Novembro 26, 2020

SC vive o estigma do camaleão

SC vive o estigma do camaleão

Mais contundente que a decisão do Grupo de Turmas do Tribunal de Justiça que validou a equiparação de salários dos procuradores do Estado com os da Assembleia ou que a inócua jogada “placebo” da governadora em exercício, Daniela Reinehr, que anulou o ato que concedeu a equivalência, está a turma que xingava o governador Carlos Moisés e agora teve que voltar atrás, virou boazinha, mudou de lado, tal qual o camleão que troca de cor para fugir dos predadores.

À véspera do retorno do governador ao cargo, mesmo antes que o Tribunal Especial de Julgamento se manifeste oficialmente, os que produziam “fatos novos” todos os dias, ofendiam Moisés ou criavam manchetes sobre sua iminente capitulação, já tratam o assunto como revertido e consumado, que bela mudança de opinião.

Mas a sociedade de Santa Catarina, que jamais comprou a versão de crime de responsabilidade neste episódio entre os procuradores ou até mesmo na questão dos respiradores, precisa saber o que motiva os deputados Julio Garcia, presidente da Assembleia e patrocinador da trama, e Milton Hobus, presidente do PSD e um dos mais ácidos críticos do morador da Casa d’Agronômica pelo voto popular, a conversar sobre futuro.

A questão deveria ser: futuro de quem? Provavelmente, dos parlamentares que colocaram seus pescoços em risco porque não concordavam em deixar de interferir em contratos milionários ou indicar apaniguados para “carguinhos” ou simplesmente eram motivados porque Moisés não respondia seus WhatsApp ou telefonemas.  

 

Nos bastidores

Outra bancada rebelada, eivada de reclamações, ódio puro e disposta a pegar o machado e o ancinho (rastelo) em punho e marchar com tochas em direção à Casa d’Agronômica, o MDB mudou de ideia repentinamente e alguns admitem fazer parte do governo que pretendiam derrubar.

Mas ninguém pode apagar o passado recente, os anais da Assembleia recheado com as pesadas críticas que se confundiam com ofensas e xingamentos, as manchetes e campanhas de depredação moral na mídia, dos mesmos que chamaram Moisés de “criminoso”, “corrupto”, “safado” e agora buscam ficar ao lado dele, em nome de um governo de coalizão.

 

Axioma

Passou da hora de Moisés construir uma base sólida na Assembleia, buscar a governabilidade, porém, antes, como manda a prudência, deve estabelecer no colo ou nas mãos de quem está disposto a colocar seu futuro, separar o adversário do bom combate do inimigo dissimulado.

É fato que, em política, não existem eternos inimigos, só amigos de ocasião, algo que não exclui a desfaçatez em meio a um mundo político catarinense que era dividido entre Julistas fortalecidos e Moiséscistas desconhecidos, aparentemente sepultado nas últimas horas.

 

Que tal uma catarse

Com a palavra os deputados Kennedy Nunes (PSD), Ivan Naatz (PL), Luiz Fernando Vampiro (MDB), Milton Hobus (PSD), Maurício Eskudlark (PL), Laércio Schuster (PSB) e Sargento Lima (PSL) – um dos poucos que deve se manter fiel aos seus princípios de opositor - só para citar alguns envolvidos no primeiro processo de impeachment que deveriam se manifestar sobre a troca de lado que se avizinha.

Eles jogaram a imagem de Moisés no lixo e precisam de um boa desculpa para justificar o que fizeram e disseram, agora que muitos que acompanharam a causa propalada por eles viraram companheiros de luta “do bombeiro”, assim como quem fez campanha e apostou na queda por inércia da atual gestão, de olho em outros interesses.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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