Novembro 18, 2020

Sucessão de Julio passa por consenso

Sucessão de Julio passa por consenso
BRUNO COLLAÇO/AGÊNCIA ALESC

A bancada do MDB na Assembleia, a maior da casa com nove cadeiras, reúne-se na semana que vem para tratar da sucessão de Julio Garcia (PSD) na presidência, uma eleição que pretendem ser de consenso em 1º de fevereiro de 2021.

Até lá, os parlamentares emedebistas buscarão o consenso em torno de um nome, que será oferecido para os demais deputados com o objetivo de chegar a unanimidade, o mais provável o de Mauro De Nadal (foto, durante a sessão orodinária desta quarta, 18), atual primeiro vice-presidente e que tem o respeito dos demais integrantes do Legislativo.

O deputado Valdir Cobalchini já avisou que não colocará sua candidatura ao cargo, mas cresce, nos bastidores, um olhar diferente para o deputado Moacir Sopelsa, que já foi vice-presidente do parlamento na segunda gestão de Gelson Merisio (então no PSD), de 2015 a 2017.     

Se a bancada do MDB mantiver o histórico de desacertos pontuais internos, abrirá flanco para que surjam outros candidatos à presidência, mas o trunfo, ainda assim, seria o apoio de Julio, principalmente depois que os deputados da maior bancada seguiram unidos a ordem de abreviar a administração de Carlos Moisés da Silva (PSL).

 

Entrave

Dar a condição de comando a Sopelsa é encarada por alguns como um prêmio pela longevidade do emedebista na Assembleia, seis mandatos.

O deputado estaria disposto a ir para o voto dentro da bancada e já antecipa que, depois disso, pendura a chuteira.

 

Precisa combinar

Mesmo que denote um enorme esforço, emedebistas chegarem a um acordo não é porteira fechada.

É essencial garantir os outros votos, caso contrário crescem nomes como os de Milton Hobus ou Ismael Santos, ambos do PSD, ou Marcos Vieira (PSDB), que podem trabalhar no vácuo.  

 

Pedido

Deputado Valdir Cobalchini defende o novo pedido que fez ao presidente do Tribunal Especial de Julgamento do segundo impeachment, desembargador Ricardo Roesler, para ter acesso ao parecer oficial da Polícia Federal que não vê indícios de participação criminal do governador Carlos Moisés, ora afastado, entregue no inquérito aberto pelo ministro Benedito Gonçalves, do STJ.

O parlamentar justifica que, na condição de julgador e de autor do relatório que levou à admissibilidade da denúncia de crime de responsabilidade em função do pagamento antecipado dos respiradores, necessita dos elementos da peça produzida pela PF para fundamentar sua posição ou até mudá-la, e não apenas de divulgações feitas pela imprensa.

 

VALQUÍRIA GUIMARÃES

FELIZ DA VIDA!

Com ou sem a disputa interminável pela continuidade ou não da Taxa de Preservação Ambiental (TPA) e depois de um ano em que viu a missão de líder do governo na Assembleia se transformar em briga que Golias venceu Davi (ou Moisés), a deputada Paulinha da Silva (PDT), na foto durante a festa depois de divulgado o resultado oficial, comemorou a vitória de Paulo Dalago Muller, o Paulinho (DEM), e Alexandre da Silva (PDT), em Bombinhas, com 73.53% dos votos válidos, em Bombinhas. Paulinha foi prefeita na cidade e deixou o vice como sucessor, agora referendado nas urnas à reeleição. Sem contar que a deputada apoiou as reeleições dos prefeitos de Porto Belo, Emerson Stein (MDB); de Balneário Camboriú, Fabricio Oliveira (PODEMOS); e de Itajaí, Volnei Morastoni (MDB), que tem Marcelo Sodré do PDT como vice.

 

Mais um

Outro que é só sorrisos e alegria é o deputado Milton Hobus, padrinho e avalista da reeleição do prefeito José Thomé (PSD), em Rio do Sul, maior cidade do Alto Vale do Itajaí.

O parlamentar, que comandou a cidade por dois mandatos, sabe do esforço que foi enfrentar muitos obstáculos para garantir o prefeito no cargo, tanto que, depois de sair o resultado, chegou a afirmar “elegi o Thomé”.

 

Avaliação

Ao repórter Paulo Chagas, o prefeito Antônio Ceron (PSD) fez uma avaliação interessante sobre o apertado resultado de 56 votos apenas que lhe garantiram a permanência por mais quatro anos no cargo.

Para Ceron, a qualidade dos dois adversários: Carmen Zanotto (Cidadania), que fez 28.273 votos; e Lucas Neves (PSL), dono de 22.691 sufrágios. Ceron foi mais do que honesto.

 

Absurdo

Primeira mulher negra a chegar à Câmara dos Vereadores de Joinville, Ana Lúcia Martins, fez boletim de ocorrência na Polícia Civil para denunciar uma ameaça de morte que sofreu nas redes sociais.

O pecado dela, ser afrodescendente e pertencer ao PT, algo que depõe contra a democracia e abre flanco para quem não gostar de quem a critica agir com idêntica irracionalidade.

 

Mais essa

Ana Lúcia não parou de receber ataques, embora denuncie as ofensas se ameaças dirigidas a ela, que vêm de todos os lados desde antes de terminada a apuração em Joinville.

A vereadora foi mulher de Maurício Rosskamp, assassinado no ano retrasado, que era filho do ex-deputado estadual constituinte Raulino Rosskamp (PMDB, de 1987 a 1991). Leia na íntegra a nota emitida pelo PT:

 

Nota de denúncia e solidariedade a Ana Lúcia Martins

O Partido dos Trabalhadores de Santa Catarina presta sua solidariedade à vereadora eleita, professora e servidora pública aposentada, Ana Lúcia Martins, do PT de Joinville. O PT repudia veementemente os violentos ataques de cunho racista e, o mais grave, ameaças de morte sofridos por Ana Lúcia desde o último domingo, quando foi eleita com 3126 votos a primeira vereadora negra da história de Joinville.

 

Desde domingo, mesmo antes da divulgação oficial do resultado da eleição, Ana Lúcia e o partido já haviam sofrido uma série de ataques, inclusive reações violentas por parte de um radialista da cidade. Durante a noite, suas páginas na internet foram invadidas. A vereadora eleita passou a receber ameaças de morte de um perfil fake no Twitter, que destila todos os tipos de preconceitos e discriminações possíveis. Em diversas situações, esse mesmo perfil informa estar organizado com outras pessoas de Santa Catarina, em uma denominada “Juventude Hitlerista”.

 

O PT-SC pede que todas as que as autoridades tomem providências para que os autores desses ataques sejam investigados e responsabilizados criminalmente. Infelizmente, os autores desses ataques estão dispostos a promover uma onda de violência e ódio, com o intuito de desestabilizar a vereadora e o partido na cidade. Esses fatos demonstram que a intolerância, a discriminação e o preconceito precisam ser repudiados e combatidos em nossa sociedade.

 

Ana Lúcia representa um projeto coletivo, construído pelo Movimento Negro de mulheres e homens, pela organização e coletivos de mulheres e feministas, por diferentes partidos de esquerda, de pessoas sem partido e de outros movimentos sociais. – Não vão nos calar. Não vamos recuar. Seguimos firmes, com coragem e disposição para defender os direitos da população negra, das mulheres, da juventude, da população periférica, Imigrantes e refugiados e da classe trabalhadora, vereadora eleita Ana Lúcia.

 

Décio Lima

Presidente do PT-SC”

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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