Abril 01, 2017
FIESC

Temer admite alterações na Previdência a Bornhausen

Acompanhado do ex-ministro da Previdência do governo Fernando Henrique Cardoso e ex-deputado federal por cinco mandatos Roberto Brant (PSD-MG), o ex-senador e governador Jorge Bornhausen, figura com influência nos canais mais altos da República, ouviu de Michel Temer, em audiência no Palácio do Planalto, nesta sexta, que o presidente admite fazer algumas alterações no projeto de reforma da Previdência, em análise no Congresso. Temer não pretende flexibilizar a idade mínima para homens e mulheres se aposentarem, 65 anos, garante Bornhausen.

O encontro, que durou cerca de 30 minutos, foi pela manhã, pouco antes de ser divulgado o índice de avaliação do governo Temer (31%, entre ótimo e bom, e 55% entre ruim e péssimo – que subiu 9% de dezembro para março, de acordo com a pesquisa CNI/Ibope), portanto o assunto e seu impacto não entraram na conversa. Bornhausen foi dar apoio à proposta do governo e afirmou ter encontrado um presidente “simpático, tranquilo e satisfeito”, e que está preparando a base no Congresso para vencer barreiras, com a sua larga experiência parlamentar e de duas vezes presidente da Câmara.

 

A garantia de Maia

Na viagem a Brasília, Jorge Bornhausen jantou com o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), na última quinta-feira. Maia acredita que a reforma da Previdência deve ser levada a plenário no início de maio.  

 

TSE e o mandato

Para Jorge Bornhausen, a preocupação de Michel Temer deve estar com a aprovação da reforma da Previdência e muito menos com o julgamento da chapa ao lado de Dilma Rousseff (PT), no Tribunal Superior Eleitoral, uma caso que considera menos complexo. No contato, no Palácio do Planalto, Bornhausen elogiou Temer pela indicação do advogado catarinense Admar Gonzaga para o posto de ministro do TSE. Gonzaga só toma posse dia 16 de abril, ou seja, entrará no debate sobre a chapa depois de iniciada a análise pelo plenário.  

 

Estrategista

O ex-ministro e ex-deputado Roberto Brant é uma voz considerada pelo Palácio do Planalto. Fez parte da equipe reunida por Wellington Moreira Franco, então presidente da Fundação Ulysses Guimarães - hoje é secretário-geral da Presidência -, que elaborou o plano do PMDB que propõe a modernização do Estado brasileiro e ganhou o nome de “Uma Ponte para o Futuro”. Em abril de 2016, quando perguntado se as reformas contidas no plano seriam levadas adiante pelo governo Temer, com a perspectiva de ficar dois anos no Palácio do Planalto, Brant disparou que: “Seria preciso dar um tranco no Congresso!”.

 

GUSTAVO LOPES BEZERRA/LIDERANÇA DO PT NA CÂMARA

CONTRAPONTO PETISTA

De passagem por Santa Catarina, onde participou de debates sobre a reforma da Previdência, o petista Ricardo Berzoini (à esquerda), ex-ministro de Lula na área, criticou o que chama de campanha com discurso de setores da imprensa e do mercado financeiro como argumento do Planalto para fazer as mudanças nas aposentadorias. Berzoini, que não acredita no rombo alardeado pelo governo, foi convidado pelo líder da Oposição no Congresso Nacional, o deputado federal catarinense Décio Lima (à direita), e também ponderou que Michel Temer não tem legitimidade para fazer a reforma. E também defendeu o voto em lista fechada e pintou um cenário de perdas irreparáveis para os trabalhadores com a aprovação da terceirização, sancionada por Temer com um veto ao contrato temporário maior do que nove meses.

 

Deu no que deu

Depois de tantos enfrentamentos internos, a direção estadual do PSDB agiu bem ao cancelar a eleição do diretório municipal de Florianópolis, marcada, nos bastidores, por disputas entre os maiores caciques da sigla. O partido presidido pelo deputado Marcos Vieira, que têm bases na região metropolitana da Capital e no Oeste, confirmou as 302 filiações feitas pelo suplente de vereador Luciano Formighieri, em fevereiro deste ano, mas impediu que os novos tucanos tenham direito ao voto na escolha do diretório porque o PSDB não aceita filiações em bloco, fato ironicamente decidido com base histórica quando o então ex-presidente Vicente Caropreso, que apoia a chapa 2, que foi impugnada, agiu da mesma maneira em relação ao ex-filiado Gean Loureiro.  

 

Tiroteio 1

Um dos cabeças da chapa 2, Luciano Formighieri poupa o atual presidente da comissão provisória da Capital, Luiz Carlos Silva, o Luizinho, mas ataca fortemente o presidente estadual Marcos Vieira e o vice-prefeito João Batista Nunes pelo que considera ação para derrubar o projeto alternativo de renovação do partido. O cancelamento da eleição, confirmado em nota oficial do tucanato estadual, deu-se por conta do recurso interposto por Formighieri e seus aliados à direção estadual, e que pretende chegar à nacional, que não conseguiria ser analisado antes de domingo, data da convenção.

 

Tiroteio 2

João Batista Nunes, apoiador da chapa 1, que afirmou aqui na coluna que iria às últimas consequências contra a filiação em bloco, o que incluía o adiamento da disputa para fazer o mesmo se necessário, recebeu uma ligação do senador Paulo Bauer que negou qualquer envolvimento com a chapa 2 ou o grupo que a defendia. João Batista sabe que há muito mais do que uma disputa de grupos na eleição do diretório, que mostrou, na verdade, uma antecipação do jogo de 2018, e pôs muitos ligados aos deputados estaduais Leonel Pavan, Vicente Caropreso, ambos secretários de Colombo, e o 2° vice-presidente da Assembleia Mário Marcondes ao lado de Formighieri, e o grupo que detinha o apoio de Marcos Vieira, dos vereadores e 22 dos 24 suplentes, pró-Luizinho. No PSD, há quem deve comemorar a ensaiada ruptura dos emplumados.

 

GUTO KUERTEN/DIVULGAÇÃO

SOB A LUZ DO OESTE

Um  bom churrasco caseiro com aipim aguardava o presidente estadual do PSD, deputado Gelson Merisio, na visita da caravana do partido a São Carlos, no Oeste, não muito longe das raízes do parlamentar em Xaxim, onde nasceu, Xanxerê e Chapecó, onde exerceu suas atividades profissionais e políticas. Com o deputado Altair Silva (PP) de carona, Merisio foi recebido pelo prefeito Rudi Sander (PP), eleito em uma coligação com os pessedistas locais, aliança desenhada para o projeto ao governo em 2018. Mas nem o clima de festa, em uma chácara de uma amigo do prefeito, evitou a pergunta recorrente nas viagens de deputados e do governador pelo interior: “Quando sai o Fundam II?”

 

É boa, mas...

Aplaudia pelo presidente da Embratur Vinícius Lummertz quando do evento na Capital e elogiada pelo ministro Marx Beltrão (Turismo) a parceria público-privada assinada sob o olhar do prefeito Gean Loureiro (PMDB) tem sido uma alternativa maravilhosa no papel e péssima nos negócios do mundo real. Os empresários têm receio de que a burocracia do governo e uma eventual mudança de regras com o jogo em andamento, principalmente coma judicialização do tema, levem contratos e assinaturas para o lixo, ainda mais em tempos de Operação Lava Jato. Vamos torcer para que dê certo.

 

Empolgado

Vinícius Lummertz não escondeu a alegria na visita a Florianópolis. Referia-se a possibilidade da PPP tirar do projeto o Parque Marina Beira-Mar. E chamou de “vitória histórica” a batimetria da baías da Capital, que permitirá saber a profundidade real para receber os transatlânticos.    

 

MÁRIO HENRIQUE MARTINS/DIVULGAÇÃO

MAIS DO QUE JUSTO

Presidente da Fundação Catarinense de Cultura, Rodolfo Pinto Luz fez a entrega do documento que renova o registro de bem imaterial de Santa Catarina à Procissão do Senhor dos Passos, na sede da Irmandade que mantém a tradição religiosa católica, única com este reconhecimento oficial, desde 2006. Na foto, Rodolfo cumprimenta o presidente da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis, Sander DeNira, apoiador do evento, sob o olhar do provedor da Irmandade, Luiz Mario Machado.

 

MARILENE RODRIGUES/DIVULGAÇÃO

PARA CONFIRMAR

Para fazer história, a chapa única à diretoria da Associação dos Delegados de Polícia de Santa Catarina (biênio 2017-2019) foi eleita nesta sexta com a participação de 263 associados. A chapa foi encabeçada pelos delegados Ulisses Gabriel (foto), Artur José Régis Neto e Rodrigo Bortolini. A posse será dia 25 de abril, no Majestic Palace Hotel, em Florianópolis.

 

Nem parece

Os bastidores políticos estão mais agitados do que aparentam neste domingo. As eleições suplementares em Sangão e Bom Jardim da Serra põem, frente a frente, algumas das maiores forças partidárias do Estado. Briga de foice! 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 36 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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