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quarta-feira, 25 maio, 2022

Sonhos de Natal

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Entrei no site dos Correios para escolher algumas cartinhas – agora online – dirigidas ao Papai Noel. É assim: as crianças de creches e escolas públicas escrevem pedindo o que gostariam de ganhar de Natal. Os “papais noéis” escolhem e compram os presentes, deixando para entrega em alguma agência dos Correios.

Fui lendo e me surpreendendo com os desejos, digamos, sofisticados: boneca Barbie Sereia, casa da Barbie, patinente elétrico, patins, carros com controle remoto, Playstation, camisa oficial do Flamengo… Opa, como assim, garotada? São coisas muito caras, deviam ter pedido presentes mais em conta, pensei. Houve anos, quando as cartinhas ainda eram no papel, que doei material escolar, cesta básica, tênis e roupinhas, artigos úteis.

Refleti e senti uma certa vergonha. Por serem de famílias pobres não têm o direito de querer os brinquedos incríveis que a indústria cria todo ano? Elas estão sujeitas à publicidade, como as demais. Elas vêem outras meninas e meninos brincando com aquilo. Por que deveriam pedir carrinho de plástico e boneca do 1,99? E, na cabecinha delas, se o Papai Noel é uma entidade mágica, por que não poderia dar tudo que quisessem, sem ligar para orçamento?

Lembrei de um professor de Estatística (argh) dos tempos de faculdade que reclamou um dia na aula sobre “pobres ganharem dinheiro e, em vez de comprar leite, comprarem coca-cola”! Aquilo me incomodou de tal forma que ainda hoje, quarenta anos depois, não esqueci.

Voltando às cartinhas, havia também de adolescentes de abrigos sociais, pedindo maquiagem, perfume e roupa bonita. Uma mãe pedia um “brinquinho de semi-jóia” para sua bebê. Tudo tão natural, tão humanamente compreensível!

Deixei meu preconceito de lado e decidi que, se não posso atender vários pedidos por falta de recursos, posso realizar ao menos UM. Afinal, não cabe justamente a quem sabe como era mentir para as amiguinhas sobre presentes imaginários de Natal – proibidos de levar para a rua – colocar limites nos sonhos de uma criança.

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MICROCONTO DE DOMINGO

Desafio proposto pelo professor/escritor Robertson Frizero ao grupo do @literaturaminima: um conto em até 50 palavras, inspirado na foto de pessoas ao mar, buscando refúgio.

Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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