A perda de Marlyson pelo Figueirense era previsível, ainda que dolorosa. Artilheiro do time e um dos grandes goleadores do país em 2025, o atacante encerra o ano com 21 gols, sendo o quinto maior artilheiro do futebol brasileiro na temporada. Ficou atrás apenas de Vegetti (27), Kaio Jorge (26), Arrascaeta (25) e Flaco López (25). Um dado que dimensiona o tamanho da perda.
Marca histórica

Mais do que números frios, Marlyson quebrou um jejum importante no Orlando Scarpelli. O Figueirense não tinha um jogador com mais de 20 gols em uma mesma temporada havia 13 anos. Mesmo atuando em uma competição mais modesta como a Copa Santa Catarina, o feito é relevante. Gol não se fabrica e atacante decisivo é artigo raro.
Peça rara
O clube até se movimentou no mercado. Fez dez contratações com nomes como Silvinho, mais experiente, Igor Bolt, Pablo e a permanência de Felipe Augusto. O elenco é numeroso, a pré-temporada está adiantada e a estreia marcada para 7 de janeiro diante do Joinville, na Arena. Dentro de campo, planejamento existe. O problema é que planejamento não garante substituição imediata para quem decide jogos.
Erro básico
O ponto central está fora das quatro linhas. Marlyson tinha contrato até o ano que vem, mas conseguiu a rescisão indireta na Justiça. Falta de pagamento de FGTS e outras obrigações contratuais abriram caminho. Pouco se sabia disso. Quando o clube falha no básico, o atleta tem razão em buscar seus direitos. O Figueirense facilitou a saída. Perdeu seu principal jogador sem receber nada e ainda ficou com débitos em aberto.
Espelho próximo

No Avaí, o roteiro é parecido. O zagueiro Eduardo Brock recorreu à Justiça cobrando mais de dois milhões de reais. Não se trata apenas de salários atrasados, mas de obrigações legais ignoradas. O clube fica fragilizado e a gestão exposta. Dentro das quatro linhas, Cauan Almeida trabalha com o que sobrou após o desmanche do Brasileiro. O desafio é enorme. Fora dele, o presidente eleito Bernardo Pessi tenta avançar com a SAF, já criada, mas com seus efeitos suspensos por liminar judicial.
Caso Renan
A saída do goleiro Renan virou mais um capítulo confuso. O Avaí alegou reprovação nos exames médicos; o jogador respondeu dizendo ter apenas uma micro lesão, com recuperação em 30 dias. Faltou clareza, sobrou ruído, envolvendo um atleta símbolo do acesso de 2016.
Mercado pontual

Apesar do cenário, o Avaí anunciou reforços. Pedro Cuiabá, volante de 23 anos, chega com contrato até 2027 após boa passagem pelo Caxias. O jogador chegou a interessar ao Criciúma. Outro reforço João Maistro, zagueiro de 25 anos, vem por empréstimo do Atlético-GO até o fim de 2026. Movimentos pontuais, dentro de um contexto financeiro apertado.
Resumo
No Figueirense, a saída de Marlyson simboliza mais do que a perda de gols: escancara falhas estruturais. No Avaí, o filme é semelhante. Enquanto a bola rola, são os problemas fora de campo que seguem decidindo elencos, resultados e destinos. No futebol, quem não cumpre o básico sempre paga, e paga caro.









