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quarta-feira, 25 maio, 2022

Sonhei com você ontem à noite

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Sonhei com você ontem à noite                             

Eu queria entender mais sobre sonhos. Não falo dos metafóricos, mas daqueles  que nos fazem acordar contentes ou apavorados. Quando sonhamos, tudo parece tão intenso e real, a sensação permanece em nós pelo resto do dia. Apesar de existirem vários estudos, até à luz da psicanálise como  no livro “ A interpretação dos sonhos”, de Sigmund Freud, ainda restam mistérios. Não é de hoje que tentamos entendê-los. Em civilizações como a Roma ou a Grécia antiga, o sonho era tido como uma mensagem dos deuses. Era uma espécie de profecia enviada por seres superiores. Talvez venha daí a inspiração dos brasileiros para escolher os números dos jogos.

Existem aspectos comuns  a todos, como a gente ser a gente, mas, ao mesmo tempo, não ser a gente; ou sabermos quem é a pessoa no sonho, mesmo se o rosto dela for outro. Todavia, sonhos são individuais e únicos. Muita gente reclama de nunca lembrar deles.  Isso acontece se acordarmos depois de dez minutos, dizem. Outra curiosidade é  se as imagens idílicas vêm em preto e branco ou em technicolor!

Algo que me intriga bastante é o sonho recorrente. Os cientistas apontaram que a pandemia trouxe novos temas. Desde o início do confinamento, passei a sonhar que vou perder o avião, por exemplo. Estou sempre com a mala por arrumar, não sei onde guardei a passagem ou encontro-me num lugar estranho sem saber onde fica o aeroporto. O sentimento é de apreensão. Mesmo assim, mas não chega a ser um daqueles pesadelos horríveis em que a pessoa acorda suando, coração na boca, até gritando. Como bem explica Chico Buarque em “Não sonho mais”: foi um sonho medonho /desses que às vezes a gente sonha/e baba na fronha/e se urina toda/e quer sufocar.

Antigamente eu sonhava que voava. Não era exatamente um vôo de pássaro, eu pulava e saltava tão alto que ficava flutuando. Uma sensação deliciosa. Não sei porque acabou. Caro leitor, desculpe-me, eu nem deveria estar contando isso porque o sonho só interessa a quem o teve, não é mesmo? Confesse: se alguém começa a contar as aventuras idílicas da noite anterior como se fosse um filme, você se interessa? Talvez, se o relator começar com  “ sonhei com você ontem à noite”…
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MINICONTOS

O desafio do mentor Robertson Frizero ao coletivo Literatura Mínima foi escrever um conto de até cem palavras, inserindo obrigatoriamente a frase “Não disse aquilo para ferir ninguém, mas o efeito foi devastador”.
Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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