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Sephan diz que há erros nos estudos do MPSC que defendem tombamento da antiga rodoviária de Florianópolis

 

Um parecer emitido pelo Setor de Patrimônio Histórico, Artístico e Natural (Sephan) da Prefeitura de Florianópolis diz que há incoerências nos estudos do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e de entidades como o IAB-SC, que haviam defendido a preservação do prédio da antiga Rodoviária da Capital por seu suposto valor histórico e arquitetônico.

Entre os problemas destacados pelos arquitetos do Sephan está a falta de suporte factual que justifique o valor afetivo e simbólico.

No relatório, o MPSC afirma que o projeto seria do arquiteto Roberto Veronese, mas o Sephan apresentou o documento do projeto da antiga rodoviária que mostra que o imóvel foi feito pelo engenheiro Ivo Monteiro Martinez.

O parecer também descreve o prédio como exemplo de “planta livre”, com elementos da arquitetura modernista. Entretanto, o Sephan explica que a construção é convencional, sem elementos modernistas.

Por fim, o parecer do MPSC usou uma Lei Estadual para justificar os requisitos para o tombamento, ignorando a legislação municipal. Mas, mais uma vez, o Sephan esclareceu que o processo de tombamento deve seguir a legislação municipal, que dispõe sobre a proteção do patrimônio histórico, artístico e natural do Município.

 

DEMOLIÇÃO DEPENDE DE DECISÃO JUDICIAL

Atualmente, a demolição do prédio da antiga rodoviária aguarda decisão judicial. Na última semana, o julgamento foi suspenso e o Desembargador pediu vistas do processo, que será analisado em um novo julgamento com data a definir.

O prédio da antiga rodoviária está sem uso porque, no ano passado, o próprio MPSC obrigou a Prefeitura a desocupar o espaço e tirar os comércios do local.  Além disso, em 2023, o Ministério Público emitiu recomendação de interdição total e demolição, após constatar danos estruturais, instalações elétricas comprometidas e risco à população.

 

CENTRO CULTURAL

Em 2018, um trabalho de conclusão do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unisul sugeriu que aquele espaço fosse transformado num centro cultural. Orientado pelo professor Sílvio Hickel do Prado, o então formando Pedro Paulo de Pinho e Silva destacava a ausência de equipamentos públicos culturais no centro da cidade e apresentou um projeto arquitetônico para requalificar a área de 2.109,25 m². O Centro Cultural El Tranque, em Santiago (Chile), foi usado como referência dessa proposta.

Além de um ponto de encontro, que teria opções gastronômicas, o novo prédio teria um auditório com capacidade para 204 pessoas e três salões de exposições conectados entre si por portas que possibilitam a criação de um grande espaço ou a utilização de cada um separadamente.

A proposta também previa melhorias no entorno da área de intervenção, como a revitalização da Praça Olívio Amorim, a criação de uma via gastronômica na rua Hermann Blumenau, a criação de pocket parks e a conexão do passeio central da Avenida Hercílio Luz com um parque no aterro da Baía Sul.

 

 

 

 

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