E rápido. Porque, hoje, entre estatutos, liminares e dívidas, quem está em segundo plano é o futebol e isso nunca acaba bem.
Ataques anônimos
A postura de torcedores e blogueiros que se escondem atrás de pseudônimos para atacar ex-presidentes não contribui em nada para o Avaí. Ao contrário: aprofunda feridas, distorce fatos e alimenta um ambiente de permanente conflito. Discordar é legítimo; difamar, não.
Injustiça histórica
Tratar Battistotti e Amaro como persona non grata, sob o argumento de que teriam comprometido o futuro do clube, é raso e injusto. Battistotti assumiu o Avaí após a renúncia de Nilton Macedo Machado, em cenário de dificuldades muito semelhantes às atuais. Pegou um clube fragilizado e, contra tudo e contra todos, promoveu uma virada.
Resultados concretos

Foram três acessos, dois títulos estaduais, evolução clara do patrimônio e, sobretudo, o Avaí entregue na Série A, com cota de Série A garantida ao sucessor. Isso não é opinião, são fatos. Houve erros? Sim. Mas o saldo esportivo e institucional é inegável. Poucos lembram ou preferem esquecer o preço pago. Ameaças de morte, desgaste familiar, saúde comprometida. Battistotti colocou o Avaí acima de si mesmo. Receber como “prêmio” uma campanha difamatória é algo que diz muito mais sobre quem ataca do que sobre quem é atacado.
Tentativa de união
A futura gestão e seus apoiadores tentam pacificar o ambiente, chamando todos à mesa. Renan Schlickmann e o candidato a vice Rudnei Raulino foram convidados, assim como outros ligados à gestão Battistotti. O objetivo é claro: um Avaí mais forte e unido. Infelizmente, a campanha para rotular ex-dirigentes como persona non grata produziu o efeito inverso. O acirramento aumentou, o clima piorou e a distância entre as partes só cresceu. O Avaí não ganha nada com isso, perde tempo, energia e identidade. O clube precisa de memória, respeito e diálogo. Sem isso, não há SAF, modelo associativo ou gestão que resolva. O Avaí é maior do que disputas pessoais e guerras virtuais.









