Novembro 09, 2020

Tese pró-Moisés vence no impeachment

Tese pró-Moisés vence no impeachment
RODOLFO ESPÍNOLA/AGÊNCIA AL

A não produção de novas provas para acelerar o julgamento do processo impeachment, em que Carlos Moisés da Silva responde pelo crime de responsabilidade em função da equiparação de salários entre procuradores do Executivo e Legislativo, é uma vitória da tese do advogado Marcos Fey Probst, que defende o governador, ora afastado.

O proponente do pedido, o defensor público Ralf Zimmer Júnior, pretendia inflar a peça com oito depoimentos, entre eles o do chefe do Ministério Público Estadual, e 22 diligências, o que atrasaria o processo e evitaria o provável retorno de Moisés ao governo, até o final deste mês, mas o desembargador Ricardo Roesler não aceitou o libelo.

Desde o dia do julgamento do prosseguimento da ação, Marcos Fey probst, advogado do governador já alertava que não havia a necessidade de produção de provas, depoimentos e diligências, e que pediria, tão logo vencida aquela etapa, a marcação do julgamento e já arriscava para antes de dezembro.

Portanto, agora, resta marcar a data, 20 ou 27 de novembro, depois dos cinco dias de prazo para manifestações que Roesler concedeu a Zimmer, que vencem esta semana.    

 

Tiro no pé

O proponente do primeiro pedido de impeachment sabe que a argumentação é fraca e que com os quatro votos concedidos pelos desembargadores a Moisés, a trama não prospera.

E se o governador, que encontra-se afastado de suas funções por até 120 dias, reassumir o cargo, há um natural efeito direto no outro Tribunal Especial de Julgamento, o dos respiradores e do hospital de campanha, o que atrapalhará uma construção que se dizia perfeita.

 

JULIO CAVALHEIRO/SECOM

SOBROU COMEMORAÇÃO, FALTOU CAUTELA!

Autoridades, entre elas o presidente Jair Bolsonaro, abdicaram da máscara na formatura dos 200 novos policiais rodoviários federais, na Universidade Corporativa, e não só isso, nem medidor de temperatura ou o distanciamento social, parte do protocolo de combate à Covid-19, foram respeitados durante o evento. Era uma solenidade que reunia gente de todo o país, dezenas de  convidados em arquibancadas, menos mal que os convidados usavam o adereço, embora, em determinado momento, todos parecem ter aberto mão da máscara e aderiram a apertos de mãos, selfies de rosto colado e milímetros de distância de um indivíduo para outro. Nada que não fosse o ímpeto da empolgação da festa, isso se não estivessem em Florianópolis, em risco altíssimo de contaminação da doença, a única região no Estado. Alguém, esqueceu de considerar isso na Polícia Rodoviária Federal, que promoveu uma solenidade que não pode ser feita por qualquer outro grupo responsável por cerimoniais. Erraram todos, enquanto a cidade paga pelos impactos do que ocorreu em 12 de outubro e já tivemos outro feriadão, em 2 de novembro.

 

Aproveita a empolgação

Com tantas manifestações nas redes sociais pela vitória de Joe Biden e Kamala Harris à Presidência dos Estados Unidos, o pessoal apimentou a relação ideológica que a derrota de Donald Trump pode representar para Jair Bolsonaro, daqui a dois anos, no Brasil.

Mas estes mesmos engajados cidadãos, em regra, ignoram ou dão pouco caso para a eleição municipal que teremos no domingo (15), um fato em que podem ter participação ativa e, com potencial, capaz de interferir, de fato, nas eleições de 2022.    

 

Não venha com desculpas

Na última eleição municipal, as classes média e alta parecem ter feito um pacto: fugiram literalmente do país, era melhor pagar os R$ 3 de multa pelo não comparecimento.

Não foram votar, preferiram Miami ou Orlando (EUA) ou algum destino na Europa, senão mais longe, para se refugiarem do que costumam qualificar de baixaria ou cosia sem noção, dose que repetiram em 2018, e agora, graças a mais nova onda da Covid-19, estão impedidos de alçarem tais voos ou sequer sair de casa.

 

Grande derrotada

A tese de que as redes sociais têm potencial para eleger um poste, desde que se invista maciçamente em impulsionamento, passará por um grande teste nestas eleições, já que a regra é usada por centenas de candidatos.

Nos Estados Unidos, a onda que elegeu Barack Obama e que instruiu as fake News que deram notoriedade ao projeto de Donald Trump, naufragou nesta eleição, quando emissoras de rádio e TV, além de portais de internet e jornais impressos – sim, ainda existem – ganharam o protagonismo de informar e fizeram campanha para que o comparecimento de 67%, em um país onde o voto não é obrigatório, fosse um recorde. Pior para quem só usa as redes sociais para semear discórdia e desinformação.

 

Pois, agora!

Será que depois de intermináveis denúncias de fraude em uma eleição que é feita com votos de papel, alguém no Brasil insistirá na tese ultrapassada de que deveríamos retornar ao modelo e ignorar a relevância do sistema eletrônico, além de sua rapidez e distância da internet.

Tal qual Trump que precisa provar uma a uma as postagens de que houve “roubo” no processo de escolha entre os americanos, os céticos sobre as urnas eletrônicas e apuração no país devem buscar evidências de suas teorias de conspiração. Está mais para os americanos olharem com outros olhos para as eleições no Brasil.

 

Aliás

Quem conhece a história dos EUA sabe que a sutil diferença entre democratas e republicanos está em um ser levemente mais liberal que o outro ou um pouco menos radical, pois ambos são extremamente nacionalistas.

O raciocínio serve para dizer que as feridas do racismo e da intolerância devem ser mais bem tratadas por Biden, jamais com potencial de cura ou cauterização.

 

Pela união

O discurso de 15 minutos de Joe Biden, presidente eleito dos EUA, sobre a vitória, exortou à união dos americanos.

Não há dúvidas de que alimentar o revanchismo depois de quatro anos de governo Trump, feito via Twitter, seria incentivar a autofagia de um sistema inteiro. Biden ganha pontos pela sabedoria, Trump está cada vez mais isolado em sua cruzada e gente próxima a ele pede agora dinheiro para prosseguir com as ações para provar a teoria de fraude no mesmo processo que o elegeu há quatro anos.  

 

Anota aí!

Candidato que faz carreata e buzinaço, até no domingo, saiba que não conquista votos, mas garante outros efeitos.

O barulho e o trânsito lento, podem ter certeza, provocam aversão e ira, reações que nunca combinaram com o voto na urna.   

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roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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